O setor bancário brasileiro enfrentou um dia de forte pressão na Bolsa, com quedas generalizadas entre os principais bancos listados. As ações do Banco do Brasil (BBAS3) recuaram com força após rebaixamento de recomendação, enquanto o Santander (SANB11) caiu após divulgar um resultado abaixo das expectativas do mercado no primeiro trimestre de 2026 (1T26).
O movimento negativo também atingiu Itaú (ITUB4) e Bradesco (BBDC4), refletindo não apenas resultados individuais, mas uma crescente preocupação com o cenário macroeconômico e a qualidade do crédito no país.
Resultado do Santander decepciona e acende alerta no setor
O Santander apresentou lucro abaixo do esperado, frustrando projeções do mercado. O consenso apontava para cerca de R$ 4,1 bilhões, mas o banco entregou aproximadamente R$ 3,8 bilhões no trimestre.
Apesar de um crescimento modesto da carteira de crédito, alguns pontos chamaram atenção negativamente:
- Desaceleração do crédito: crescimento tímido de cerca de 3,4%
- Queda trimestral: retração de aproximadamente 0,4%
- Aumento da inadimplência: especialmente em pessoas físicas
- Deterioração da qualidade de crédito
A inadimplência voltou a subir após um período de melhora, com destaque para o índice de atrasos acima de 90 dias, sinalizando risco futuro mais elevado.
Por outro lado, o banco conseguiu manter controle de despesas, com crescimento limitado e até queda em alguns indicadores operacionais, o que foi um dos poucos pontos positivos do balanço.
Inadimplência em alta preocupa investidores
O principal fator de preocupação do mercado não foi apenas o resultado pontual, mas a tendência de piora na qualidade do crédito.
Entre os sinais mais relevantes:
- Alta na inadimplência total
- Crescimento do atraso entre 15 e 90 dias (indicador antecedente)
- Pressão tanto em pessoa física quanto jurídica
Esse cenário levanta dúvidas sobre o comportamento dos demais bancos, já que o aumento da inadimplência tende a afetar todo o sistema financeiro.
Banco do Brasil é rebaixado e amplia pessimismo
Além do resultado do Santander, o Banco do Brasil (BBAS3) foi alvo de rebaixamento por uma grande instituição internacional, que alterou sua recomendação de neutra para venda.
O preço-alvo também foi reduzido, refletindo preocupações com:
- Risco na carteira de crédito rural
- Aumento das provisões para perdas
- Possível revisão negativa de guidance
- Baixa visibilidade sobre resultados futuros
Mesmo sendo considerado um banco com múltiplos atrativos, a avaliação atual é de que os riscos superam o potencial de valorização no curto prazo.
Provisões elevadas podem pressionar lucros em 2026
Um dos pontos mais críticos está na expectativa de aumento nas provisões — valores reservados para cobrir possíveis calotes.
As projeções indicam:
| Indicador | Projeção Atual | Faixa do Guidance |
| Provisões totais | R$ 64 bilhões | R$ 53 a R$ 58 bilhões |
| Lucro estimado 2026 | R$ 21 bilhões | R$ 22 a R$ 26 bilhões |
Esse descolamento sugere que o Banco do Brasil pode não cumprir suas metas, o que aumentaria a pressão sobre as ações.
Cenário macroeconômico também pesa sobre bancos
Além dos resultados individuais, o ambiente macroeconômico segue desafiador e contribui para o pessimismo no setor:
- Inflação elevada
- Juros ainda altos por mais tempo
- Crescimento econômico moderado
- Riscos climáticos (El Niño) impactando o agro
- Alta nos custos de insumos, como fertilizantes
No caso do Banco do Brasil, a forte exposição ao agronegócio aumenta a sensibilidade a esses fatores, especialmente em um cenário de margens pressionadas no setor rural.
Quedas acumuladas já ultrapassam 20% em alguns bancos
Desde os picos recentes, algumas ações já acumulam perdas relevantes:
| Banco | Queda aproximada do topo |
| Santander (SANB11) | -23,5% |
| Banco do Brasil (BBAS3) | -20,1% |
| Itaú (ITUB4) | -12,4% |
| Bradesco (BBDC4) | -10,3% |
A magnitude das quedas reforça que o mercado já começou a precificar um cenário mais desafiador para o setor.
O que esperar daqui para frente
O foco dos investidores agora se volta para os próximos resultados, especialmente o do Banco do Brasil, que ainda será divulgado.
Os principais pontos de atenção incluem:
- Revisão de guidance
- Nível de provisões
- Evolução da inadimplência
- Margens financeiras
- Impactos do cenário macro
Caso as projeções negativas se confirmem, o setor bancário pode continuar pressionado no curto prazo.
Por outro lado, eventuais quedas adicionais podem começar a despertar interesse de investidores de longo prazo, especialmente em bancos com histórico sólido e geração consistente de dividendos.
O setor bancário iniciou 2026 sob pressão, com resultados abaixo do esperado, aumento da inadimplência e revisões negativas de recomendação. O cenário exige mais cautela dos investidores, que passam a monitorar de perto a qualidade do crédito e o impacto do ambiente econômico.
Mesmo com quedas relevantes, o momento ainda é de avaliação criteriosa, já que os riscos seguem elevados e novas revisões podem ocorrer nas próximas semanas.
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