O Banrisul tem ganhado cada vez mais espaço nas carteiras de investidores focados em renda passiva, impulsionado por uma combinação rara entre dividendos recorrentes, inadimplência controlada e crescimento consistente da carteira de crédito. Os números recentes colocam o banco entre os principais destaques do segmento de bancos médios listados na B3, embora o forte avanço das ações nos últimos 12 meses exija cautela na entrada.
Na análise mais recente, o Banrisul ocupa a quinta posição entre os maiores pagadores de dividendos em uma carteira pessoal acompanhada por investidores, com dividend yield estimado em cerca de 8,6%, pago de forma trimestral. O banco, que nunca deixou de remunerar seus acionistas desde o IPO em 2007, vem se consolidando como um nome frequente entre investidores pessoa física público que hoje representa 96% dos cerca de 146 mil acionistas da companhia.
Um banco quase centenário, mas ainda pequeno na bolsa
Com 97 anos de história, o Banrisul possui um valor de mercado próximo de R$ 4,9 bilhões, mantendo perfil de banco médio quando comparado a gigantes do setor. Sua carteira de crédito soma aproximadamente R$ 64 bilhões, número que evidencia a distância em relação ao Banco do Brasil, cuja carteira supera a casa de R$ 1,1 trilhão.
Apesar disso, o banco apresenta uma estrutura robusta:
- 50,6% das ações em free float,
- 49% ainda nas mãos do Estado do Rio Grande do Sul,
o que faz com que, na prática, o Banrisul já opere muito mais próximo de um banco privado do que de uma estatal tradicional.
Modelo de negócios completo e foco na intermediação financeira
O Banrisul atua de forma ampla, oferecendo crédito consignado, crédito imobiliário, crédito rural, câmbio, seguros, cartões, consórcios e contas correntes. Ainda assim, sua principal fonte de receita segue sendo a intermediação financeira, responsável pela maior parte dos ganhos.
Atualmente, a composição das receitas mostra:
- Cerca de 88% provenientes de juros e crédito,
- Aproximadamente 9% de tarifas e serviços,
- Cerca de 3% de outras receitas.
Essa característica faz com que o desempenho do banco esteja diretamente ligado à eficiência do crédito e ao controle de riscos.
Avanço digital reduz custos e melhora eficiência
Um dos pontos que mais chama atenção nos números recentes é a aceleração da estratégia digital. O número de clientes que utilizam os canais digitais subiu de 1,3 milhão para 1,6 milhão, enquanto as transações digitais passaram de 81% para 88% do total.
Esse movimento é relevante porque operações digitais tendem a reduzir despesas administrativas, melhorando a eficiência operacional do banco ao longo do tempo.
Carteira de crédito cresce com qualidade
A carteira de crédito do Banrisul cresceu 11,1% na comparação anual, com destaque para:
- Pessoa Física, que avançou 8,2%,
- Pessoa Jurídica, que teve crescimento expressivo de 20%.
O grande diferencial está no crédito consignado, que hoje soma cerca de R$ 20 bilhões, representando quase um terço da carteira total. Esse tipo de crédito, descontado diretamente na folha de pagamento, possui inadimplência estruturalmente baixa.
Além disso:
- 70% da carteira de pessoa física é colateralizada,
- Ou seja, possui garantias reais em caso de inadimplência.
Inadimplência segue sob controle, mesmo com regras mais rígidas
Mesmo após a entrada em vigor da Resolução 4.966, que endureceu as regras de provisão para devedores duvidosos, a inadimplência do banco permaneceu estável:
- 2,1% em setembro de 2024,
- 2,6% em setembro de 2025.
A carteira por estágios mostra:
- 92% no Estágio 1 (menor risco),
- 1,2% no Estágio 2,
- 5,9% no Estágio 3.
Mesmo dentro do Estágio 3, 27% das operações seguem em dia, o que reduz o risco efetivo. A despesa com provisão gira em torno de 1,4% da carteira total, patamar considerado saudável para o setor.
Custo de captação surpreende positivamente
Outro ponto de destaque é o baixo custo de captação. O Banrisul consegue captar recursos a:
- 82% da taxa Selic (custo médio),
- 86% da Selic em depósitos a prazo.
Esses números são típicos de grandes bancos, enquanto instituições menores costumam operar entre 90% e 95% da Selic, o que amplia o spread bancário e melhora a rentabilidade.
Receitas de serviços crescem pouco, mas não preocupam
As receitas com prestação de serviços cresceram 1,3% no acumulado anual, mas representam apenas 8% do faturamento total. Houve queda de cerca de 15% em consórcios, compensada por crescimento de 12,5% em outras linhas, como cartões e seguros.
Despesas sob controle, em linha com a inflação
As despesas administrativas cresceram 3,4% na comparação anual. Sem ajustes contábeis específicos, esse número teria ficado próximo de 5%, alinhado à inflação do período. O banco já sinalizou que o reajuste salarial de 2025/2026 deve girar em torno de 5,6%, mantendo previsibilidade de custos.
ROE instável exige cautela no preço
O principal ponto de atenção segue sendo a volatilidade do ROE (Retorno sobre Patrimônio). Nos últimos anos, o indicador oscilou fortemente:
- Já esteve acima de 13%,
- Caiu para 5% na pandemia,
- Atualmente gira em torno de 11,9% nos últimos nove meses.
Essa instabilidade explica por que o banco historicamente negocia com desconto em relação ao valor patrimonial, com média de 0,67x P/VPA nos últimos 10 anos. Hoje, mesmo com P/L em torno de 4,9, o mercado já precificou boa parte da melhora, refletida em uma alta de cerca de 70% das ações nos últimos 12 meses.
Dividendos recorrentes e previsíveis
O Banrisul paga dividendos trimestralmente (março, junho, setembro e dezembro), com rapidez após a data-com. O payout atual gira em torno de 45%, mas já chegou a 50% entre 2022 e 2023. Caso volte a patamares mais elevados, o dividend yield poderia se aproximar de 9,6%.
Comparativo com outros bancos médios da bolsa
No comparativo com Banco da Amazônia, Banco ABC Brasil, Banco BMG e Banco Pine:
- O BASA se destaca como o mais barato em P/L e crescimento de receita,
- O Banrisul lidera em preço sobre valor patrimonial,
- O Banco Pine impressiona com ROE acima de 25%,
- O BMG aparece como o maior pagador de dividendos do grupo.
O Banrisul se consolida como um banco sólido, eficiente e generoso em dividendos, especialmente atrativo para investidores de longo prazo focados em renda. No entanto, após uma valorização expressiva recente, o momento exige disciplina na entrada e atenção ao histórico volátil de rentabilidade.
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