O setor bancário brasileiro voltou ao centro das atenções dos investidores em 2026. Banco do Brasil e Bradesco, dois dos maiores bancos do país, atravessam momentos distintos do ciclo econômico, mas seguem lucrativos, bem capitalizados e negociados a múltiplos que reacendem o debate sobre oportunidade. A comparação entre BBAS3 e BBDC3 passa, principalmente, por lucro, rentabilidade, valuation e potencial de dividendos.
Tabela comparativa: dados atuais de BBAS3 e BBDC3
| Indicador | BBAS3 – Banco do Brasil | BBDC3 – Bradesco |
|---|---|---|
| Cotação atual | R$ 24,76 | R$ 18,64 |
| Dividend Yield (12 meses) | 4,79% | 7,23% |
| Proventos pagos (12 meses) | R$ 1,18 por ação | R$ 1,34 por ação |
| P/VP (Preço/Valor Patrimonial) | 0,78 | 1,12 |
| Lucro líquido recorrente – 3T25 | R$ 3,79 bilhões | R$ 6,20 bilhões |
| ROE / ROAE – 3T25 | 8,4% | 14,7% |
| Lucro estimado para 2025 | R$ 18 a R$ 21 bilhões | Em recuperação gradual |
BBAS3: desconto patrimonial chama atenção, mas crédito do agro pesa
O Banco do Brasil entra em 2026 negociando com desconto relevante em relação ao seu valor patrimonial, com P/VP abaixo de 1. Esse nível costuma atrair investidores com perfil de longo prazo, especialmente quando a empresa segue apresentando lucro e distribuição de proventos.
No entanto, o banco atravessa um período mais sensível do ciclo de crédito. A elevação da inadimplência no agronegócio impactou os resultados ao longo de 2025, provocando queda expressiva do lucro em relação a 2023 e pressionando a rentabilidade. Mesmo assim, os números mais recentes indicam estabilização dos resultados, o que começa a reduzir a percepção de deterioração contínua.
Do ponto de vista do investidor, BBAS3 hoje combina:
Preço descontado
Dividendos recorrentes
Maior sensibilidade ao ciclo econômico, especialmente ao agro
BBDC3: recuperação de resultados e rentabilidade mais alta
O Bradesco aparece em um estágio diferente. Após um período difícil marcado por aumento da inadimplência e ajustes operacionais, o banco apresentou crescimento consistente do lucro ao longo de 2024 e 2025.
No terceiro trimestre de 2025, o Bradesco registrou lucro recorrente superior a R$ 6 bilhões, com ROAE próximo de 15%, sinalizando recuperação da eficiência e da rentabilidade. Esse movimento ajuda a explicar por que o papel já negocia acima do valor patrimonial, diferentemente do Banco do Brasil.
Além disso, o dividend yield acumulado em 12 meses do BBDC3 se mostra mais elevado, reforçando o apelo para investidores focados em renda.
BBAS3 ou BBDC3: duas teses, dois momentos do ciclo
A diferença entre os dois bancos fica clara quando se observa o estágio do ciclo:
BBAS3
Negocia com desconto relevante
Ainda atravessa ajustes no crédito
Pode oferecer assimetria maior, mas com volatilidade
BBDC3
Já apresenta recuperação operacional
Rentabilidade mais elevada
Dividendos mais fortes no curto prazo
Ambos seguem como instituições sólidas, com histórico de lucro, distribuição de resultados e presença dominante no sistema financeiro brasileiro.
Banco do Brasil e Bradesco voltam ao radar em 2026 não por promessa, mas por números. O BBAS3 chama atenção pelo desconto patrimonial e pelo potencial de normalização ao longo do ciclo. Já o BBDC3 se destaca pela recuperação mais visível da rentabilidade e por dividendos mais robustos no acumulado recente.
A escolha entre um e outro depende menos de “qual é o melhor banco” e mais de qual tese faz mais sentido para a estratégia do investidor: reprecificação com maior risco ou recuperação já em andamento com foco em renda.
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