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Ações

3 ações que parecem baratas — mas escondem riscos que o mercado ignora

Quedas fortes, alto endividamento e risco-retorno desfavorável explicam por que Raízen, Auren e Taesa não animam no preço atual.
Felipe AndradePor Felipe Andrade15 de dezembro de 20254 minutos lidos
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No mercado financeiro, uma das armadilhas mais comuns para o investidor é confundir preço baixo com empresa barata. Uma ação pode custar centavos e ainda assim carregar riscos enorm+3es, enquanto outra, cotada a dezenas de reais, pode estar mais atrativa do ponto de vista fundamentalista.

Neste contexto, três ações bastante comentadas chamam atenção — não por oportunidades, mas pelos alertas que acendem quando analisamos fundamentos, endividamento e perspectiva de retorno. São elas: Raízen, Auren Energia e Taesa.

Raízen: cotação baixa não significa barganha

A Raízen é um exemplo clássico de destruição de valor ao acionista. Desde o IPO, a ação acumula uma queda próxima de 85%, e apenas nos últimos 12 meses a desvalorização gira em torno de 65%, enquanto o mercado como um todo avançou significativamente no mesmo período.

O principal problema está nos fundamentos:

  • Lucros em forte deterioração, com prejuízos bilionários recorrentes

  • Endividamento líquido em torno de R$ 53 bilhões, crescendo rapidamente

  • Alavancagem elevada, acima de 5x

  • Despesa financeira anual estimada entre R$ 7 e R$ 8 bilhões, praticamente consumindo toda a geração de caixa operacional

Mesmo com a venda de ativos pontuais, os valores levantados são insuficientes para aliviar a estrutura de capital. Em um ambiente de juros elevados, a empresa segue altamente pressionada, sem sinais claros de reversão no curto ou médio prazo.

Outro ponto importante: apesar da cotação próxima de R$ 0,80, a Raízen ainda carrega valor de mercado bilionário, o que desmonta a tese de “empresa barata” baseada apenas no preço da ação.

Auren Energia: dívida alta e retorno pouco atrativo

A Auren Energia também aparece frequentemente nas carteiras de investidores, mas os números pedem cautela. Desde 2021, a ação acumula forte desvalorização, reflexo de um balanço pressionado e resultados fracos.

Os principais pontos de atenção são:

  • Prejuízo acumulado de cerca de R$ 1,3 bilhão nos últimos 12 meses

  • Endividamento líquido próximo de R$ 19 bilhões

  • Alavancagem elevada, ao redor de 4,9x

  • EV/EBITDA na casa de 11,5x, entre os mais caros do setor elétrico

Mesmo com a expectativa de queda da Selic, o impacto positivo para a Auren tende a ser limitado, já que a redução de juros beneficia apenas a despesa financeira, sem impulsionar significativamente a receita operacional.

Além disso, a perspectiva de dividendos é baixa ou praticamente nula nos próximos anos, o que reduz ainda mais a atratividade frente a empresas do setor com balanços mais saudáveis e proventos recorrentes.

Taesa: empresa excelente, preço pouco convidativo

A Taesa é amplamente reconhecida como uma empresa de alta qualidade operacional. O problema aqui não está na companhia, mas no preço atual da ação, que subiu para acima de R$ 40, esticando os múltiplos.

Alguns fatores pesam contra no momento:

  • Perda estimada de cerca de 34% da receita até 2031, devido ao vencimento de concessões relevantes

  • Necessidade de investimentos bilionários apenas para manter o nível atual de receita

  • Alavancagem elevada, com tendência de crescimento

  • Dividend yield atual inflado por payout de 100%, algo difícil de sustentar em um cenário de juros altos

Hoje, o retorno esperado da Taesa gira em torno de inflação + 4,6% ao ano, enquanto títulos públicos oferecem retornos superiores, com risco significativamente menor. Isso compromete a relação risco-retorno do papel no preço atual.

Caso o payout seja ajustado no futuro, o dividend yield pode cair para níveis bem menos atrativos, o que tende a pressionar a cotação.

Um sinal adicional de alerta: ações entre as mais vendidas da bolsa

Outro dado que chama atenção é que Raízen, Auren e Taesa estão entre as ações mais vendidas a descoberto do mercado, com percentuais elevados do free float em posições vendidas. Isso reflete um sentimento negativo persistente, ainda que não seja garantia de novas quedas.

Esse movimento reforça a cautela: investidores institucionais enxergam riscos relevantes nessas empresas no cenário atual.


Conclusão: qualidade não compensa preço errado

O ponto central não é dizer que essas empresas são ruins. Pelo contrário, Taesa e Auren têm ativos de qualidade, e a Raízen opera em um setor relevante. O problema está na combinação de preço elevado, endividamento alto, crescimento limitado e retorno pouco atrativo.

Em um mercado que oferece alternativas com:

  • balanços mais sólidos,

  • menor alavancagem,

  • dividendos consistentes,

  • e melhor relação risco-retorno,

não faz sentido se expor a teses cheias de desafios apenas porque “todo mundo está falando” ou porque a cotação parece baixa.

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Felipe Andrade
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Felipe Andrade é analista de investimentos e colunista de mercado, com experiência em renda variável e mercados globais. Na A Revista, acompanha ações, empresas, petróleo, energia, commodities e mercados internacionais. Analisa resultados e documentos das companhias, contextualiza riscos e diferencia dados de expectativas.

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