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Início » Últimas Notícias » BBAS3 volta a R$ 19,86, mas agro pressiona lucro: vale a pena investir?
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BBAS3 volta a R$ 19,86, mas agro pressiona lucro: vale a pena investir?

Banco do Brasil enfrenta aumento da inadimplência, provisões maiores e dividendos mais modestos, enquanto analistas enxergam potencial de recuperação das ações no longo prazo
Eduardo MartinsPor Eduardo Martins24 de junho de 20264 minutos lidos
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As ações do Banco do Brasil voltaram a se aproximar dos R$ 20 depois de atingirem R$ 18,87 na mínima de 10 de junho. Nesta quarta-feira, 24 de junho, BBAS3 aparecia na região de R$ 19,86, ainda pressionada pelas dúvidas sobre inadimplência, provisões e rentabilidade.

A cotação pode parecer barata quando comparada aos níveis alcançados anteriormente pelo banco. Entretanto, o preço reduzido reflete um cenário operacional mais difícil, especialmente na carteira ligada ao agronegócio.

Para o investidor, a principal questão é saber se o atual desconto representa uma oportunidade de longo prazo ou se as ações ainda podem enfrentar novas quedas.

Lucro do Banco do Brasil caiu mais de 50%

O Banco do Brasil encerrou o primeiro trimestre de 2026 com lucro líquido ajustado de R$ 3,4 bilhões, queda de 53,5% em relação ao mesmo período do ano anterior.

A rentabilidade sobre o patrimônio líquido, conhecida como ROE, caiu para 7,3%. Um ano antes, esse indicador estava em 16,7%. A redução mostra que o banco passou a gerar menos lucro com o próprio capital.

IndicadorResultado
Lucro líquido ajustado no 1T26R$ 3,4 bilhões
Queda anual do lucro53,5%
ROE no 1T267,3%
Inadimplência geral acima de 90 dias5,05%
Inadimplência no agronegócio6,22%
Cotação aproximada de BBAS3R$ 19,86

O maior problema está no crédito. A inadimplência acima de 90 dias na carteira do agronegócio chegou a 6,22%, avançando 3,5 pontos percentuais em 12 meses.

Como o Banco do Brasil possui forte presença no financiamento rural, a piora do setor provoca um impacto maior sobre seus resultados do que sobre outros grandes bancos privados.

Banco elevou projeção para perdas com crédito

Após o resultado do primeiro trimestre, o banco revisou suas projeções para 2026. A estimativa de provisões e perdas esperadas com crédito passou de uma faixa entre R$ 53 bilhões e R$ 58 bilhões para R$ 65 bilhões a R$ 70 bilhões.

Ao mesmo tempo, a projeção de lucro líquido ajustado foi reduzida de R$ 22 bilhões a R$ 26 bilhões para R$ 18 bilhões a R$ 22 bilhões.

Projeção para 2026Estimativa inicialEstimativa revisada
Lucro líquido ajustadoR$ 22 bi a R$ 26 biR$ 18 bi a R$ 22 bi
Perdas esperadas com créditoR$ 53 bi a R$ 58 biR$ 65 bi a R$ 70 bi

Esse aumento reduz o resultado disponível para remuneração dos acionistas e limita a possibilidade de dividendos elevados no curto prazo.

BBAS3 ainda pode subir?

As projeções dos analistas permanecem bastante divididas. O consenso de mercado aponta preço-alvo médio próximo de R$ 26 para os próximos 12 meses, mas as estimativas variam aproximadamente entre R$ 20 e R$ 39.

Considerando uma cotação de R$ 19,86, um preço-alvo de R$ 26 representaria valorização potencial próxima de 31%. Essa projeção, porém, depende da estabilização da inadimplência e da redução das despesas com crédito.

A XP, por exemplo, trabalha com preço-alvo de R$ 25 e recomendação neutra, destacando que a recuperação tende a ser lenta. Já o Itaú BBA reduziu recentemente seu preço-alvo para R$ 21, refletindo maior cautela com a carteira do agronegócio.

Vale a pena investir em BBAS3 agora?

Para quem procura dividendos elevados nos próximos meses, BBAS3 pode não ser a alternativa mais previsível. O lucro menor e a necessidade de preservar capital podem manter os pagamentos abaixo dos níveis observados em ciclos anteriores.

No longo prazo, a análise muda. O Banco do Brasil mantém uma operação de grande escala, forte presença no crédito rural, extensa base de clientes e participação relevante em seguros, cartões, investimentos e gestão de recursos.

O preço atual pode representar uma oportunidade para investidores que aceitam volatilidade e conseguem esperar pela recuperação do crédito. Porém, novas quedas não estão descartadas caso a inadimplência aumente ou o banco volte a reduzir suas projeções.

O próximo teste ocorrerá em 12 de agosto de 2026, quando o Banco do Brasil divulgará os resultados do segundo trimestre. Os números de provisões, inadimplência, lucro e rentabilidade poderão definir o rumo de BBAS3 no segundo semestre.

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Eduardo Martins
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Eduardo Martins é planejador financeiro certificado (CFP®) e consultor de investimentos, com mais de 10 anos de experiência no mercado financeiro. Na A Revista, explica renda fixa, fundos imobiliários, dividendos, simulações de quanto rende e planejamento financeiro. Apresenta premissas, custos, tributação e riscos, sem converter cenários em promessa de retorno.

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