O Banco do Brasil apresentou melhora em importantes indicadores no segundo trimestre de 2026, mas o balanço ainda mostra que a recuperação de BBAS3 deve ser gradual. O banco registrou lucro líquido ajustado de R$ 3,9 bilhões, acima do resultado do primeiro trimestre e próximo das expectativas do mercado.
A principal preocupação continua sendo a qualidade da carteira de crédito. A inadimplência acima de 90 dias avançou para 5,61%, mantendo elevada a percepção de risco sobre os resultados futuros da instituição.
O balanço, portanto, trouxe uma combinação de melhora operacional com sinais de que os principais problemas do Banco do Brasil ainda não foram completamente superados.
Principais números do Banco do Brasil
| Indicador | 2º trimestre de 2026 |
| Lucro líquido ajustado | R$ 3,9 bilhões |
| Lucro no 1º semestre | R$ 7,3 bilhões |
| Margem financeira bruta | R$ 27,5 bilhões |
| Carteira de crédito | Mais de R$ 1,3 trilhão |
| Inadimplência acima de 90 dias | 5,61% |
| Custo de crédito | Cerca de R$ 18,5 bilhões |
| Retorno sobre patrimônio | 8,3% |
A melhora do lucro na comparação trimestral é um dos pontos positivos do balanço. No entanto, o resultado acumulado de R$ 7,3 bilhões no primeiro semestre mostra que o Banco do Brasil ainda precisa acelerar o desempenho na segunda metade do ano para alcançar suas projeções anuais.
Inadimplência de 5,61% é o maior sinal de alerta
O principal ponto negativo do balanço está na inadimplência.
O índice de operações vencidas há mais de 90 dias chegou a 5,61%, contra 5,05% no primeiro trimestre de 2026. A alta indica que o banco ainda não encontrou um ponto claro de reversão na deterioração da carteira.
Esse indicador tem peso importante para os investidores porque atrasos prolongados aumentam a necessidade de provisões e podem comprometer parte do lucro obtido com as operações de crédito.
Apesar disso, o custo de crédito apresentou pequena melhora em relação ao trimestre anterior, ficando próximo de R$ 18,5 bilhões. O número continua elevado e permanece como uma das principais barreiras para uma recuperação mais rápida da rentabilidade.
Margem financeira sustenta resultado
Entre os destaques positivos está a margem financeira bruta de R$ 27,5 bilhões.
O desempenho mostra que a operação principal do banco continua gerando receitas relevantes, mesmo em um ambiente de maior risco de crédito.
A carteira expandida superou R$ 1,3 trilhão, mas o Banco do Brasil vem adotando postura mais seletiva na concessão de novos financiamentos.
Essa estratégia ajuda a limitar riscos, mas também pode reduzir a velocidade de crescimento das receitas. O desafio do banco será aumentar a carteira sem provocar uma nova deterioração dos índices de inadimplência.
Agronegócio permanece no radar
O agronegócio continua sendo um dos segmentos mais importantes para os resultados do Banco do Brasil.
A instituição possui forte presença no crédito rural e vem aumentando os mecanismos de proteção e a seletividade na aprovação de novas operações.
A preocupação do mercado está justamente no impacto que eventuais problemas no setor podem provocar sobre provisões e inadimplência.
Por esse motivo, os resultados do terceiro e quarto trimestres serão importantes para verificar se a carteira do agronegócio começa efetivamente a apresentar estabilização.
Rentabilidade melhora, mas ainda está baixa
O retorno sobre o patrimônio líquido ficou em aproximadamente 8,3% no segundo trimestre.
O indicador mostra recuperação em relação ao início de 2026, mas permanece distante dos níveis registrados pelo Banco do Brasil em períodos de maior rentabilidade.
Para que BBAS3 volte a apresentar uma recuperação mais consistente, o mercado deverá buscar três sinais principais: crescimento do lucro, queda do custo de crédito e estabilização da inadimplência.
Sem essa combinação, uma melhora pontual do resultado pode ser considerada insuficiente para confirmar uma mudança definitiva de tendência.
Dividendos de BBAS3 seguem pressionados
O cenário de lucro e rentabilidade mais baixos também afeta a distribuição de dividendos.
O Banco do Brasil anunciou remuneração complementar por meio de Juros sobre Capital Próprio, mas os pagamentos permanecem mais modestos em comparação com períodos de maior geração de resultados.
Uma distribuição mais conservadora permite preservar capital enquanto o banco enfrenta custos elevados com provisões.
Para o investidor de renda, portanto, uma normalização mais forte dos dividendos de BBAS3 dependerá da recuperação do lucro e, principalmente, da melhora da qualidade da carteira.
BBAS3 está se recuperando?
O balanço do segundo trimestre trouxe sinais melhores, mas ainda não confirma uma recuperação completa.
O lucro avançou, a rentabilidade melhorou e a margem financeira permaneceu elevada. Por outro lado, a inadimplência subiu novamente para 5,61%, mantendo o risco de crédito no centro das atenções.
A leitura mais equilibrada é de que o Banco do Brasil entrou em um processo de recuperação lenta e ainda cercada de riscos.
Se a inadimplência começar a cair nos próximos balanços, BBAS3 poderá ganhar um argumento importante para uma reavaliação pelo mercado. Caso os atrasos continuem avançando, as provisões poderão permanecer elevadas e limitar a melhora dos lucros e dividendos.
Por isso, mais do que o lucro isolado, o indicador que deverá determinar os próximos movimentos de BBAS3 será a evolução da inadimplência ao longo do segundo semestre.
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