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Início » Últimas Notícias » BBAS3 pode cair com resultado do 1T26? Lucro, agro e dividendos entram no radar
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BBAS3 pode cair com resultado do 1T26? Lucro, agro e dividendos entram no radar

Banco do Brasil divulga balanço do 1T26 em meio à expectativa de lucro menor, provisões elevadas no agronegócio e atenção do mercado para uma possível revisão de projeções
Felipe AndradePor Felipe Andrade13 de maio de 20264 minutos lidos
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O Banco do Brasil (BBAS3) chega à divulgação do resultado do primeiro trimestre de 2026 sob forte atenção do mercado. A expectativa é de um balanço pressionado por provisões elevadas, principalmente ligadas à carteira do agronegócio, o que pode afetar tanto o lucro quanto o valor dos dividendos anunciados aos acionistas.

O calendário de Relações com Investidores do banco mostra apresentação pública sobre os resultados do 1T26 marcada para 14 de maio de 2026. A temporada de balanços também indicava o Banco do Brasil entre as companhias com divulgação prevista para 13 de maio.

A preocupação central não está apenas no lucro do trimestre, mas na qualidade desse lucro. O esboço aponta que analistas esperavam lucro próximo de R$ 4,1 bilhões no 1T26, mas algumas casas projetavam números inferiores, na faixa entre R$ 3 bilhões e R$ 3,8 bilhões, diante da pressão nas provisões e do risco de crédito.

Por que o resultado da BBAS3 preocupa o mercado

O Banco do Brasil passou por um período de forte deterioração em 2025, especialmente por causa do aumento da inadimplência no agronegócio. Em fevereiro, a Reuters informou que o banco projetava lucro líquido ajustado entre R$ 22 bilhões e R$ 26 bilhões para 2026, após queda de 45% no lucro de 2025, para R$ 20,7 bilhões.

Apesar da projeção de recuperação para 2026, o mercado ainda acompanha com cautela se essa melhora aparecerá de forma consistente nos números trimestrais. No 4T25, o Banco do Brasil registrou lucro ajustado de R$ 5,74 bilhões e ROE de 12,4%, acima do trimestre anterior, mas ainda distante da rentabilidade histórica dos grandes bancos privados.

A principal dúvida é se o banco conseguirá reduzir o custo de crédito ao longo do ano. Para 2026, a instituição estimou custo de crédito entre R$ 53 bilhões e R$ 58 bilhões, abaixo dos cerca de R$ 62 bilhões registrados em 2025.

Agronegócio segue como ponto mais sensível

O maior foco de preocupação continua sendo a carteira agro. Em evento recente, executivos do Banco do Brasil reconheceram que 2025 foi um ano fora da curva para o banco e que as provisões aumentaram de forma relevante, com impacto direto sobre o resultado.

Segundo o CFO Geovanne Tobias, a média trimestral de provisões do banco girava em torno de R$ 5 bilhões em uma série histórica de dez anos, mas em 2025 esse volume praticamente triplicou. Ele também afirmou que o custo do risco chegou a 5,3% em 2025, após ficar em 3,5% em 2024.

Esse cenário explica por que o mercado observa o 1T26 como uma espécie de “teste” para BBAS3. Mesmo que o lucro venha positivo, uma nova rodada de provisões acima do esperado pode reforçar a percepção de que a recuperação será mais lenta.

Dividendos devem ser menores no trimestre

Além do impacto no preço das ações, o resultado também deve influenciar os dividendos. O esboço considera um payout de 30% e projeta uma distribuição menor para o trimestre, já que parte da remuneração do 1T26 já havia sido antecipada anteriormente.

Em fevereiro, o Banco do Brasil anunciou cerca de R$ 1,2 bilhão em juros sobre capital próprio aos acionistas, dentro da estratégia de remuneração ao investidor.

Na prática, se o lucro do 1T26 vier abaixo do consenso, o espaço para dividendos adicionais também tende a ficar mais limitado. Isso não significa ausência de remuneração, mas reforça que o Banco do Brasil vive um momento diferente daquele observado em ciclos recentes, quando a ação era vista como uma das principais pagadoras de dividendos da Bolsa.

Tabela: principais pontos no radar de BBAS3

Indicador ou ponto de atençãoSituação atual
Resultado do 1T26Divulgação prevista para 13 de maio, com apresentação em 14 de maio
Lucro projetado no esboçoConsenso próximo de R$ 4,1 bilhões, com casas abaixo desse nível
Projeção de lucro ajustado 2026Banco indicou faixa entre R$ 22 bilhões e R$ 26 bilhões
Lucro ajustado do 4T25R$ 5,74 bilhões
ROE do 4T2512,4%
Custo de crédito projetado para 2026Entre R$ 53 bilhões e R$ 58 bilhões
Principal riscoProvisões e inadimplência no agronegócio
DividendosTendência de pagamento menor no trimestre, conforme lucro e payout

BBAS3 ainda pode ser oportunidade?

Mesmo com o cenário desafiador, a queda recente das ações já reflete parte das preocupações do mercado. O ponto decisivo será a mensagem do banco sobre os próximos trimestres: se as provisões começarem a desacelerar, a leitura pode ser mais construtiva; se houver nova revisão de projeções, BBAS3 pode voltar a sofrer pressão.

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Felipe Andrade
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Felipe Andrade é analista de investimentos e colunista de mercado, com experiência em renda variável e mercados globais. Na A Revista, acompanha ações, empresas, petróleo, energia, commodities e mercados internacionais. Analisa resultados e documentos das companhias, contextualiza riscos e diferencia dados de expectativas.

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