As ações do Banco do Brasil voltaram a se aproximar dos R$ 20 depois de atingirem R$ 18,87 na mínima de 10 de junho. Nesta quarta-feira, 24 de junho, BBAS3 aparecia na região de R$ 19,86, ainda pressionada pelas dúvidas sobre inadimplência, provisões e rentabilidade.
A cotação pode parecer barata quando comparada aos níveis alcançados anteriormente pelo banco. Entretanto, o preço reduzido reflete um cenário operacional mais difícil, especialmente na carteira ligada ao agronegócio.
Para o investidor, a principal questão é saber se o atual desconto representa uma oportunidade de longo prazo ou se as ações ainda podem enfrentar novas quedas.
Lucro do Banco do Brasil caiu mais de 50%
O Banco do Brasil encerrou o primeiro trimestre de 2026 com lucro líquido ajustado de R$ 3,4 bilhões, queda de 53,5% em relação ao mesmo período do ano anterior.
A rentabilidade sobre o patrimônio líquido, conhecida como ROE, caiu para 7,3%. Um ano antes, esse indicador estava em 16,7%. A redução mostra que o banco passou a gerar menos lucro com o próprio capital.
| Indicador | Resultado |
|---|---|
| Lucro líquido ajustado no 1T26 | R$ 3,4 bilhões |
| Queda anual do lucro | 53,5% |
| ROE no 1T26 | 7,3% |
| Inadimplência geral acima de 90 dias | 5,05% |
| Inadimplência no agronegócio | 6,22% |
| Cotação aproximada de BBAS3 | R$ 19,86 |
O maior problema está no crédito. A inadimplência acima de 90 dias na carteira do agronegócio chegou a 6,22%, avançando 3,5 pontos percentuais em 12 meses.
Como o Banco do Brasil possui forte presença no financiamento rural, a piora do setor provoca um impacto maior sobre seus resultados do que sobre outros grandes bancos privados.
Banco elevou projeção para perdas com crédito
Após o resultado do primeiro trimestre, o banco revisou suas projeções para 2026. A estimativa de provisões e perdas esperadas com crédito passou de uma faixa entre R$ 53 bilhões e R$ 58 bilhões para R$ 65 bilhões a R$ 70 bilhões.
Ao mesmo tempo, a projeção de lucro líquido ajustado foi reduzida de R$ 22 bilhões a R$ 26 bilhões para R$ 18 bilhões a R$ 22 bilhões.
| Projeção para 2026 | Estimativa inicial | Estimativa revisada |
| Lucro líquido ajustado | R$ 22 bi a R$ 26 bi | R$ 18 bi a R$ 22 bi |
| Perdas esperadas com crédito | R$ 53 bi a R$ 58 bi | R$ 65 bi a R$ 70 bi |
Esse aumento reduz o resultado disponível para remuneração dos acionistas e limita a possibilidade de dividendos elevados no curto prazo.
BBAS3 ainda pode subir?
As projeções dos analistas permanecem bastante divididas. O consenso de mercado aponta preço-alvo médio próximo de R$ 26 para os próximos 12 meses, mas as estimativas variam aproximadamente entre R$ 20 e R$ 39.
Considerando uma cotação de R$ 19,86, um preço-alvo de R$ 26 representaria valorização potencial próxima de 31%. Essa projeção, porém, depende da estabilização da inadimplência e da redução das despesas com crédito.
A XP, por exemplo, trabalha com preço-alvo de R$ 25 e recomendação neutra, destacando que a recuperação tende a ser lenta. Já o Itaú BBA reduziu recentemente seu preço-alvo para R$ 21, refletindo maior cautela com a carteira do agronegócio.
Vale a pena investir em BBAS3 agora?
Para quem procura dividendos elevados nos próximos meses, BBAS3 pode não ser a alternativa mais previsível. O lucro menor e a necessidade de preservar capital podem manter os pagamentos abaixo dos níveis observados em ciclos anteriores.
No longo prazo, a análise muda. O Banco do Brasil mantém uma operação de grande escala, forte presença no crédito rural, extensa base de clientes e participação relevante em seguros, cartões, investimentos e gestão de recursos.
O preço atual pode representar uma oportunidade para investidores que aceitam volatilidade e conseguem esperar pela recuperação do crédito. Porém, novas quedas não estão descartadas caso a inadimplência aumente ou o banco volte a reduzir suas projeções.
O próximo teste ocorrerá em 12 de agosto de 2026, quando o Banco do Brasil divulgará os resultados do segundo trimestre. Os números de provisões, inadimplência, lucro e rentabilidade poderão definir o rumo de BBAS3 no segundo semestre.
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