O Banco Bradesco voltou ao centro das atenções do mercado após divulgar um balanço considerado acima das expectativas no primeiro trimestre de 2026. O banco apresentou quase R$ 7 bilhões em lucro recorrente, consolidando uma sequência de recuperação operacional que já vinha sendo acompanhada de perto por investidores e analistas desde 2025.
O resultado reforçou a percepção de que o pior momento operacional do banco pode ter ficado para trás. Mesmo após uma valorização expressiva das ações nos últimos meses, muitos investidores passaram a questionar se os papéis BBDC3 e BBDC4 ainda continuam baratos diante do lucro crescente, da melhora gradual na eficiência e da perspectiva de dividendos robustos.
A recuperação do Bradesco acontece em um cenário desafiador para o setor financeiro, marcado por juros elevados, aumento da inadimplência no sistema bancário e desaceleração econômica em alguns segmentos. Ainda assim, o banco conseguiu ampliar receitas, elevar retorno sobre patrimônio e fortalecer operações consideradas estratégicas, principalmente seguros e crédito com garantia.
Lucro do Bradesco cresce 16% e supera expectativas do mercado
O Bradesco reportou lucro recorrente próximo de R$ 7 bilhões no 1T26, representando crescimento de aproximadamente 16% frente ao mesmo período do ano anterior.
Outro indicador que chamou atenção foi o avanço do ROE (Retorno sobre Patrimônio Líquido Médio), que atingiu 15,8%, mostrando evolução sequencial em comparação tanto ao primeiro trimestre de 2025 quanto ao quarto trimestre do ano passado.
Principais números do Bradesco no 1T26
| Indicador | 1T26 | Variação anual |
| Lucro recorrente | Quase R$ 7 bilhões | +16% |
| ROE | 15,8% | Alta anual |
| Receita total | Quase R$ 37 bilhões | +14% |
| Carteira de crédito | R$ 1,1 trilhão | +8,4% |
| Receita de serviços | R$ 10,4 bilhões | +6,4% |
| Lucro Bradesco Seguros | R$ 2,8 bilhões | +13% |
A evolução das receitas também chamou atenção. O banco saiu de aproximadamente R$ 28 bilhões em receitas trimestrais há poucos anos para quase R$ 37 bilhões agora, demonstrando recuperação operacional relevante.
Crédito segue crescendo, mas inadimplência preocupa investidores
Grande parte do crescimento do Bradesco veio da expansão da carteira de crédito, que já ultrapassa R$ 1,1 trilhão.
A composição da carteira mostra forte presença de segmentos considerados mais arriscados:
- Pessoa física: quase metade da carteira;
- Micro, pequenas e médias empresas: cerca de 25%;
- Grandes empresas: aproximadamente um terço.
Esse perfil ajuda a explicar a elevação das provisões para devedores duvidosos, que chegaram perto de R$ 9,7 bilhões no trimestre, alta superior a 26%.
Evolução da inadimplência
| Segmento | Inadimplência 1T25 | Inadimplência 1T26 |
| Pessoa física | 5,1% | 5,4% |
| Pequenas empresas | 4,3% | 4,0% |
| Grandes empresas | 0,3% | 0,2% |
| Total acima de 90 dias | 4,19% | Alta moderada |
Apesar da piora em alguns indicadores, o mercado interpretou os números com relativa tranquilidade porque o aumento da inadimplência no Bradesco ficou abaixo do observado em parte relevante do sistema financeiro nacional.
Outro ponto importante foi o avanço do crédito com garantia, que já representa cerca de 61% da carteira. Essa modalidade reduz o risco do banco, já que operações contam com garantias como veículos e imóveis.
Bradesco Seguros vira peça-chave no valuation do banco
Um dos destaques do balanço foi novamente o desempenho da Bradesco Seguros.
O braço de seguros, previdência e capitalização registrou lucro de R$ 2,8 bilhões no trimestre, com ROE próximo de 22%, patamar extremamente elevado para o setor financeiro.
O segmento sozinho já lucra mais do que grandes seguradoras listadas na Bolsa brasileira.
Comparação entre seguradoras
| Empresa | Lucro trimestral estimado |
| Bradesco Seguros | R$ 2,8 bilhões |
| BB Seguridade | R$ 2,2 bilhões |
| Caixa Seguridade | R$ 1,1 bilhão |
| Porto Seguro | Cerca de R$ 1 bilhão |
Essa diferença fez muitos investidores reforçarem a tese de que o mercado ainda pode estar subavaliando o Bradesco.
Analistas frequentemente destacam que, caso a operação de seguros fosse negociada separadamente na Bolsa, poderia valer mais de R$ 100 bilhões sozinha. Atualmente, todo o Bradesco possui valor de mercado próximo de R$ 190 bilhões.
Banco melhora eficiência, mas ainda tem espaço para evoluir
Outro ponto acompanhado de perto pelo mercado é o índice de eficiência, que mede quanto o banco gasta para gerar receita.
Mesmo com crescimento das despesas operacionais acima da inflação, o Bradesco vem reduzindo estruturas físicas e fechando postos de atendimento para melhorar produtividade.
Nos últimos 12 meses, o banco reduziu mais de 1.400 pontos de atendimento, acompanhando movimento semelhante ao observado em concorrentes como Itaú e Santander.
Embora o índice de eficiência tenha melhorado, o Bradesco ainda opera abaixo de bancos considerados mais eficientes, como Banco do Brasil e Itaú. Isso significa que ainda existe espaço relevante para expansão futura da rentabilidade.
Dividendos do Bradesco continuam atraindo investidores
O Bradesco segue sendo um dos bancos mais conhecidos pela regularidade no pagamento de proventos.
Além dos pagamentos mensais menores, o banco também costuma anunciar dividendos e JCPs maiores nos meses de março, junho, setembro e dezembro.
As estimativas do mercado apontam distribuição entre R$ 15 bilhões e R$ 16 bilhões em dividendos e juros sobre capital próprio ao longo de 2026.
Projeção de retorno ao acionista
| Indicador | Estimativa 2026 |
| Lucro projetado | R$ 28 bilhões |
| Payout estimado | Cerca de 55% |
| Dividend Yield projetado | Acima de 8% |
| Retorno embutido estimado | Cerca de 15% ao ano |
Essa combinação entre dividendos recorrentes e crescimento operacional ajuda a explicar por que muitos investidores continuam vendo potencial nas ações mesmo após a recente alta.
BBDC3 ou BBDC4: qual ação chama mais atenção?
A principal diferença entre BBDC3 e BBDC4 está no tipo de ação.
- BBDC3: ações ordinárias, com direito a voto;
- BBDC4: ações preferenciais, com prioridade em dividendos.
Historicamente, a BBDC4 costuma concentrar maior liquidez na Bolsa e preferência dos investidores de dividendos.
Mesmo após a forte recuperação recente, o Bradesco ainda negocia próximo de 6,5 vezes lucro projetado, múltiplo considerado baixo em relação à média histórica do banco, que frequentemente ficou acima de 10 vezes lucro em ciclos anteriores.
Isso alimenta a tese de que as ações ainda podem ter espaço para valorização caso:
- os lucros continuem crescendo;
- a inadimplência estabilize;
- o ciclo de juros no Brasil comece a cair;
- o mercado volte a pagar múltiplos mais altos pelo setor bancário.
Alta recente não elimina percepção de desconto
Muitos investidores evitam comprar ações após fortes altas, mas especialistas alertam que preço mais alto nem sempre significa ativo caro.
No caso do Bradesco, a percepção do mercado é que o banco passou anos negociando com desconto excessivo devido à deterioração operacional observada anteriormente.
Agora, com melhora gradual dos resultados, expansão do lucro e crescimento do retorno sobre patrimônio, parte do mercado acredita que o banco apenas começou um processo de reprecificação.
Além disso, compras milionárias recentes realizadas por diretores e conselheiros do próprio Bradesco reforçaram a confiança de investidores na continuidade da recuperação operacional da instituição.
Com dividendos robustos, múltiplos ainda descontados e possibilidade de melhora adicional na eficiência, o Bradesco voltou definitivamente ao radar de investidores que buscam ações de valor e renda passiva na Bolsa brasileira.
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