A implementação da reforma tributária entra em uma nova etapa em 3 de agosto de 2026. A partir dessa data, empresas submetidas ao regime regular deverão preencher os campos relacionados ao Imposto sobre Bens e Serviços, o IBS, e à Contribuição sobre Bens e Serviços, a CBS, nos documentos fiscais eletrônicos.
O ano de 2026 funciona como período de testes do novo sistema. A alíquota usada nessa fase será de 1%, dividida entre 0,10% de IBS e 0,90% de CBS. O objetivo é validar sistemas, testar o envio das informações e preparar empresas e órgãos públicos para a cobrança efetiva dos tributos.
Embora a etapa tenha caráter experimental, as mudanças exigem atenção imediata. Empresas precisarão atualizar programas de emissão de notas, revisar cadastros de produtos e serviços, treinar equipes e conferir se os documentos fiscais estão sendo gerados corretamente.
O que muda nas notas fiscais
Os novos campos de IBS e CBS deverão aparecer em documentos como a Nota Fiscal Eletrônica e a Nota Fiscal de Consumidor Eletrônica, conforme os leiautes definidos pelos órgãos tributários.
Na prática, o sistema de faturamento deverá identificar a operação, aplicar a classificação tributária correta e informar os valores correspondentes aos novos tributos.
Erros no preenchimento poderão provocar rejeição da nota fiscal, inconsistências cadastrais e problemas na apuração dos créditos tributários.
Por isso, empresas que ainda não atualizaram seus sistemas devem procurar fornecedores de software, contadores e equipes fiscais antes do início da obrigatoriedade.
Empresas precisam revisar preços e contratos
A reforma tributária não afeta apenas a emissão de notas. O novo modelo também poderá alterar a formação de preços, o aproveitamento de créditos e a relação entre fornecedores e clientes.
Contratos comerciais deverão ser revisados para verificar cláusulas relacionadas ao repasse de impostos, reajustes e responsabilidades tributárias.
Também será necessário analisar como cada operação será enquadrada. Uma classificação incorreta pode aumentar custos, reduzir margens ou impedir o aproveitamento de créditos.
Durante a transição, empresas deverão conviver com regras do sistema atual e do novo modelo, aumentando a complexidade operacional nos primeiros anos.
Simples Nacional exige atenção especial
As empresas do Simples Nacional permanecerão no regime simplificado, mas poderão enfrentar impactos nas vendas realizadas para outras empresas.
Um dos principais pontos envolve os créditos tributários. Negócios que compram mercadorias ou serviços poderão priorizar fornecedores capazes de gerar maior volume de créditos de IBS e CBS.
Empresas do Simples que atuam como fornecedoras de indústrias, atacadistas ou grandes grupos precisarão avaliar se o modelo atual continuará competitivo.
Dependendo da atividade, será possível manter o recolhimento dentro do Simples ou apurar IBS e CBS separadamente. A escolha deverá considerar custos, obrigações e perfil dos clientes.
CBS substituirá PIS e Cofins em 2027
A transição avançará em 2027, quando a CBS passará a substituir o PIS e a Cofins. O Imposto Seletivo também começará a ser aplicado sobre determinados produtos considerados prejudiciais à saúde ou ao meio ambiente.
Entre 2029 e 2032, ICMS e ISS serão reduzidos gradualmente, enquanto o IBS ganhará participação.
O novo sistema tributário deverá entrar integralmente em vigor em 2033, quando ICMS e ISS serão extintos.
Até lá, empresas terão de administrar dois modelos ao mesmo tempo, o que exigirá planejamento, atualização tecnológica e acompanhamento permanente das regras.
Preparação não deve ficar para a última hora
A principal orientação é iniciar imediatamente os testes nos sistemas de faturamento. Empresas devem verificar se os campos de IBS e CBS já estão disponíveis, revisar cadastros e simular a emissão de documentos fiscais.
Também é importante estabelecer um plano de adaptação envolvendo os setores fiscal, contábil, jurídico, comercial e de tecnologia.
A reforma tributária promete simplificar a cobrança de impostos no longo prazo, mas a fase de transição será marcada por mudanças operacionais importantes.
As empresas que se prepararem com antecedência poderão reduzir erros, evitar interrupções no faturamento e tomar decisões mais seguras sobre preços, contratos e fornecedores.
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