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Início » Últimas Notícias » Banco do Brasil (BBAS3) surpreende com lucro de R$ 5,7 bilhões, mas alerta sobre inadimplência acende sinal amarelo
Ações

Banco do Brasil (BBAS3) surpreende com lucro de R$ 5,7 bilhões, mas alerta sobre inadimplência acende sinal amarelo

Resultado acima do esperado impulsiona debate sobre qualidade dos números, cobertura de crédito e perspectivas para 2026 em meio à Bolsa nos 190 mil pontos.
Suzana MelloPor Suzana Mello12 de fevereiro de 20265 minutos lidos
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O Banco do Brasil (BBAS3) encerrou o último trimestre com lucro líquido ajustado de R$ 5,7 bilhões, superando com folga a expectativa média do mercado, que girava em torno de R$ 4 bilhões. No acumulado do ano, o banco fechou dentro do guidance projetado, reforçando sua posição entre os principais bancos do país.

O número representa uma alta expressiva em relação ao trimestre anterior, quando o lucro havia ficado próximo de R$ 3,7 bilhões. Na comparação trimestral, o avanço supera 50%, movimento que chamou a atenção de investidores e analistas.

O retorno sobre o patrimônio líquido (ROE) anualizado ficou próximo de 11% a 12%, acima das projeções iniciais, mas ainda distante dos níveis observados em bancos privados como Itaú e BTG, que operam com rentabilidade estruturalmente superior.

Apesar da surpresa positiva no lucro, o resultado não foi interpretado de forma totalmente linear. O principal ponto de atenção está na dinâmica da inadimplência e no índice de cobertura.

Inadimplência sobe e cobertura recua: o ponto mais sensível

A inadimplência acima de 90 dias voltou a crescer trimestre contra trimestre. Em um cenário de juros elevados — com a taxa básica ainda pressionando o crédito — o aumento da inadimplência exige maior provisão para perdas.

No entanto, o que se observou foi estabilidade no custo de crédito, mesmo com a piora nos atrasos. Isso significa que o banco não elevou de forma proporcional o volume de provisões, o que ajudou a impulsionar o lucro contábil.

Esse movimento impactou diretamente o índice de cobertura — indicador que mede o quanto o banco está protegido contra possíveis perdas futuras. Com menor provisão relativa ao aumento da inadimplência, a “folga” de proteção diminui.

Em termos práticos:

  • Inadimplência maior exige mais cautela

  • Provisão menor eleva o lucro no curto prazo

  • Cobertura menor pode pressionar resultados futuros

Esse é o principal debate em torno do resultado: o lucro veio forte, mas parte da melhora pode estar relacionada a uma redução temporária do nível de proteção.

Carteira de crédito cresce abaixo da inflação

A carteira de crédito expandida encerrou o período próxima de R$ 1,3 trilhão, com crescimento de aproximadamente 2,5% no ano. No entanto, esse avanço ficou abaixo da inflação do período, indicando crescimento real praticamente nulo.

Os destaques:

  • Pessoa jurídica: avanço tímido, inferior a 1% no ano

  • Agronegócio: crescimento próximo de 2%, também abaixo da inflação

  • Crédito total: ritmo mais moderado, com postura mais conservadora

O banco tem adotado postura mais diligente na concessão de crédito, especialmente diante do cenário de inadimplência elevada e juros altos.

Agronegócio ainda inspira cautela

O agronegócio, historicamente uma das principais frentes do Banco do Brasil, ainda apresenta sinais de fragilidade.

Segmentos como açúcar, etanol e grãos enfrentaram margens comprimidas ao longo do último ano, pressionados por preços internacionais e câmbio mais volátil. Houve recuperação pontual em alguns nichos, mas o cenário ainda exige cautela.

A expectativa para 2026 é de crescimento mais fraco da carteira de crédito, com possível estabilização ou até leve retração em algumas linhas mais sensíveis.

Guidance para 2026: lucro entre R$ 22 bilhões e R$ 26 bilhões

O Banco do Brasil divulgou projeção de lucro líquido ajustado entre R$ 22 bilhões e R$ 26 bilhões para 2026.

Se o resultado do último trimestre for anualizado, o banco operaria próximo de R$ 23 bilhões, indicando espaço para melhora caso a inadimplência estabilize e a economia entre em ciclo mais favorável com queda de juros.

A expectativa do mercado é que, com a redução gradual da taxa Selic e melhora do ambiente macroeconômico, haja recomposição da rentabilidade ao longo do ano.

BBAS3 está barata? Comparação com os bancões

Em termos de valuation, o Banco do Brasil negocia abaixo do seu valor patrimonial, com múltiplo próximo de 0,7 a 0,8 vezes o patrimônio líquido — patamar inferior ao observado em bancos privados.

Contudo, essa diferença reflete também:

  • ROE inferior ao de concorrentes como Itaú

  • Maior exposição ao crédito agrícola

  • Maior sensibilidade a ciclos políticos e fiscais

O mercado precifica não apenas o lucro atual, mas a qualidade e sustentabilidade dessa rentabilidade.

Ibovespa nos 190 mil pontos e fluxo estrangeiro impulsionam bancos

O resultado do Banco do Brasil também precisa ser analisado dentro de um contexto mais amplo: o Ibovespa alcançou 190 mil pontos, impulsionado por forte entrada de capital estrangeiro.

Fatores que sustentaram o movimento:

  • Diversificação global com redução de exposição aos EUA

  • Fluxo relevante para mercados emergentes

  • Expectativa de queda de juros no Brasil

  • Melhora gradual do cenário inflacionário

Esse ambiente favorece ativos de grande porte, como os bancões, que concentram boa parte do fluxo estrangeiro.

Vale comprar Banco do Brasil (BBAS3) agora?

A tese de investimento em Banco do Brasil (BBAS3) passa por dois pilares:

  1. Recuperação gradual da qualidade da carteira de crédito

  2. Manutenção de valuation descontado

Não se trata de uma “barganha histórica”, mas tampouco o ativo parece excessivamente caro.

O ponto-chave será acompanhar:

  • Evolução da inadimplência nos próximos trimestres

  • Reposição do índice de cobertura

  • Crescimento real da carteira

  • Sustentabilidade do ROE

Em um cenário de melhora estrutural, há espaço para reprecificação. Caso contrário, o papel pode continuar negociando com desconto em relação aos pares privados.

O resultado mostrou força no lucro, mas reforçou que investir em Banco do Brasil exige análise cuidadosa da qualidade dos números — e não apenas do headline.

Para o investidor de longo prazo, a decisão não está no movimento de amanhã, mas na capacidade do banco de sustentar rentabilidade com prudência em um ciclo econômico ainda desafiador.

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Suzana Mello

    Suzana Mello integra a equipe de conteúdo da A Revista. Acompanha economia, finanças pessoais, quanto rende e temas que afetam o orçamento do leitor. Produz textos em linguagem acessível, identifica fontes e períodos de referência e diferencia dados confirmados de estimativas.

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