O Banco do Brasil (BBAS3) chega à divulgação do resultado do primeiro trimestre de 2026 sob forte atenção do mercado. A expectativa é de um balanço pressionado por provisões elevadas, principalmente ligadas à carteira do agronegócio, o que pode afetar tanto o lucro quanto o valor dos dividendos anunciados aos acionistas.
O calendário de Relações com Investidores do banco mostra apresentação pública sobre os resultados do 1T26 marcada para 14 de maio de 2026. A temporada de balanços também indicava o Banco do Brasil entre as companhias com divulgação prevista para 13 de maio.
A preocupação central não está apenas no lucro do trimestre, mas na qualidade desse lucro. O esboço aponta que analistas esperavam lucro próximo de R$ 4,1 bilhões no 1T26, mas algumas casas projetavam números inferiores, na faixa entre R$ 3 bilhões e R$ 3,8 bilhões, diante da pressão nas provisões e do risco de crédito.
Por que o resultado da BBAS3 preocupa o mercado
O Banco do Brasil passou por um período de forte deterioração em 2025, especialmente por causa do aumento da inadimplência no agronegócio. Em fevereiro, a Reuters informou que o banco projetava lucro líquido ajustado entre R$ 22 bilhões e R$ 26 bilhões para 2026, após queda de 45% no lucro de 2025, para R$ 20,7 bilhões.
Apesar da projeção de recuperação para 2026, o mercado ainda acompanha com cautela se essa melhora aparecerá de forma consistente nos números trimestrais. No 4T25, o Banco do Brasil registrou lucro ajustado de R$ 5,74 bilhões e ROE de 12,4%, acima do trimestre anterior, mas ainda distante da rentabilidade histórica dos grandes bancos privados.
A principal dúvida é se o banco conseguirá reduzir o custo de crédito ao longo do ano. Para 2026, a instituição estimou custo de crédito entre R$ 53 bilhões e R$ 58 bilhões, abaixo dos cerca de R$ 62 bilhões registrados em 2025.
Agronegócio segue como ponto mais sensível
O maior foco de preocupação continua sendo a carteira agro. Em evento recente, executivos do Banco do Brasil reconheceram que 2025 foi um ano fora da curva para o banco e que as provisões aumentaram de forma relevante, com impacto direto sobre o resultado.
Segundo o CFO Geovanne Tobias, a média trimestral de provisões do banco girava em torno de R$ 5 bilhões em uma série histórica de dez anos, mas em 2025 esse volume praticamente triplicou. Ele também afirmou que o custo do risco chegou a 5,3% em 2025, após ficar em 3,5% em 2024.
Esse cenário explica por que o mercado observa o 1T26 como uma espécie de “teste” para BBAS3. Mesmo que o lucro venha positivo, uma nova rodada de provisões acima do esperado pode reforçar a percepção de que a recuperação será mais lenta.
Dividendos devem ser menores no trimestre
Além do impacto no preço das ações, o resultado também deve influenciar os dividendos. O esboço considera um payout de 30% e projeta uma distribuição menor para o trimestre, já que parte da remuneração do 1T26 já havia sido antecipada anteriormente.
Em fevereiro, o Banco do Brasil anunciou cerca de R$ 1,2 bilhão em juros sobre capital próprio aos acionistas, dentro da estratégia de remuneração ao investidor.
Na prática, se o lucro do 1T26 vier abaixo do consenso, o espaço para dividendos adicionais também tende a ficar mais limitado. Isso não significa ausência de remuneração, mas reforça que o Banco do Brasil vive um momento diferente daquele observado em ciclos recentes, quando a ação era vista como uma das principais pagadoras de dividendos da Bolsa.
Tabela: principais pontos no radar de BBAS3
| Indicador ou ponto de atenção | Situação atual |
|---|---|
| Resultado do 1T26 | Divulgação prevista para 13 de maio, com apresentação em 14 de maio |
| Lucro projetado no esboço | Consenso próximo de R$ 4,1 bilhões, com casas abaixo desse nível |
| Projeção de lucro ajustado 2026 | Banco indicou faixa entre R$ 22 bilhões e R$ 26 bilhões |
| Lucro ajustado do 4T25 | R$ 5,74 bilhões |
| ROE do 4T25 | 12,4% |
| Custo de crédito projetado para 2026 | Entre R$ 53 bilhões e R$ 58 bilhões |
| Principal risco | Provisões e inadimplência no agronegócio |
| Dividendos | Tendência de pagamento menor no trimestre, conforme lucro e payout |
BBAS3 ainda pode ser oportunidade?
Mesmo com o cenário desafiador, a queda recente das ações já reflete parte das preocupações do mercado. O ponto decisivo será a mensagem do banco sobre os próximos trimestres: se as provisões começarem a desacelerar, a leitura pode ser mais construtiva; se houver nova revisão de projeções, BBAS3 pode voltar a sofrer pressão.
Quer saber tudo
o que está acontecendo?
Receba todas as notícias da A Revista no seu WhatsApp.
Entre em nosso grupo e fique bem informado.






