A movimentação recente no setor bancário reacendeu o debate sobre dividendos e bonificações. Enquanto o mercado revisa projeções para 2026 devido ao impacto da reforma tributária, cresce a possibilidade de bancos anteciparem pagamentos extraordinários para evitar perdas fiscais futuras, elevando o interesse sobre o Banco do Brasil e abrindo espaço para um anúncio histórico por parte do Itaú.
O que chama atenção é o aumento expressivo de bonificações e dividendos na bolsa nas últimas semanas, reforçando a tendência de que empresas com alto histórico de distribuição se antecipem para não serem penalizadas com o novo modelo tributário. O fenômeno já é observado em companhias como IS Energia, Marco Polo (POMO4) e Telefônica (Vivo), com datas-com decisivas para acionistas nos próximos dias.
Renda variável cresce menos que renda fixa, mas bancos lideram a bolsa
Mesmo com recordes recentes, o volume negociado na Bolsa segue baixo. A participação de fundos institucionais em ações está próxima de apenas 8%, patamar considerado historicamente deprimido. Desde 2020, a renda fixa monopoliza o fluxo de capital, impulsionada pela taxa Selic elevada e por um volume superior a R$ 4,3 trilhões, o maior da história.
Mesmo assim, quem mantém a bolsa em alta são os pesos pesados do Ibovespa. Petrobras e Vale enfrentam quedas recentes, mas o setor bancário assumiu o protagonismo: Bradesco e Itaú lideram o impulso do índice, que atingiu a marca dos 137 mil pontos mesmo com baixa liquidez.
Reviravolta entre os bancões: Bradesco renasce, Santander perde força
Após a temporada de resultados, casas de análise atualizaram recomendações. O Itaú BBA manteve o Bradesco com recomendação de compra, com potencial superior a 18%. A forte recuperação de rentabilidade eleva o banco a uma posição que pode reabrir espaço até para bonificação de ações em 2026, prática comum em períodos de crescimento sustentável e que havia sido abandonada durante a fase de lucros comprimidos.
Em contraponto, o Santander foi rebaixado para recomendação de manutenção. A desaceleração de lucro e o preço sobre valor patrimonial em patamar elevado tornam a ação menos atraente no curto prazo. Já o Banco Inter registrou forte valorização anual, mas também sofreu rebaixamento devido ao menor potencial após a forte alta de 2025.
Banco do Brasil: queda de lucros, corte de dividendos e… possível surpresa?
O Banco do Brasil vive um momento delicado. Seus resultados apontam queda relevante de lucratividade, impulsionada pela alta de provisões e perda de margens na carteira de crédito, principalmente no agronegócio e entre pequenas e médias empresas. No acumulado de 2025, suas ações caem mais de 8%, e o banco foi classificado como uma tese de recuperação.
Entretanto, projeções compiladas pelo mercado sugerem lucro de até R$ 21 bilhões no ano, podendo atingir o limite superior do guidance. Caso o número se confirme no quarto trimestre, o BB surpreenderia analistas que esperam novo resultado comprimido. A eventual reversão pode alterar toda a perspectiva de dividendos futuros e reabastecer a confiança dos investidores.
Itaú mira o maior dividendo extraordinário da história do setor
Entre os quatro grandes bancos, o destaque absoluto vai para o Itaú. A expectativa do mercado é de um pagamento extraordinário estimado em R$ 2,50 por ação, superando o valor recorde distribuído em 2024. Somado ao dividendo tradicional — já equivalente a 8% de dividend yield — o banco pode ultrapassar 10% em rendimento, assumindo o posto de maior pagador de dividendos do setor bancário.
Com crescimento de resultados consistente e forte eficiência operacional, o Itaú reforça sua posição como o banco mais rentável do país e o favorito entre investidores institucionais.
O que esperar para os investidores
| Banco | Momento atual | Oportunidade |
|---|---|---|
| Itaú (ITUB) | Forte crescimento e pagamento extraordinário | Maior dividend yield do setor |
| Bradesco (BBDC) | Recuperação de rentabilidade | Espaço para bonificação em 2026 |
| Banco do Brasil (BBAS) | Tese de recuperação | Possível surpresa no 4º trimestre |
| Santander (SANB) | Crescimento lento | Corre por fora |
O setor bancário volta ao centro do mercado com três potenciais gatilhos que podem movimentar investidores: bonificações, dividendos extraordinários e lucros recorde. A partir desses elementos, 2026 pode se tornar o ano mais competitivo da última década para quem busca renda com ações de bancos.
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