O Banco do Brasil (BBAS3) sinalizou que poderá vender participações acionárias de empresas do seu conglomerado, incluindo a BB Seguridade (BBSE3), caso o cenário econômico de 2026 se deteriore significativamente. A informação foi revelada em meio a um contexto de pressão sobre o capital regulatório da instituição e aumento da inadimplência no setor agropecuário.
Lucros do conglomerado superam o do banco
Nos últimos anos, o lucro das empresas controladas pelo Banco do Brasil, como a BB Seguridade e o Banco Patagonia, superou o lucro da operação bancária tradicional. Em 2025, a BB Seguridade já acumula contribuição de R$ 4,6 bilhões ao resultado consolidado do conglomerado.
Mesmo assim, o capital principal do banco ficou abaixo dos 11% no trimestre anterior, recuperando-se para níveis mínimos aceitáveis. Uma das alternativas ventiladas pela gestão para manter esse índice acima do exigido seria a venda parcial de ativos, embora esse não seja o cenário base.
BB Seguridade: venda antes da renovação de contratos é improvável
Com 68,6% de participação na BB Seguridade, o Banco do Brasil detém o controle da empresa. Há especulações sobre o risco de não renovação dos contratos comerciais entre as duas companhias, que vencem entre 2031 e 2035. No entanto, analistas consideram essa hipótese improvável, já que romper a parceria seria altamente prejudicial para ambos os lados.
Vender uma fatia da BB Seguridade antes de renovar esses contratos seria visto como uma decisão pouco estratégica, pois impactaria negativamente o valor de mercado da empresa. A expectativa, portanto, é que, caso haja alienação, ocorra somente após a renovação.
Pressão do setor agro influencia decisões
Grande parte da crise atual do Banco do Brasil vem do aumento da inadimplência no setor agro, especialmente em razão da alta da Selic, queda nos preços da soja e excesso de oferta. O banco aumentou consideravelmente sua exposição ao crédito agrícola, mesmo com o setor já alavancado e pressionado pelos custos.
Desde o final de 2023, a inadimplência agrícola tem crescido, especialmente em empréstimos de curto prazo. O BB perdeu market share no setor agro, mesmo expandindo sua carteira de crédito, e enfrenta dificuldades para equilibrar risco e rentabilidade.
Dividendos: projeções seguem positivas
Apesar das incertezas, as projeções de dividendos permanecem robustas para os próximos anos:
- BB Seguridade (BBSE3) deve pagar R$ 11,40 por ação referentes ao exercício de 2025 e pode manter distribuição elevada em 2026 e 2027.
- Banco do Brasil (BBAS3) tem previsão de pagar R$ 1,00 por ação em 2025, com potencial crescimento para R$ 1,33 em 2026, o que representa um dividend yield estimado de 6,23%.
Mesmo com a queda nas cotações — BBAS3 caiu 28% desde os resultados mais recentes, e BBSE3 recuou 17% — os papéis ainda entregam bons retornos em dividendos, o que mantém os investidores atentos.
Valuation descontado reforça atratividade
Atualmente, o Banco do Brasil negocia com um P/VPA de 0,68, abaixo da média histórica de 0,94. Esse desconto embute o risco do cenário agro e de uma eventual venda de ativos, mas também oferece margem de segurança para quem aposta em recuperação gradual da economia em 2026.
A BB Seguridade, por sua vez, apresenta resiliência maior e tende a manter sua capacidade de distribuir lucros, mesmo que os juros recuem, afetando o resultado financeiro de curto prazo.
A possibilidade de venda de uma fatia da BB Seguridade não está descartada, mas depende de um cenário macro mais adverso do que o atual. Ao mesmo tempo, tanto BBAS3 quanto BBSE3 continuam atraentes para investidores de longo prazo, especialmente pela solidez dos dividendos projetados e pelos valuations descontados em relação aos fundamentos.
Quer saber tudo
o que está acontecendo?
Receba todas as notícias da A Revista no seu WhatsApp.
Entre em nosso grupo e fique bem informado.






