A Eletrobras, que recentemente passou a se chamar Axia Energia, divulgou seus resultados do terceiro trimestre com um prejuízo líquido de R$ 5,4 bilhões, revertendo o lucro de R$ 7 bilhões registrado no mesmo período de 2024. Apesar dos números aparentemente negativos, as ações da companhia subiram cerca de 3% após a divulgação do balanço. Mas afinal, o que explica essa reação positiva do mercado?
O que está por trás do prejuízo bilionário
De acordo com análise divulgada pela Suno Research, o prejuízo foi influenciado por um efeito contábil não recorrente: a baixa relacionada à venda da Eletronuclear para o grupo J&F, dos irmãos Batista. No balanço patrimonial, o ativo estava registrado com um valor superior ao da venda, o que gerou uma perda contábil de R$ 6,8 bilhões.
Contudo, esse impacto não teve efeito caixa, ou seja, não afetou o dinheiro efetivamente disponível da empresa. Ao desconsiderar essa baixa contábil, o resultado ajustado da Eletrobras aponta um lucro recorrente de R$ 1,8 bilhão sinal de eficiência operacional e boa gestão.
Geração de caixa sólida e gestão eficiente
Mesmo com o resultado negativo no papel, a Eletrobras apresentou um fluxo de caixa livre de R$ 3,5 bilhões, equivalente a 10% do valor de mercado da empresa. Isso significa que, mantido o ritmo atual, a companhia seria capaz de gerar em 10 anos o equivalente ao seu valor total de mercado.
Segundo analistas, isso demonstra força financeira e capacidade de investimento, fatores que o mercado valorizou imediatamente.
Dividendos e valorização das ações
Outro ponto que animou os investidores foi a robusta distribuição de dividendos. A Eletrobras anunciou o pagamento de R$ 4,3 bilhões, o equivalente a R$ 2,80 por ação, com data de corte em 14 de novembro e pagamento previsto para 19 de dezembro de 2025. Somando as distribuições anteriores, o total de dividendos pagos neste ano chega a R$ 8,3 bilhões, o que representa um dividend yield de 6,6% com base na cotação atual.
Além dos dividendos, as ações da Eletrobras acumulam valorização superior a 60% em 2025, reforçando o otimismo dos investidores após o processo de privatização e reestruturação de capital.
Estratégia: desinvestimentos e foco em eficiência
Desde a privatização, a Eletrobras vem adotando uma estratégia agressiva de desinvestimentos em ativos não estratégicos, priorizando projetos com maior retorno sobre o capital investido. A companhia vendeu participações em empresas nas quais não possuía controle, além de alienar usinas de geração não renovável.
Por outro lado, a empresa também tem expandido sua atuação em transmissão de energia, sendo uma das vencedoras nos mais recentes leilões do setor. Essa mudança de portfólio reflete uma política de alocação de capital mais eficiente e voltada à sustentabilidade.
O olhar do investidor
Especialistas apontam que o caso da Eletrobras evidencia a importância de olhar além das manchetes. O resultado contábil negativo mascarou indicadores financeiros sólidos, como o crescimento do fluxo de caixa e o aumento da rentabilidade recorrente.
Para investidores de longo prazo e focados em dividendos, a Eletrobras aparece cada vez mais como uma empresa eficiente, lucrativa e em transformação, consolidando-se como um dos principais players do setor elétrico brasileiro.
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