O Banco do Brasil (BBAS3) volta ao centro das atenções do mercado financeiro com a proximidade da divulgação dos números do primeiro trimestre de 2026. O balanço é aguardado como um teste importante para medir se a instituição começou, de fato, a sair do ciclo mais difícil recente ou se a recuperação ainda será mais lenta do que parte dos investidores esperava.
A divulgação das informações trimestrais referentes ao 1º trimestre de 2026 está prevista no calendário de Relações com Investidores do Banco do Brasil para 13 de maio de 2026. O mercado acompanha especialmente quatro pontos: lucro, retorno sobre o patrimônio, inadimplência e provisões para perdas com crédito.
A preocupação principal não está apenas no lucro em si, mas na qualidade desse resultado. O Banco do Brasil vem de um período marcado por forte pressão no agronegócio, aumento do custo de crédito, inadimplência elevada e redução da rentabilidade. Em 2025, o banco cortou projeções, reduziu payout e sofreu com a piora da carteira agro, segmento historicamente importante para a instituição.
Resultado do Banco do Brasil pode vir fraco no 1T26
A expectativa predominante é de um trimestre ainda pressionado. Apesar de o Banco do Brasil ter indicado projeção de lucro ajustado entre R$ 22 bilhões e R$ 26 bilhões para 2026, o mercado segue cauteloso porque a recuperação depende da normalização do crédito rural e da redução das provisões.
No quarto trimestre de 2025, o banco reportou lucro ajustado de R$ 5,74 bilhões e ROE de 12,4%, avanço em relação ao trimestre anterior, mas ainda abaixo dos níveis vistos antes da crise no agro. Esse dado trouxe algum alívio, mas não foi suficiente para encerrar as dúvidas sobre a velocidade da retomada.
Para o 1T26, a leitura do mercado é que o resultado pode mostrar uma recuperação irregular, com melhora em alguns pontos, mas ainda com pressão relevante em rentabilidade e qualidade dos ativos. Em outras palavras, o balanço pode não confirmar uma virada definitiva.
Por que o ROE preocupa os investidores de BBAS3
Um dos indicadores mais observados será o ROE, que mede o retorno sobre o patrimônio líquido. Para bancos, esse dado é essencial porque mostra se a instituição está conseguindo gerar lucro em nível compatível com o capital que utiliza.
Quando o ROE fica baixo, especialmente abaixo do custo de capital estimado pelo mercado, a percepção é de que o banco não está entregando retorno suficiente ao acionista naquele momento. No caso do Banco do Brasil, essa discussão ganhou força porque a rentabilidade caiu bastante durante 2025, principalmente após a piora do crédito no agronegócio.
Mesmo que BBAS3 esteja negociando a múltiplos considerados baixos, isso não significa automaticamente que a ação esteja barata sem risco. A avaliação descontada reflete justamente as incertezas sobre lucro, inadimplência, provisões e capacidade de retomada dos dividendos em ritmo mais forte.
Agro segue como principal ponto de atenção
O agronegócio continua sendo o ponto mais sensível do balanço. A carteira rural do Banco do Brasil sofreu com aumento de inadimplência, renegociações, pressão financeira sobre produtores e casos de recuperação judicial. Esse cenário exigiu provisões maiores, reduzindo o lucro e pressionando a rentabilidade.
No terceiro trimestre de 2025, a inadimplência no segmento agro avançou de forma relevante, chegando a 5,34%, acima do índice geral de atrasos acima de 90 dias do banco, que ficou em 4,93% naquele período. Esse movimento levou a instituição a revisar para baixo suas projeções de lucro e elevar estimativas de custo de crédito.
A dúvida agora é se o primeiro trimestre de 2026 mostrará estabilização ou nova deterioração. Caso os atrasos continuem subindo, o mercado pode reagir negativamente, mesmo que o lucro venha dentro das expectativas.
O que observar no balanço da BBAS3
| Indicador | Por que importa | Leitura esperada pelo mercado |
| Lucro líquido ajustado | Mostra a capacidade de geração de resultado | Pode vir pressionado pelas provisões |
| ROE | Mede a rentabilidade do banco | Deve seguir abaixo dos níveis históricos mais fortes |
| Inadimplência acima de 90 dias | Indica piora ou melhora da carteira de crédito | Agro segue como maior risco |
| PDD/provisões | Afeta diretamente o lucro | Pode continuar elevada |
| Carteira de crédito | Mostra ritmo de crescimento do banco | Crescimento deve ser moderado |
| Guidance 2026 | Indica confiança da gestão | Mercado quer sinais de recuperação real |
Vender BBAS3 antes do resultado?
A dúvida sobre vender ou manter BBAS3 antes do balanço ganhou força porque o resultado pode gerar volatilidade no curto prazo. No entanto, a decisão depende do perfil de cada investidor, do preço médio, da concentração da ação na carteira e do objetivo com o papel.
Para quem investe pensando em longo prazo e dividendos, o ponto central não é apenas o resultado de um trimestre, mas se o Banco do Brasil conseguirá recuperar rentabilidade, reduzir inadimplência e estabilizar o crédito rural ao longo de 2026.
Já para investidores muito concentrados em BBAS3, o risco emocional e financeiro é maior. Uma nova decepção no balanço pode pressionar a cotação, enquanto uma surpresa positiva pode provocar reação favorável. Por isso, diversificação e margem de segurança continuam sendo pontos importantes.
Ação barata, mas com risco claro
BBAS3 costuma chamar atenção por negociar a múltiplos baixos e por seu histórico de dividendos. Porém, o momento exige cautela. O desconto da ação não existe sem motivo: ele reflete a percepção de risco sobre lucro, agro, provisões e menor previsibilidade de distribuição de proventos.
Em 2025, o Banco do Brasil reduziu o payout para 30% do lucro, depois de enfrentar forte queda nos resultados e revisão negativa de projeções. Isso afetou diretamente a expectativa de dividendos dos acionistas.
Para 2026, o próprio banco projeta lucro ajustado entre R$ 22 bilhões e R$ 26 bilhões, com expectativa de recuperação em relação ao ano anterior. Ainda assim, o mercado quer ver essa melhora aparecer nos números trimestrais, não apenas no guidance.
O resultado será decisivo para a confiança do mercado
O balanço do 1T26 será importante porque pode indicar se o Banco do Brasil está apenas atravessando uma fase ruim ou se a pressão no agro continuará limitando a rentabilidade por mais tempo.
Se o lucro vier fraco, mas acompanhado de sinais de estabilização da inadimplência e redução gradual das provisões, a leitura pode ser menos negativa. Por outro lado, se houver nova piora relevante na qualidade dos ativos, a tese de recuperação pode ser adiada.
Para o investidor, o momento pede análise fria. BBAS3 ainda é uma das ações mais acompanhadas da Bolsa brasileira, mas deixou de ser uma tese simples de dividendos elevados e passou a exigir acompanhamento mais rigoroso dos fundamentos.
Vale a pena comprar, manter ou vender BBAS3 agora?
A resposta mais prudente é que BBAS3 segue sendo uma ação com potencial de recuperação, mas também com riscos evidentes no curto prazo. O papel pode fazer sentido para investidores que aceitam volatilidade, têm horizonte de longo prazo e não dependem de uma retomada imediata dos dividendos.
Para quem busca segurança maior, o ideal é aguardar o balanço, avaliar os indicadores de crédito e observar se a recuperação do Banco do Brasil será consistente. Comprar apenas porque a ação caiu ou vender apenas por medo do resultado pode levar a decisões precipitadas.
O ponto decisivo será entender se o Banco do Brasil está caminhando para uma recuperação sustentável ou se o primeiro trimestre de 2026 ainda mostrará que o pior momento da carteira de crédito não ficou totalmente para trás.
Quer saber tudo
o que está acontecendo?
Receba todas as notícias da A Revista no seu WhatsApp.
Entre em nosso grupo e fique bem informado.






