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Início » Últimas Notícias » BBAS3 no olho do furacão: lucro em queda, agronegócio arrasta resultados e preço alvo balança
Ações

BBAS3 no olho do furacão: lucro em queda, agronegócio arrasta resultados e preço alvo balança

Ações do Banco do Brasil (BBAS3) sofrem com queda expressiva de resultados, provisões elevadas no crédito rural e revisão de outlook, enquanto analistas debatem risco versus oportunidade
André CarvalhoPor André Carvalho5 de janeiro de 20264 minutos lidos
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BBAS3

O Banco do Brasil atravessa um dos momentos mais delicados dos últimos anos. Após um ciclo excepcional de resultados entre 2022 e 2024, o banco sofreu uma reversão abrupta de desempenho. O lucro anual projetado para 2026 ficou próximo da metade do que o mercado esperava no início do ciclo, refletindo uma deterioração rápida da qualidade da carteira de crédito.

A queda acumulada no lucro já supera 50%, enquanto o retorno sobre o patrimônio líquido, que chegou a operar acima de 20% em anos recentes, recuou para a faixa de um dígito. A rentabilidade do banco voltou a níveis considerados baixos para o setor financeiro.

Inadimplência cresce e força provisões elevadas

O principal fator por trás da piora dos resultados é o avanço da inadimplência, especialmente no crédito rural. O Banco do Brasil possui uma das maiores exposições ao agronegócio do país, com uma carteira próxima de R$ 400 bilhões, o que equivale a cerca de um terço de todo o crédito concedido pela instituição.

A inadimplência acima de 90 dias avançou de forma consistente ao longo dos últimos trimestres, atingindo patamares próximos de 5%, enquanto o índice de cobertura caiu. Esse movimento obriga o banco a reforçar provisões para devedores duvidosos, elevando significativamente o custo do crédito e comprimindo o lucro operacional.

Custo de crédito dispara e corrói resultados

O custo do crédito teve crescimento expressivo, refletindo diretamente o aumento das provisões. Esse item passou a ser um dos maiores pesos negativos no balanço, reduzindo tanto o lucro operacional quanto o lucro líquido.

Esse cenário explica por que o banco, que anteriormente entregava lucros trimestrais na casa de R$ 8 a R$ 9 bilhões, passou a registrar resultados bem mais modestos, alterando completamente a percepção de previsibilidade que o papel carregava até pouco tempo atrás.

Indicadores financeiros: antes e depois do choque

IndicadorCiclo forteSituação atual
Lucro anualR$ 35–38 bilhões~R$ 18 bilhões
ROE20%–21%~8%–11%
Inadimplência >90 dias~3%~5%
Dividend Yield~11%~6%
P/L projetado~3,6x~7,0x

A tabela deixa claro que, apesar da queda moderada na cotação, a deterioração dos fundamentos foi muito mais intensa.

Dividendos deixam de ser atrativo no curto prazo

Com o lucro pressionado e necessidade de preservar capital, a distribuição de dividendos perdeu força. A expectativa de proventos caiu mais de 60% em relação ao que o mercado projetava no início do ciclo, reduzindo o dividend yield para níveis pouco competitivos frente a outras ações e até mesmo frente à renda fixa.

Para o investidor focado em renda, BBAS3 deixou de ser uma opção atrativa no curto prazo, exigindo uma mudança clara de perfil para quem permanece posicionado.

Por que a ação não caiu mais?

Mesmo com o tombo nos resultados, a ação não despencou na mesma proporção. Parte disso se explica pelo bom desempenho geral da bolsa no período, que ajudou a sustentar preços mesmo de empresas com fundamentos enfraquecidos.

Outro fator relevante é a percepção de que o banco atravessa um problema cíclico, e não estrutural. Isso faz com que parte do mercado aceite conviver com resultados fracos no curto prazo em troca de uma possível normalização futura.

2026 ainda será difícil, mas o mercado olha além

As projeções indicam que 2026 continuará sendo um ano fraco, com lucro ainda pressionado e rentabilidade abaixo da média histórica. A melhora mais consistente só começa a aparecer nas estimativas a partir de 2027, com expectativa de redução gradual da inadimplência e normalização do custo do crédito.

Caso o banco volte a operar com lucros próximos de R$ 30 bilhões nos anos seguintes, o múltiplo preço/lucro cairia rapidamente, abrindo espaço para reprecificação da ação no médio prazo.

Vale a pena ter BBAS3 agora?

BBAS3 deixou de ser uma ação de dividendos no curto prazo e passou a ser um ativo de tese cíclica. O investidor precisa estar disposto a atravessar um período prolongado de resultados fracos, com volatilidade e frustração, apostando em uma recuperação que só deve se materializar mais adiante.

Para quem busca previsibilidade e renda imediata, o papel perde atratividade. Para quem aceita risco e pensa em ciclos longos, BBAS3 pode voltar a chamar atenção caso os preços entrem em patamares mais descontados e o cenário de crédito comece a dar sinais claros de melhora.

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Banco do Brasil BBAS3 inadimplência lucro líquido resultados trimestrais
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André Carvalho
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André Luís Carvalho é jornalista formado pela Universidade Federal da Bahia (UFBA), fundador e editor-chefe da A Revista, com mais de dez anos de experiência em jornalismo digital. Coordena a cobertura de ações, dividendos, fundos imobiliários, renda fixa, petróleo, economia e mercados. Na direção editorial, orienta a apuração em documentos primários, a contextualização de riscos e a separação entre fatos, projeções e opiniões. Conteúdos informativos não constituem recomendação individual de investimento.

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