Com o cenário econômico ainda desafiador e a expectativa de cortes na taxa de juros, investidores estão atentos a oportunidades de valorização em empresas com fundamentos sólidos. Em meio às oscilações do mercado, quatro ações se destacam por estarem com preços atrativos, boa gestão e distribuição de dividendos consistentes: Kepler Weber (KEPL3), Mitre Realty (MTRE3), Brisanet (BRIT3) e Lopes Brasil (LPSB3).
Kepler Weber: eficiência e caixa robusto no agronegócio
A Kepler Weber, empresa líder em soluções para armazenagem de grãos e projetos agrícolas, apresenta uma das cotações mais baixas do último ano, sendo negociada em torno de R$ 7,11.
Mesmo em um ambiente de juros altos e queda nos preços das commodities, a companhia mantém margens operacionais saudáveis com EBITDA entre 12% e 13%, ROI de 20,58% e liquidez corrente de 1,98.
A gestão tem mostrado eficiência em controle de custos, geração de caixa e recompra de ações, além de pagar bons dividendos. O preço justo estimado por analistas varia entre R$ 8,00 e R$ 8,75, reforçando o potencial de valorização para o longo prazo.
Mitre Realty: small cap descontada e com dividendos mensais
A Mitre Empreendimentos é uma construtora focada em imóveis de média e alta renda. Atualmente, a ação está cotada a R$ 3,47, após uma queda de cerca de 18% no último ano.
Apesar do recuo nas vendas líquidas, a empresa registrou crescimento de 85% no volume geral de vendas (VGV), atingindo R$ 831 milhões, e continua expandindo lançamentos, o que mostra confiança na retomada do setor imobiliário.
A Mitre também chama atenção por seu dividend yield de 14,67% nos últimos 12 meses, com pagamentos mensais até dezembro de 2025. O preço justo projetado pelos analistas é de R$ 6,00, e o consenso de mercado aponta para forte potencial de valorização caso o setor reaja à queda dos juros.
Brisanet: crescimento no Nordeste e aposta no 5G
A Brisanet, empresa de telecomunicações com forte atuação no Nordeste, opera com ações a R$ 2,91, bem abaixo do preço de seu IPO (R$ 13,00). A companhia investe pesado em infraestrutura e expansão da rede de fibra óptica e 5G, com CAPEX de R$ 995 milhões em 2024 e projeção de R$ 700 milhões em 2025.
Mesmo com lucros pressionados, a empresa mantém crescimento de clientes e margens estáveis, além de apresentar EBITDA ajustado 43% maior na base trimestral e geração de caixa operacional acima de 100%.
Com o preço justo estimado em torno de R$ 3,80, a Brisanet aparece como uma aposta de médio e longo prazo para investidores que toleram maior risco, considerando o potencial de valorização com a expansão da conectividade regional.
Lopes Brasil: eficiência operacional e caixa forte
Encerrando a lista, a Lopes Brasil, empresa de consultoria imobiliária, tem ações cotadas a R$ 1,24 e figura entre as mais baratas da Bolsa.
Apesar da leve queda de 7% no VGV, a companhia apresentou crescimento de 13% na receita líquida e alta de 63% no lucro líquido no segundo trimestre de 2025. Além disso, o fluxo de caixa operacional saltou 74%, e o saldo de caixa mais que dobrou, ultrapassando R$ 50 milhões.
Com margem líquida de 13,73%, ROI de 11,81% e ausência de dívidas relevantes, a Lopes se mostra financeiramente sólida e preparada para aproveitar uma recuperação do mercado imobiliário, mantendo um potencial expressivo de valorização no médio prazo.
Essas quatro ações representam oportunidades de valor em setores diferentes da economia agronegócio, construção civil, telecomunicações e serviços imobiliários.
Apesar dos riscos inerentes às small caps e aos desafios macroeconômicos, Kepler Weber, Mitre, Brisanet e Lopes Brasil se destacam por fundamentos consistentes, preços descontados e boas perspectivas de valorização com a retomada da economia e o corte nos juros.
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