O Tesouro Direto segue sendo, em 2026, o principal destino de investidores que buscam segurança, previsibilidade e proteção do patrimônio. Com o cenário de juros ainda elevados, mudanças no fluxo de recursos após eventos recentes no sistema financeiro e maior educação do investidor brasileiro, o programa ganhou ainda mais protagonismo.
No entanto, apesar da fama de investimento “sem risco”, o Tesouro Direto pode gerar prejuízos reais quando utilizado de forma inadequada. A seguir, estão os três erros mais comuns — e perigosos — que precisam ser evitados.
1. Ignorar a marcação a mercado e vender antes do vencimento
Este é, disparado, o erro mais frequente entre investidores iniciantes — e também o mais custoso.
O que é a marcação a mercado
Títulos Prefixados e Tesouro IPCA+ não têm preço fixo no dia a dia. Eles oscilam conforme as expectativas do mercado em relação à taxa de juros futura. Quando os juros sobem, o preço desses títulos cai. Quando os juros caem, o preço sobe.
Onde está o erro
Acreditar que, por se tratar de renda fixa, o valor investido estará sempre protegido, independentemente do momento do resgate. Ao vender um título antes do vencimento em um cenário de alta dos juros, o investidor pode receber menos do que aplicou.
Esse risco aumenta de forma significativa em títulos de longo prazo, que apresentam maior sensibilidade às variações da curva de juros.
Como evitar
Casar o prazo do título com o objetivo financeiro
Levar Prefixados e IPCA+ até o vencimento
Utilizar o Tesouro Selic quando houver necessidade de liquidez ou prazo indefinido
O Tesouro Selic praticamente não sofre marcação a mercado e é o instrumento mais indicado para reserva de emergência e objetivos de curto prazo.
2. Escolher títulos com juros semestrais sem necessidade de renda
Títulos com pagamento de juros semestrais costumam chamar atenção por apresentarem taxas aparentes mais altas. No entanto, esse detalhe pode esconder uma armadilha relevante.
O problema dos cupons de juros
Ao receber juros periodicamente, o investidor antecipa o pagamento de imposto de renda sobre parte da rentabilidade. Isso reduz o efeito dos juros compostos ao longo do tempo.
Além disso, cada pagamento semestral exige uma decisão de reinvestimento, que pode ocorrer em um cenário menos favorável de taxas.
Quando esse erro acontece
Quando o investidor não precisa de renda periódica
Quando o objetivo é acumulação patrimonial de médio ou longo prazo
Quando a escolha é feita apenas pela taxa nominal mais alta
Quando faz sentido
Títulos com juros semestrais podem ser adequados para quem busca complementação de renda previsível, especialmente em planejamentos mais curtos ou em fase de usufruto do patrimônio.
Como evitar
Priorizar títulos sem pagamento de cupons para acumulação
Avaliar se a renda periódica é realmente necessária
Entender o impacto do imposto antecipado no longo prazo
3. Usar títulos longos para objetivos de curto ou médio prazo
Outro erro comum é investir em títulos com vencimentos muito longos para objetivos que exigem resgate em poucos anos.
Por que isso é um problema
Quanto maior o prazo do título, maior sua volatilidade. Um Tesouro IPCA+ com vencimento em 2045 ou 2055 pode oscilar fortemente em função de mudanças nas expectativas econômicas, fiscais ou monetárias.
Se o investidor precisar do dinheiro antes do vencimento, ficará totalmente dependente das condições de mercado naquele momento.
Consequências práticas
Risco elevado de prejuízo no resgate antecipado
Exposição desnecessária à volatilidade
Frustração com um investimento que deveria ser conservador
Como evitar
Definir claramente o prazo do objetivo financeiro
Escolher títulos que vencem próximos à data de uso do dinheiro
Para prazos curtos, priorizar Tesouro Selic ou títulos com vencimento próximo
O Tesouro Direto continua sendo um dos instrumentos mais seguros do mercado brasileiro em 2026. Ainda assim, segurança não significa ausência de risco. Os maiores prejuízos nesse tipo de investimento não vêm de crises externas, mas de decisões mal alinhadas entre prazo, objetivo e tipo de título.
Entender a marcação a mercado, respeitar o vencimento dos papéis e escolher a estrutura correta de rentabilidade são passos fundamentais para transformar o Tesouro Direto em um aliado real da construção patrimonial — e não em uma armadilha silenciosa.
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