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BBAS3 volta ao radar negativo com risco de cair mais

Aumento da inadimplência no agronegócio leva analistas a reduzir estimativas de lucro e rentabilidade do Banco do Brasil, enquanto investidores acompanham a forte queda das ações.
Luciana RibeiroPor Luciana Ribeiro8 de junho de 20265 minutos lidos
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BBAS3 volta ao radar negativo com risco de cair mais

As ações do Banco do Brasil (BBAS3) voltaram a ficar sob pressão após novas revisões negativas divulgadas por analistas do mercado financeiro. O principal motivo continua sendo a deterioração da carteira de crédito ligada ao agronegócio, segmento que representa uma das maiores exposições do banco.

Nas últimas semanas, o papel acumulou perdas expressivas e passou a negociar próximo de níveis considerados estratégicos por investidores de longo prazo. O cenário ocorre em meio à saída de capital estrangeiro da Bolsa brasileira, aumento da aversão ao risco e preocupação crescente com a capacidade de recuperação do setor agrícola.

A combinação desses fatores levou diversas instituições financeiras a reduzirem projeções de lucro, rentabilidade e preço-alvo para as ações do Banco do Brasil.

Agronegócio segue pressionando os resultados

A principal preocupação dos analistas está relacionada ao aumento da inadimplência no campo. Problemas climáticos, margens reduzidas para produtores rurais e dificuldades financeiras em diversas regiões do país continuam afetando a capacidade de pagamento dos financiamentos agrícolas.

O Banco do Brasil é historicamente o maior financiador do agronegócio brasileiro, o que o torna mais vulnerável a esse tipo de deterioração quando comparado a outros grandes bancos privados.

O Itaú BBA revisou suas estimativas e elevou a previsão de custo de crédito para cerca de R$ 73 bilhões. Esse indicador mede quanto o banco precisa reservar para cobrir possíveis perdas com inadimplência.

Quanto maior o custo de crédito, menor tende a ser o lucro da instituição.

O número chama atenção porque supera o teto do guidance divulgado pelo próprio Banco do Brasil para o ano.

Guidance pode não ser suficiente

No resultado do primeiro trimestre, o Banco do Brasil informou que espera um custo de crédito entre R$ 65 bilhões e R$ 70 bilhões ao longo do exercício.

Porém, os analistas já trabalham com números superiores a esse intervalo.

Se essa projeção se confirmar, o banco poderá enfrentar novas revisões de lucro nos próximos trimestres, pressionando ainda mais a percepção do mercado.

Além disso, o primeiro trimestre já trouxe sinais de deterioração importantes, obrigando a instituição a revisar algumas de suas expectativas operacionais.

Lucro projetado foi reduzido

Outro ponto que chamou atenção foi o corte nas estimativas de lucro.

As projeções que anteriormente apontavam ganhos próximos de R$ 21,2 bilhões passaram para cerca de R$ 18,4 bilhões em algumas casas de análise.

A redução reflete a expectativa de maiores provisões para devedores duvidosos e crescimento mais moderado das receitas financeiras.

Embora o Banco do Brasil continue sendo uma das instituições mais lucrativas do país, o mercado passou a enxergar um período mais longo de recuperação.

Rentabilidade preocupa investidores

Outro indicador que entrou no radar é o ROE (Retorno sobre Patrimônio Líquido).

Segundo algumas projeções, a rentabilidade pode ficar próxima de 9,3% em 2026.

O número é considerado baixo para os padrões históricos do banco e também inferior ao custo de capital estimado por parte do mercado.

Na prática, isso significa que a instituição teria dificuldades para gerar valor econômico adicional aos acionistas durante esse período.

Historicamente, o Banco do Brasil costuma apresentar ROEs muito superiores a 15%, o que ajuda a explicar a preocupação dos investidores diante dessa desaceleração.

BBAS3 pode cair para R$ 18?

A possibilidade de as ações se aproximarem da faixa de R$ 18 voltou a ser discutida entre investidores após a sequência de quedas recentes.

Diversos analistas independentes apontam que a região entre R$ 18 e R$ 18,50 poderia representar um nível de preço mais atrativo para novos aportes, especialmente para quem acredita na recuperação da instituição no longo prazo.

No entanto, não existe garantia de que a ação atingirá esse patamar.

O comportamento dos papéis continuará dependendo de fatores como:

  • Evolução da inadimplência no agronegócio;
  • Resultado do segundo trimestre;
  • Fluxo de investidores estrangeiros;
  • Perspectivas para a economia brasileira;
  • Comportamento da taxa Selic;
  • Recuperação das safras agrícolas.

Dividendos também entram no radar

Uma das maiores preocupações dos investidores de BBAS3 envolve o potencial impacto sobre os dividendos.

Com lucro menor e aumento das provisões, a capacidade de distribuição pode ficar mais limitada no curto prazo.

Ainda assim, o Banco do Brasil segue sendo uma das empresas mais relevantes da Bolsa quando o assunto é remuneração aos acionistas.

Indicadores em discussão para o Banco do Brasil

IndicadorSituação Atual
AgronegócioPressão elevada
InadimplênciaEm alta
Custo de crédito projetadoR$ 73 bilhões
Guidance do bancoR$ 65 bi a R$ 70 bi
Lucro projetadoMenor que estimativas anteriores
Rentabilidade (ROE)Cerca de 9,3%
DividendosSob monitoramento
Recomendação de parte do mercadoNeutra

Tese de longo prazo permanece?

Apesar do cenário desafiador, muitos investidores continuam defendendo a tese de longo prazo para o Banco do Brasil.

A instituição mantém posição de liderança no crédito rural, forte geração de caixa, presença nacional e histórico consistente de distribuição de dividendos.

O principal desafio será atravessar o atual ciclo de dificuldades do agronegócio sem comprometer de forma estrutural sua capacidade de geração de resultados.

Enquanto isso, o mercado seguirá atento aos próximos balanços para avaliar se a deterioração da carteira rural está próxima do fim ou se novas revisões negativas ainda poderão surgir nos próximos meses.

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Luciana Ribeiro
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Luciana Ribeiro é contadora e consultora tributária com mais de 12 anos de experiência no setor fiscal. Especialista em legislação tributária e Imposto de Renda, produz conteúdos práticos que ajudam pessoas e empresas a se manterem em dia com suas obrigações fiscais e evitarem erros na declaração.

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