O ano de 2026 começa cercado por dois vetores que costumam mexer fortemente com o mercado acionário brasileiro: o ambiente eleitoral, historicamente marcado por volatilidade, e a expectativa de consolidação de um ciclo de queda da taxa Selic. Esse segundo fator tende a ser decisivo para empresas diretamente ligadas ao mercado de capitais — como a B3.
Com juros mais baixos, o custo de capital das empresas diminui, o valuation se torna mais atrativo e a migração de recursos da renda fixa para a renda variável tende a ganhar força. Nesse contexto, a B3 aparece como uma das principais beneficiárias estruturais desse movimento.
Estrutura financeira sólida reforça o case
A B3 apresenta uma estrutura de capital considerada defensiva e eficiente. A companhia encerra o período recente com cerca de R$ 15,7 bilhões em caixa, frente a uma dívida bruta aproximada de R$ 14,2 bilhões, o que resulta em dívida líquida negativa.
Esse perfil permite à empresa rentabilizar o caixa em aplicações financeiras, reforçando o resultado financeiro, ao mesmo tempo em que utiliza a dívida como instrumento de otimização fiscal, abatendo despesas financeiras do imposto devido. O resultado é uma companhia com baixo risco financeiro e elevada previsibilidade operacional.
Modelo de negócios concentrado em margens elevadas
A receita da B3 é majoritariamente gerada por:
Negociação e pós-negociação em renda variável
Derivativos e renda fixa
Empréstimo de ativos
Soluções tecnológicas, dados e plataformas para o mercado financeiro
Mesmo com o mercado acionário andando de lado nos últimos anos, a companhia manteve receita anual próxima de R$ 9 a R$ 10 bilhões, com margem EBITDA ao redor de 62% e margem líquida próxima de 44%. O lucro líquido anual gira em torno de R$ 5 bilhões, com ROE entre 24% e 25%, patamar elevado mesmo para padrões internacionais.
Lucro estagnado e ação lateral criam oportunidade
Apesar da qualidade operacional, o lucro da B3 permaneceu praticamente estável desde 2020. O mesmo ocorreu com o preço das ações, que seguem andando de lado há vários anos. Esse descolamento entre fundamentos e cotação abre espaço para um cenário clássico de acumulação em períodos de lateralização, especialmente quando há gatilhos claros de mudança à frente.
Recompra de ações vira o principal “dividendo oculto”
Embora o dividend yield tradicional da B3 esteja em torno de 2% ao ano, a principal forma de remuneração ao acionista vem da recompra de ações.
Nos últimos anos, a companhia distribuiu mais de 100% do lucro líquido, combinando dividendos, juros sobre capital próprio e recompra de papéis. Para 2026, o payout projetado sobe para a faixa de 110% a 130%, com cerca de R$ 2 bilhões previstos em proventos.
Além disso, está em vigor um programa de recompra de até 230 milhões de ações, reduzindo o número de papéis em circulação e elevando o lucro por ação de forma estrutural — um mecanismo que tende a beneficiar investidores de longo prazo.
Valuation abaixo da média histórica e dos pares globais
Sob a ótica de valuation, a B3 negocia com desconto relevante:
P/L em torno de 14,8 vezes, abaixo da média histórica de aproximadamente 19 vezes
EV/EBIT próximo de 11 vezes, contra média histórica ao redor de 15 vezes
Na comparação internacional, bolsas globais como CME e S&P Global negociam entre 26x e 29x lucro, enquanto a B3 apresenta expectativa de crescimento na casa de 12% ao ano, com múltiplos bem mais baixos.
Gatilhos que podem destravar valor em 2026
Alguns fatores podem funcionar como catalisadores relevantes para a ação:
Queda consistente da Selic, estimulando maior volume negociado
Retorno do fluxo estrangeiro para renda variável brasileira
Baixa penetração de investidores em bolsa no Brasil, hoje em torno de 2% da população
Possível retomada dos IPOs, com cerca de 54 empresas prontas para abrir capital
Expansão de produtos em derivativos, dados, tecnologia e ativos digitais
Cada novo IPO, aumento de liquidez ou crescimento no volume negociado impacta diretamente as receitas da companhia.
Preço justo indica potencial, mas estratégia exige realismo
As estimativas de preço justo para a B3 em 2026 variam entre R$ 16 e R$ 19, o que representa um potencial de valorização entre 20% e 30% frente aos níveis atuais. Para que o preço da ação dobre apenas via valorização, seria necessário um movimento até a faixa de R$ 20 a R$ 22, cenário considerado mais agressivo no curto prazo.
A estratégia de “dobrar o patrimônio”, portanto, depende da combinação entre valorização moderada, reinvestimento de proventos e efeito acumulativo da recompra de ações ao longo do tempo.
B3SA3 combina defesa e assimetria para 2026
A B3 reúne características raras no mercado brasileiro: margens elevadas, baixo risco financeiro, geração de caixa previsível e múltiplos descontados. Com a virada do ciclo de juros e a possível reativação do mercado de capitais, a empresa pode finalmente destravar valor após anos de estagnação.
Para 2026, B3SA3 se posiciona como uma ação capaz de capturar ganhos estruturais do mercado, com potencial de valorização relevante e forte retorno indireto ao acionista via recompra — um case que volta ao radar justamente quando o mercado começa a olhar para frente.
Quer saber tudo
o que está acontecendo?
Receba todas as notícias da A Revista no seu WhatsApp.
Entre em nosso grupo e fique bem informado.






