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Início » Últimas Notícias » Banco do Brasil surpreende no lucro, mas agro ainda pesa nas ações
Ações

Banco do Brasil surpreende no lucro, mas agro ainda pesa nas ações

Resultado acima das expectativas impulsiona papel, mas riscos no agro e queda na rentabilidade mantêm o mercado cauteloso.
Carlos MenezesPor Carlos Menezes24 de fevereiro de 20264 minutos lidos
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As ações do Banco do Brasil (BBAS3) divulgaram resultado do quarto trimestre com lucro acima das expectativas e chegaram a subir quase 10% na abertura do pregão seguinte. Ao longo do dia, porém, a alta perdeu força e o papel fechou com ganho próximo de 2%. No pregão seguinte, voltou a recuar e retornou para a faixa dos R$ 25.

O movimento levantou um questionamento importante: se o resultado foi forte, por que o mercado não sustentou a valorização?

A resposta está nos detalhes do balanço e, principalmente, nas perspectivas para 2026.

Lucro acima do esperado, mas ainda distante do pico

O Banco do Brasil reportou lucro líquido de R$ 5,7 bilhões no 4T25, superando o consenso que girava entre R$ 4 bilhões e R$ 4,5 bilhões.

O desempenho mostrou:

  • Crescimento relevante frente ao 3T25 (R$ 3,7 bilhões)

  • Resultado cerca de 20% acima do esperado

  • Queda aproximada de 40% na comparação com o 4T24 (R$ 9,5 bilhões)

Ou seja, houve recuperação trimestral, mas ainda longe dos níveis mais fortes do ciclo anterior.

O peso do agronegócio no resultado

O Banco do Brasil é o principal financiador do agronegócio no país. Entre 2020 e 2022, o setor viveu forte expansão, com juros baixos e commodities em alta.

Com a elevação da taxa de juros para dois dígitos e problemas climáticos recentes, muitos produtores enfrentaram dificuldades financeiras.

O impacto foi direto:

  • Aumento da inadimplência para 5,17%

  • Elevação significativa das provisões para perdas

  • Pressão sobre o lucro e os indicadores de rentabilidade

Um caso relevante de aproximadamente R$ 3,6 bilhões na carteira corporativa também contribuiu para elevar a percepção de risco.

Guidance 2026: crescimento moderado e foco em qualidade

A projeção para 2026 indica mudança clara de estratégia.

Lucro líquido ajustado esperado: entre R$ 22 bilhões e R$ 26 bilhões.
Se atingir o teto da projeção, o crescimento pode chegar a até 26% sobre 2025.

Crescimento da carteira de crédito: entre 0,5% e 4,5%.
Carteira sustentável: expansão entre 2% e 6%.

A sinalização é objetiva: crescer menos, mas com mais qualidade e menor risco.

O custo de crédito projetado para 2026 deve ficar entre 53 e 58, abaixo do nível observado em 2025 (61,9), indicando expectativa de redução das provisões.

Avaliação atual da ação

No fechamento mais recente, BBAS3 negociava próxima de R$ 25.

Principais indicadores:

P/L: entre 10 e 11 vezes
P/VP: entre 0,75 e 0,81
Dividend Yield atual: 4,7%
ROE: 7,2%
ROA: 0,68%

O banco negocia abaixo do valor patrimonial, indicando desconto relevante. Contudo, a rentabilidade está pressionada.

Comparação com Itaú e Bradesco

P/L
Banco do Brasil: ~11x
Itaú: ~11x
Bradesco: ~8x

P/VP
Banco do Brasil: ~0,8x
Itaú: ~2,4x
Bradesco: ~1,1x

Dividend Yield
Banco do Brasil: 4,7%
Itaú: cerca de 10%
Bradesco: aproximadamente 7%

ROE
Banco do Brasil: 7%
Itaú: 22%
Bradesco: 13%

O Banco do Brasil é o mais descontado patrimonialmente, mas também apresenta a menor rentabilidade no momento.

Dividendos menores no curto prazo

O payout definido para 2026 é de aproximadamente 30% do lucro.

Foi anunciado juros sobre capital próprio de R$ 1,2 bilhão, com pagamento previsto para março de 2026.

O dividend yield atual está abaixo da média histórica de aproximadamente 8,8% nos últimos cinco anos, refletindo postura mais conservadora na distribuição.

Histórico mostra capacidade de recuperação

Mesmo com a crise recente, o desempenho de longo prazo é expressivo.

Nos últimos dez anos, a ação acumulou valorização próxima de 611%, superando com ampla margem os principais indicadores de renda fixa no período.

Isso demonstra capacidade estrutural de geração de valor, ainda que com ciclos de maior volatilidade.

Oportunidade ou armadilha?

O Banco do Brasil atravessa uma fase de ajuste operacional.

Pontos positivos:

  • Valuation descontado

  • Possível recuperação do lucro em 2026

  • Forte presença no agronegócio e crédito corporativo

  • Potencial de reprecificação se o ROE voltar a dois dígitos

Pontos de atenção:

  • Inadimplência elevada

  • Rentabilidade ainda pressionada

  • Dividendos reduzidos no curto prazo

  • Dependência relevante do setor agro

Se o banco cumprir o guidance e reduzir o custo de crédito, o mercado pode voltar a precificar a ação em patamares acima de R$ 30.

Para o investidor que busca valor e aceita volatilidade no curto prazo, BBAS3 pode representar oportunidade. Porém, a recuperação ainda precisa ser confirmada nos próximos resultados.

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Carlos Menezes
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Carlos Menezes é economista e analista de mercado, com MBA em Finanças pela Fundação Getulio Vargas (FGV) e mais de 15 anos de experiência acompanhando indicadores econômicos e políticas públicas. Na A Revista, analisa juros, inflação, câmbio, economia e mercados, com atenção às fontes dos dados, ao período de referência e aos efeitos para empresas e investimentos.

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