O Bradesco encerrou o 3º trimestre de 2025 com um avanço consistente nos resultados. O banco registrou lucro líquido recorrente de R$ 6,2 bilhões, alta em relação ao mesmo período do ano anterior e crescimento frente ao trimestre anterior. A rentabilidade também evoluiu: o ROE alcançou 14,7%, refletindo melhora operacional após dois anos de ajustes e provisões elevadas.
A carteira de crédito expandida chegou a R$ 1,03 trilhão, com crescimento anual puxado principalmente por pessoa física e pequenas e médias empresas. A margem financeira com clientes também aumentou, favorecida pelo controle de risco e pela retomada do crédito em segmentos de maior spread.
Mesmo com expansão, a inadimplência acima de 90 dias permaneceu estável em torno de 4,1%, sinalizando que o banco não está crescendo de forma agressiva a qualquer custo. O Bradesco continua mantendo provisões elevadas, porém com tendência de normalização gradual à medida que a atividade econômica se estabiliza.
O crescimento é real — mas com disciplina
Diferentemente de ciclos anteriores do setor bancário, o Bradesco não está priorizando volume a qualquer preço. O banco reduz exposição em segmentos de maior risco, reforça garantias e cresce onde há retorno mais previsível. A expansão seletiva em crédito, especialmente no varejo e no agro, vem acompanhada de gestão robusta de risco.
Essa postura “cirúrgica” explica por que lucro, margem e rentabilidade sobem sem euforia, e ajuda a entender por que o mercado reage com otimismo, mas não com excesso de entusiasmo.
E para quem investe mensalmente, o que fazer?
Para quem compra ações do Bradesco todos os meses, o cenário é positivo:
O banco voltou a crescer de forma sustentável.
O lucro e o ROE indicam que a recuperação é firme.
Há espaço para pagamentos mais atraentes de dividendos no futuro se a inadimplência continuar recuando.
Porém, existe um ponto crucial: a ação já incorpora parte dessa melhora com o preço atual de R$ 18,79, deixando a margem de segurança mais estreita.
Isso não significa vender — significa não acelerar aportes agora, mantendo disciplina e observando possíveis correções, especialmente se os preços voltarem para regiões mais atrativas.
Valuation e preço-teto: onde estão as regiões mais interessantes?
Com a recuperação dos lucros e do patrimônio, o Bradesco negocia em múltiplos mais próximos da média histórica do setor privado. Não está caro, mas também não está mais em “promoção de crise”.
Para estratégias que consideram preço-teto baseado em dividendos e earnings yield, as regiões costumam se dividir assim:
| Faixa de Preço | Interpretação |
|---|---|
| R$ 13,70 a R$ 16,30 | Zona de maior desconto e assimetria positiva |
| R$ 16,30 a R$ 18,50 | Compra neutra: boa, mas sem grande barganha |
| Acima de R$ 18,79 | Zona de cautela, melhor manter posição do que ampliar |
Ou seja: quem já investe, mantém. Quem está começando, deve evitar entrar aumentando o risco no topo da valorização.
Riscos que não podem ser ignorados
Mesmo com números fortes, o Bradesco ainda carrega três pontos de atenção:
Sensibilidade ao cenário econômico: uma desaceleração pode elevar inadimplência e reduzir margens.
Crédito agro: apesar do potencial, depende de condições climáticas e preços de commodities.
Juros reais elevados: podem limitar expansão do crédito e competir com o retorno das ações.
Esses fatores não anulam a tese, mas podem atrasar a captura de valor pelos acionistas.
Vale comprar Bradesco agora?
Sim — o Bradesco está crescendo, e o crescimento é sustentado, com melhora em lucro, ROE, crédito e controle de risco. A tese segue positiva para longo prazo, especialmente para quem investe com constância.
Porém, a entrada a R$ 18,79 exige mais cautela do que empolgação. Isso significa:
Manter aportes regulares, sem aumentar agressivamente.
Aproveitar potenciais quedas, caso ocorram, para melhorar o preço médio.
Evitar concentração excessiva no setor financeiro.
O Bradesco saiu da tempestade, mas já não está com etiqueta de liquidação. Disciplina agora vale mais que pressa.
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