Em um cenário de Ibovespa renovando máximas e investidores inseguros sobre novos aportes em renda variável, o Banco ABC Brasil (ABCB4) surge como um dos casos que mais geram dúvidas. As ações acumulam valorização próxima de 30% nos últimos 12 meses, saindo da faixa de R$ 21–22 para o patamar atual ao redor de R$ 26–27.
A pergunta que domina o mercado é direta: o papel ficou caro demais ou ainda há espaço para crescimento?
Mesmo com a alta recente, analistas seguem otimistas. A Banco do Brasil Investimentos mantém recomendação de compra, com preço-alvo de R$ 30 para 2026, sustentado por fundamentos sólidos, projeções de lucro crescentes e dividendos atrativos.
Resultados do 4T25 reforçam a tese de solidez
O Banco ABC encerrou 2025 com números que ajudam a explicar o otimismo do mercado:
Lucro líquido do 4T25: R$ 275 milhões, alta de 13% em relação ao mesmo período do ano anterior
Lucro acumulado em 2025: cerca de R$ 1 bilhão, um recorde histórico para a instituição
ROE no 4T25: aproximadamente 16%, patamar considerado saudável para o setor financeiro
Apesar do crescimento consistente, o banco mantém um perfil mais conservador e previsível, com evolução de resultados mais gradual quando comparado a bancos que adotam estratégias mais agressivas.
Crescimento contido explica parte do ceticismo
Um dos principais pontos de debate é que, embora a cotação tenha avançado forte, o lucro por ação permaneceu relativamente estável, girando em torno de R$ 4,26 a R$ 4,29 nos últimos exercícios.
Isso elevou o múltiplo P/L para cerca de 6,2, ainda considerado aceitável e abaixo da média de vários bancos, mas superior ao observado pelo próprio Banco ABC em anos anteriores.
Esse descompasso entre preço e crescimento do lucro levanta dúvidas sobre até onde a valorização pode ir no curto prazo.
Dividendos elevados reforçam o apelo da ação
Mesmo com esse cenário, o Banco ABC segue chamando atenção pela remuneração ao acionista.
Em 2025, houve uma distorção positiva nos dividendos devido a eventos não recorrentes, incluindo ajustes tributários. Ainda assim, ao analisar uma média mais estrutural, o banco apresenta um histórico de pagamentos crescentes, normalmente com duas distribuições por ano.
Estimativas indicam que:
O dividend yield atual se aproxima de 10%, mesmo com a ação negociada acima de R$ 26
Em projeções mais longas, o yield pode alcançar 11% a quase 12% até 2028, considerando crescimento de lucro e manutenção da política de distribuição
Isso significa que, mesmo comprando a ação em níveis mais altos, o investidor pode construir um yield on cost elevado ao longo do tempo.
Inadimplência mínima e carteira de crédito bem protegida
Outro ponto-chave da tese é a qualidade do crédito. O Banco ABC é um banco 100% корпоративo, focado em empresas, com forte presença nos segmentos:
Agronegócio
Energia
Serviços
Comércio
Dentro da carteira, o destaque está no segmento middle market, com empresas de faturamento anual entre R$ 30 milhões e R$ 300 milhões. Nesse grupo, o banco exige níveis elevados de garantias, com cerca de 40% de colateral, o que reduz drasticamente o risco.
O resultado é claro:
Inadimplência (NPL) abaixo de 1%
NPL de apenas 0,5% no 4T25, com saldo em atraso em queda
Em um ambiente de juros ainda elevados, esse nível de controle é um diferencial relevante frente a outros bancos empresariais.
Selic em queda pode destravar nova fase de crescimento
O mercado precifica que a forte valorização recente não reflete apenas o passado, mas sim expectativas para os próximos anos.
Com a perspectiva de queda da Selic, o Banco ABC tende a:
Expandir a carteira de crédito com mais segurança
Aumentar exposição ao middle market, segmento que oferece spreads maiores
Elevar margens de lucro, hoje pressionadas por um ambiente mais defensivo
Projeções de mercado apontam para um lucro líquido que pode sair de R$ 1 bilhão em 2025 para algo entre R$ 1,15 bilhão e R$ 1,2 bilhão até 2027/2028.
Valuation segue descontado frente aos pares
Mesmo após a alta:
Preço/Lucro: em torno de 6x
Preço/Valor Patrimonial: abaixo de 1x, próximo de 0,8
Esses números indicam que, comparado a outros bancos listados, o Banco ABC ainda negocia com desconto relevante, o que ajuda a sustentar o preço-alvo mais elevado no médio prazo.
Desempenho histórico impressiona no longo prazo
O histórico reforça a confiança de parte do mercado:
Rentabilidade acumulada em 10 anos: cerca de 494%
Superou indicadores como Ibovespa, IFNC, CDI e IMA-B
Esse desempenho ajuda a explicar por que o banco passou a ser negociado com múltiplos mais altos, mesmo mantendo uma estratégia conservadora.
Vale investir agora ou esperar correção?
O dilema permanece. Para investidores muito ancorados em preços passados, o patamar atual pode parecer elevado. Por outro lado, olhando de agora para frente, o preço atual já embute um cenário de:
Selic em queda
Lucros em aceleração
Dividendos elevados e crescentes
Nesse contexto, o consenso de mercado é que R$ 26–27 não representa um preço excessivo, considerando as projeções. Ainda assim, o papel pode enfrentar volatilidade caso haja correções no mercado como um todo.
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