A Axia Energia (AXIA3), antiga Eletrobras, voltou ao radar dos investidores após apresentar resultados financeiros robustos e acelerar sua transformação operacional depois da privatização. A companhia passou oficialmente por um processo de rebranding em novembro de 2025, abandonando o nome Eletrobras e adotando a marca Axia Energia.
A mudança marcou uma nova etapa da empresa, que tenta deixar para trás o histórico de burocracia, lentidão operacional e interferências políticas que marcaram décadas sob controle estatal.
Hoje, a companhia é considerada a maior empresa de energia elétrica do hemisfério sul, com cerca de 44 GW de capacidade instalada de geração e aproximadamente 74 mil quilômetros de linhas de transmissão espalhadas pelo Brasil.
Além disso, a Axia segue sendo estratégica para o país por sua participação relevante no Sistema Interligado Nacional e na Itaipu Binacional.
Lucro da AXIA3 dispara mais de 136% no 4T25
Os números mais recentes reforçaram a melhora operacional da companhia. No quarto trimestre de 2025, a Axia registrou lucro líquido ajustado de R$ 2,6 bilhões, crescimento de aproximadamente 136,7% em relação ao mesmo período do ano anterior.
O EBITDA ajustado somou R$ 5,7 bilhões, com alta de 12,9%, enquanto a receita operacional líquida ficou em R$ 9,9 bilhões, apesar de uma leve queda de 5,5% na comparação anual.
Segundo analistas, o avanço do lucro ocorreu principalmente por causa da redução de despesas operacionais, menores gastos com compra de energia, queda das provisões e melhora na eficiência da gestão.
Principais números da AXIA3 no 4T25
| Indicador | Resultado |
|---|---|
| Lucro líquido ajustado | R$ 2,6 bilhões |
| Crescimento do lucro | +136,7% |
| EBITDA ajustado | R$ 5,7 bilhões |
| Crescimento do EBITDA | +12,9% |
| Receita operacional líquida | R$ 9,9 bilhões |
| Dividendos distribuídos em 2025 | R$ 8,3 bilhões |
Corte agressivo de despesas melhora eficiência da empresa
Um dos pontos mais observados pelo mercado foi a forte redução de custos promovida pela companhia após a privatização.
As despesas administrativas ligadas a PMSO (Pessoal, Material, Serviços e Outros) registraram queda relevante, enquanto os gastos relacionados à compra e transporte de energia também diminuíram significativamente.
A melhora operacional fez a margem EBITDA subir para cerca de 57%, indicador considerado elevado para empresas do setor elétrico.
Na prática, isso significa que a empresa está conseguindo transformar uma parcela maior de sua receita em resultado operacional, algo muito valorizado por investidores institucionais.
Analistas destacam que essa melhora reforça o impacto da gestão privada na companhia, principalmente no controle de despesas e otimização de processos internos.
Dividendos bilionários colocam AXIA3 entre destaques da Bolsa
Outro fator que chamou atenção dos investidores foi o volume elevado de dividendos pagos pela companhia.
Ao longo de 2025, a Axia distribuiu aproximadamente R$ 8,3 bilhões em dividendos aos acionistas.
Somente no terceiro trimestre do ano passado, a empresa anunciou R$ 4,3 bilhões em proventos intermediários.
O mercado também acompanha projeções mais otimistas para os próximos anos. Segundo estimativas citadas por analistas do setor, os dividendos totais podem alcançar R$ 11,4 bilhões em 2026, impulsionados pela expectativa de preços mais altos da energia no mercado livre.
Dividendos e indicadores da AXIA3
| Indicador | Valor |
|---|---|
| Dividendos pagos em 2025 | R$ 8,3 bilhões |
| DY estimado 2026-2028 | Cerca de 9% |
| Dividend Yield últimos 12 meses | 5,86% |
| Último dividendo registrado | R$ 1,89 por ação |
Migração para o Novo Mercado fortalece governança
Em abril de 2026, a Axia aprovou sua migração para o Novo Mercado da B3, segmento que reúne empresas com os mais elevados padrões de governança corporativa.
Com isso, as ações preferenciais passaram por conversão na proporção de 1 para 1 em ações ordinárias, unificando direitos políticos e econômicos entre os acionistas.
O movimento foi bem recebido pelo mercado, já que tende a aumentar liquidez das ações, melhorar percepção de governança e atrair novos investidores institucionais.
Risco político ainda continua no radar dos investidores
Apesar da melhora operacional, muitos investidores ainda acompanham com cautela o risco político envolvendo a companhia.
Mesmo após a privatização, o governo federal continua sendo acionista relevante e possui influência em decisões estratégicas da empresa.
Além disso, a companhia atua em um setor considerado extremamente estratégico para o país, o que naturalmente mantém a empresa exposta a debates políticos sobre tarifas de energia, investimentos em infraestrutura e políticas públicas.
O tema ganhou ainda mais atenção após discussões envolvendo questionamentos jurídicos sobre a privatização da antiga Eletrobras nos últimos anos.
AXIA3 acumula forte valorização na Bolsa em 2026
As ações da Axia também tiveram forte desempenho recente no mercado.
Segundo plataformas financeiras, os papéis acumulam valorização superior a 90% em 12 meses, refletindo a melhora operacional da companhia, expectativa de dividendos elevados e avanço na governança corporativa.
Nesta quinta-feira, os papéis da companhia operavam próximos da faixa entre R$ 61 e R$ 62 na B3.
Desempenho recente das ações AXIA3
| Indicador | Resultado |
|---|---|
| Cotação recente | Cerca de R$ 61 |
| Valorização em 12 meses | Acima de 90% |
| DY atual | Entre 5% e 9% |
| Recomendação de parte do mercado | Compra |
Mercado acompanha próximos resultados da companhia
Os investidores agora aguardam os próximos balanços para avaliar se a companhia conseguirá manter o ritmo de crescimento operacional e geração de caixa.
O mercado também acompanha fatores importantes como evolução da dívida líquida, expansão dos investimentos em transmissão, preços da energia elétrica e cenário macroeconômico brasileiro.
Mesmo com os riscos políticos ainda presentes, a Axia passa a ser vista por parte do mercado como uma das empresas mais relevantes do setor elétrico brasileiro no pós-privatização.
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