O Banco do Brasil voltou a chamar atenção dos investidores após uma recuperação expressiva das ações BBAS3, mas a melhora das cotações ainda não convenceu parte dos analistas. O Bank of America manteve recomendação de venda para os papéis e reduziu seu preço-alvo de R$ 21 para R$ 20, colocando novamente os riscos da carteira de crédito no centro da discussão.
O alerta ocorre justamente depois de BBAS3 reagir com força na Bolsa. No início de setembro, a ação chegou a acumular valorização de 7,55% no mês e voltou ao campo positivo no ano, após encontrar suporte próximo de R$ 17,67.

A recuperação, entretanto, não elimina os problemas que pressionam os resultados do banco.
BofA vê lucro abaixo da projeção do Banco do Brasil
Um dos principais pontos de preocupação do Bank of America está na capacidade de recuperação do lucro.
O Banco do Brasil trabalha com projeção de lucro líquido ajustado entre R$ 18 bilhões e R$ 22 bilhões em 2026. O BofA, porém, estima aproximadamente R$ 17,6 bilhões, abaixo até mesmo do piso previsto pela instituição.
A avaliação mais conservadora está associada principalmente ao custo do crédito e ao avanço da inadimplência.
No segundo trimestre, o Banco do Brasil apresentou lucro líquido ajustado de R$ 3,9 bilhões, crescimento de 13,9% sobre o trimestre anterior e de 3,3% na comparação anual.
Apesar da melhora do resultado, o retorno sobre o patrimônio líquido ficou em 8,3%, nível ainda pressionado quando comparado a períodos de maior rentabilidade do banco.
Inadimplência de 5,61% preocupa investidores
O indicador de inadimplência acima de 90 dias avançou para 5,61% em junho, ante 5,05% em março.
Ao mesmo tempo, a carteira de crédito expandida ultrapassou R$ 1,3 trilhão, enquanto o custo do crédito chegou a R$ 18,5 bilhões somente no segundo trimestre.
O problema não está limitado ao agronegócio.
A deterioração do crédito de pessoas físicas também ganhou importância nas análises, ampliando a percepção de que a recuperação dos indicadores pode levar mais tempo.
A XP, por exemplo, mantém recomendação neutra para BBAS3 e preço-alvo de R$ 21, também destacando riscos relacionados à qualidade dos ativos.
BBAS3 ainda está barata?
O movimento recente da ação tornou a discussão sobre valuation mais complexa.
Por um lado, o Banco do Brasil continua negociando com desconto em relação ao patrimônio, característica que historicamente atrai investidores interessados em bancos e dividendos.
Por outro, uma ação aparentemente barata pode permanecer descontada enquanto o mercado enxergar riscos de queda no lucro, aumento das provisões ou redução na rentabilidade.
É justamente nesse ponto que a tese de BBAS3 mudou.
O investidor deixou de olhar apenas para múltiplos baixos e passou a acompanhar principalmente três indicadores: inadimplência, custo do crédito e capacidade de recuperação do lucro.
E os dividendos do Banco do Brasil?
Os dividendos também perderam parte do protagonismo após o banco reduzir o nível de distribuição dos resultados.
Com um payout mais conservador, uma parcela maior do lucro permanece dentro da instituição, reforçando o capital em um momento no qual as provisões de crédito continuam elevadas.
Para o acionista, isso significa que a recuperação sustentável dos proventos dependerá diretamente de uma melhora do resultado operacional e da qualidade da carteira.
O que observar agora em BBAS3
A forte valorização recente mostra que o mercado já começou a antecipar parte de um cenário mais favorável para o Banco do Brasil.
O risco é a cotação avançar mais rapidamente do que os próprios fundamentos.
A próxima etapa da tese dependerá principalmente da evolução da inadimplência, das despesas com provisões e da capacidade do banco de entregar o guidance de lucro entre R$ 18 bilhões e R$ 22 bilhões.
Enquanto esses indicadores não mostrarem uma recuperação mais consistente, BBAS3 continuará dividindo o mercado entre investidores que enxergam desconto e analistas que consideram que os riscos ainda justificam cautela.
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