As ações da Americanas (AMER3) acumulam uma das maiores destruições de valor da história do mercado brasileiro. Após o escândalo contábil revelado em janeiro de 2023, a empresa mergulhou em uma crise sem precedentes, que eliminou mais de R$ 110 bilhões em valor de mercado. Em quatro anos, os papéis despencaram cerca de 99,2%, saindo de R$ 125 em 2020 para menos de R$ 1 atualmente.
O caso veio à tona após o então presidente Sérgio Rial identificar inconsistências de R$ 20 bilhões nas contas da companhia — um rombo que redefiniu a confiança dos investidores no setor de varejo e abalou todo o mercado financeiro nacional.
Resultados mostram cenário ainda mais grave
No balanço mais recente, referente a 2023, a Americanas registrou prejuízo líquido de R$ 4,6 bilhões, após já ter apresentado perda de R$ 6,6 bilhões em 2022. O patrimônio líquido segue negativo, agora na casa dos R$ 31 bilhões, indicando que as obrigações da companhia superam amplamente seus ativos.
A receita consolidada também desabou: houve uma queda de 45% no faturamento, resultado da forte retração nas vendas tanto físicas quanto digitais. O GMV (volume bruto de mercadorias) no e-commerce caiu 77,1%, reflexo direto da perda de confiança dos consumidores e vendedores na plataforma online, após o escândalo e as incertezas sobre entregas e pagamentos.
Fechamento de lojas e corte de custos não bastam
Em meio à crise, a Americanas encerrou 99 lojas físicas no último ano, alegando falta de rentabilidade. As despesas administrativas e de marketing continuam elevadas, consumindo todo o lucro bruto e deixando a companhia com prejuízo operacional antes mesmo dos juros e impostos.
Mesmo com pequenas reduções em custos de mercadorias e despesas financeiras, o fluxo de caixa segue comprometido. A dívida total supera R$ 8,3 bilhões, enquanto o caixa disponível é inferior a R$ 3,5 bilhões, revelando um descompasso preocupante na estrutura de capital.
Sem aportes dos controladores e com risco extremo
Até o momento, os principais acionistas — Jorge Paulo Lemann, Marcel Telles e Beto Sicupira — não realizaram aportes significativos para salvar a empresa. Sem injeção de capital, o risco de insolvência permanece elevado, e o mercado trata AMER3 como uma ação altamente especulativa, sujeita a oscilações bruscas e possível desvalorização total.
Para investidores, o alerta é claro: Americanas deixou de ser uma aposta de recuperação e se tornou um caso de risco extremo. O papel pode servir apenas para quem busca especulação de curtíssimo prazo e aceita a possibilidade de perder 100% do capital investido.
Vale a pena comprar Americanas (AMER3)?
A resposta mais prudente é não.
A Americanas enfrenta um conjunto de desafios estruturais — endividamento alto, prejuízos bilionários, confiança abalada e ausência de suporte financeiro dos controladores. Enquanto não houver uma reestruturação profunda com capital novo e resultados consistentes, o investimento em AMER3 continua sendo altamente arriscado.
Para quem deseja se expor a ações do varejo, o momento favorece empresas mais sólidas, com geração de caixa positiva e governança comprovada — o oposto do que a Americanas apresenta atualmente.
Quer saber tudo
o que está acontecendo?
Receba todas as notícias da A Revista no seu WhatsApp.
Entre em nosso grupo e fique bem informado.






