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Início » Últimas Notícias » Selic congelada expõe dilema do Banco Central e adia alívio nos juros
Dividendos

Selic congelada expõe dilema do Banco Central e adia alívio nos juros

Postura conservadora do Copom, risco fiscal persistente e inflação ainda desancorada explicam por que o corte de juros ficou para depois
Mariana DuartePor Mariana Duarte22 de janeiro de 20263 minutos lidos
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Selic congelada expõe dilema do Banco Central e adia alívio nos juros

Às vésperas de mais uma reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), a decisão do Banco Central de manter a taxa Selic em patamar elevado continua no centro das atenções do mercado. Apesar da pressão crescente por cortes, a autoridade monetária segue cautelosa — e os motivos vão além da inflação corrente.

Segundo análise discutida pela BM&C News, o BC tem adotado uma postura deliberadamente conservadora, focada não apenas no controle da inflação, mas principalmente na reancoragem das expectativas para os próximos anos.

O diagnóstico é claro: sem melhora consistente das expectativas inflacionárias, não há espaço para afrouxamento monetário.

Por que o corte não veio agora?

A expectativa de parte do mercado era de que os juros começassem a cair já no início do ano. No entanto, três fatores pesaram contra essa decisão:

 1. Inflação sem surpresa positiva

  • Os dados mais recentes vieram em linha com as projeções

  • Não houve desaceleração forte o suficiente para justificar cortes imediatos

 2. Atividade econômica resiliente

  • Indicadores não mostraram esfriamento relevante

  • Consumo e mercado de trabalho seguem pressionando preços

 3. Risco fiscal ainda contamina expectativas

  • Incertezas sobre o rumo das contas públicas seguem elevadas

  • Expectativas de inflação seguem acima da meta no médio e longo prazo

Crise bancária afeta a Selic? Não, diz o BC

Apesar da recente liquidação de instituições financeiras, o Banco Central foi categórico ao separar os temas:

  • Sistema financeiro segue sólido e capitalizado

  • Não há necessidade adicional de liquidez

  • Não existe contaminação da política monetária por questões regulatórias

Ou seja, o congelamento da Selic não tem relação direta com problemas bancários, mas sim com o cenário macroeconômico.

Quando os juros podem cair?

A leitura predominante hoje é de que:

  • Janeiro: corte improvável (faltou surpresa positiva)

  • Março: cenário mais realista para início da flexibilização

  • Selic terminal estimada: em torno de 12,5% ao ano

Contudo, esse movimento depende diretamente de uma melhora concreta no fiscal e de sinais mais claros de convergência da inflação para a meta.

Resumo do cenário atual

Fator analisadoSituação atual
InflaçãoEm desaceleração lenta
ExpectativasAinda desancoradas
Atividade econômicaResiliente
FiscalPrincipal risco
Política monetáriaConservadora
Corte de jurosPossível a partir de março

O que o Banco Central não diz claramente

Embora evite declarações diretas, o recado implícito do BC é firme:
sem ajuste fiscal crível, o ciclo de queda da Selic será limitado e mais lento.

Isso significa que, mesmo quando os cortes começarem, eles devem ocorrer de forma gradual, frustrando expectativas mais otimistas do mercado.

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Mariana Duarte
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Mariana Duarte é jornalista formada pela Universidade Federal da Bahia (UFBA), com mais de 10 anos de experiência em redações de portais nacionais e especialização em jornalismo digital. Na A Revista, acompanha economia, empresas, mercados e tecnologia ligada a negócios. Trabalha com linguagem acessível, atribuição de fontes e verificação de dados e documentos.

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