A AZZA3, ação da Azzas 2154, voltou a chamar atenção dos investidores depois de uma forte desvalorização na Bolsa. A companhia nasceu da fusão entre Arezzo&Co e Grupo Soma, concluída em 2024, e passou a reunir um dos maiores portfólios de moda, calçados e vestuário do Brasil. Desde então, o papel passou a ser negociado na B3 sob o ticker AZZA3.
O interesse recente não vem apenas da queda do papel. A discussão gira em torno de uma pergunta simples: uma empresa que controla marcas como Arezzo, Schutz, Anacapri, Alexandre Birman, Vans, Farm Rio, Animale, Maria Filó, Cris Barros, Hering, Reserva, Oficina e Foxton está sendo negociada abaixo do seu potencial?
Segundo dados de mercado consultados em 7 de julho de 2026, AZZA3 era negociada perto de R$ 18, após ter atingido patamares bem superiores nos últimos 12 meses. Indicadores de plataformas de mercado apontavam valor de mercado na casa de R$ 3,5 bilhões, P/L próximo de 4,35, P/VP ao redor de 0,45 e dívida líquida/Ebitda de aproximadamente 2,14 vezes.
O que sustenta a tese de valor em AZZA3
A tese positiva para AZZA3 parte do tamanho do grupo. No primeiro trimestre de 2025, a Azzas 2154 reportou receita bruta de R$ 3,26 bilhões, alta de 16,1% na comparação anual, enquanto o Ebitda recorrente chegou a R$ 427,7 milhões, avanço de 23,3%. O lucro líquido do período foi de R$ 117,7 milhões.
Na prática, a companhia combina negócios de calçados, acessórios, vestuário feminino, vestuário masculino e moda mais democrática, com presença em lojas próprias, franquias, multimarcas, digital e expansão internacional. A operação internacional também apareceu como destaque no 1T25, com crescimento de 29,3% em marcas como Arezzo, Schutz e Alexandre Birman, segundo o release de resultados.
| Indicador recente | Dado aproximado |
|---|---|
| Cotação em 07/07/2026 | R$ 18,09 |
| Valor de mercado | R$ 3,5 bilhões |
| P/L | 4,35 |
| P/VP | 0,45 |
| Dívida líquida/Ebitda | 2,14x |
| Receita bruta no 1T25 | R$ 3,26 bilhões |
| Ebitda recorrente no 1T25 | R$ 427,7 milhões |
| Lucro líquido no 1T25 | R$ 117,7 milhões |
Hering e Reserva ajudam na comparação
Um dos pontos mais citados por investidores é o valor pago por ativos relevantes do grupo. A Reserva foi comprada pela antiga Arezzo&Co por cerca de R$ 715 milhões, enquanto a Hering foi adquirida pelo Grupo Soma em uma operação de aproximadamente R$ 5,1 bilhões. A leitura de parte do mercado é que, com AZZA3 valendo menos do que já valeu, o investidor estaria pagando um preço menor por um conjunto amplo de marcas.
Essa comparação, porém, exige cautela. O valor pago em uma aquisição não garante que o ativo mantenha o mesmo valor de mercado no futuro. Integração, endividamento, sinergias, consumo fraco e queda de margem podem mudar completamente a percepção do investidor.
Descontinuação de marcas mostra desafio da fusão
O ponto de atenção está justamente na complexidade da integração. Em dezembro de 2024, a Azzas 2154 anunciou a descontinuação de marcas como Alme, Dzarm, Reversa e Simples, além da análise de alternativas estratégicas para marcas como BAW, Paris Texas e TROC. O impacto estimado envolvia cerca de R$ 411 milhões em faturamento bruto, equivalente a aproximadamente 3% da receita da companhia.
A decisão foi vista como tentativa de simplificar o portfólio, reduzir distrações e concentrar capital nas marcas com maior retorno. Ao mesmo tempo, mostrou que a fusão entre Arezzo e Soma não era apenas uma soma de receitas. Havia sobreposição, marcas menos rentáveis e ajustes operacionais relevantes.

AZZA3 está barata ou ainda tem risco?
AZZA3 pode parecer descontada pelos múltiplos atuais, mas a ação ainda carrega riscos importantes. O varejo de moda depende de renda, crédito, fluxo em shopping, controle de estoque e força de marca. Além disso, a companhia precisa provar que consegue transformar escala em margem e caixa de forma consistente.
Para o investidor, o ponto central é acompanhar três fatores: evolução da dívida, melhora de rentabilidade e captura real de sinergias. Se a integração avançar bem, o portfólio de marcas pode sustentar uma reavaliação positiva. Se os custos e ajustes continuarem pesando, a ação pode seguir pressionada mesmo parecendo barata nos indicadores.
Por isso, AZZA3 voltou ao radar não apenas pela queda, mas pela combinação entre preço baixo, marcas conhecidas e uma fusão que ainda precisa entregar todo o potencial prometido. A ação chama atenção, mas exige análise cuidadosa e não deve ser tratada como recomendação automática de compra.
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