As ações do Banco do Brasil voltaram ao centro das atenções dos investidores após uma nova rodada de revisões negativas para o banco. O papel BBAS3 segue negociado próximo da faixa de R$ 19, em meio a preocupações com inadimplência, aumento das provisões e menor expectativa de lucro para 2026.
O movimento reacendeu uma discussão importante no mercado: a queda representa um risco maior para o investidor ou uma oportunidade de acumulação para quem pensa no longo prazo?
A pressão sobre o Banco do Brasil não é nova. O banco já vinha sofrendo com a deterioração da carteira de crédito, especialmente ligada ao agronegócio, setor que tem peso relevante nos resultados da instituição. Essa piora levou o próprio banco a revisar suas projeções para 2026, reduzindo a expectativa de lucro líquido ajustado para uma faixa entre R$ 18 bilhões e R$ 22 bilhões.
Itaú BBA reduz projeção e aumenta cautela com BBAS3
O Itaú BBA adotou uma visão mais conservadora para o Banco do Brasil e reduziu sua estimativa de lucro líquido para 2026 de R$ 21,2 bilhões para R$ 18,4 bilhões. O novo número fica próximo ao piso do guidance divulgado pelo próprio banco.
Além disso, a instituição também reduziu o preço-alvo das ações de BBAS3 de R$ 22 para R$ 21. Apesar do corte, o novo preço-alvo ainda fica acima da cotação recente do papel, que segue na região de R$ 19. Em 9 de junho de 2026, a ação era negociada perto de R$ 19,14, segundo dados de mercado.
A cautela dos analistas está ligada principalmente à incerteza sobre a inadimplência no agronegócio. O Itaú BBA também reduziu sua projeção de retorno sobre o patrimônio, o ROE, para 9,3% em 2026, ante estimativa anterior de 10,6%.
O que pesa contra o Banco do Brasil
O principal ponto de atenção para BBAS3 é a qualidade da carteira de crédito. O Banco do Brasil tem forte exposição ao agronegócio, e o aumento da inadimplência nesse segmento elevou as despesas com provisões.
Na prática, provisão é o dinheiro que o banco separa para cobrir possíveis perdas com clientes que podem não pagar seus empréstimos. Quando esse custo sobe, o lucro diminui.
O problema é que a pressão ainda pode continuar nos próximos trimestres. Analistas avaliam que as despesas com provisões ligadas ao agro podem seguir elevadas no segundo e no terceiro trimestre, mesmo que outras linhas de crédito apresentem maior estabilidade.
Esse cenário explica por que o mercado passou a exigir mais desconto para investir no banco. A ação caiu forte em relação às máximas recentes e agora negocia em patamar bem inferior ao observado em fases de maior otimismo.
Por que parte do mercado ainda vê oportunidade
Apesar do cenário mais difícil, BBAS3 continua sendo observada por investidores de longo prazo por causa do valuation descontado. A ação negocia a múltiplos considerados baixos em relação ao histórico do banco, especialmente quando se observa o preço sobre valor patrimonial e o preço sobre lucro projetado.
Segundo dados de mercado, BBAS3 era negociada perto de R$ 19,12, com queda acumulada em 12 meses e abaixo do valor patrimonial por ação indicado por plataformas de análise.
Esse desconto atrai investidores que acreditam em uma recuperação gradual dos resultados. A tese é simples: se o lucro voltar a crescer nos próximos anos e a inadimplência for controlada, a cotação pode reagir antes mesmo de os números melhorarem completamente.
Esse tipo de movimento já ocorreu em outros ciclos do setor bancário. Em momentos de pessimismo, ações de bancos costumam cair de forma intensa. Quando o mercado começa a enxergar sinais de recuperação, a reação pode ser rápida.
Dividendos devem ser menores em 2026
Quem compra Banco do Brasil pensando apenas nos dividendos de curto prazo precisa ter cautela. O banco reduziu o payout, ou seja, a fatia do lucro distribuída aos acionistas, para 30%. A decisão limita o potencial de dividendos enquanto o lucro estiver pressionado.
Com lucro menor e payout mais baixo, a distribuição tende a ficar abaixo dos anos em que o banco apresentou resultados recordes. Portanto, o investidor não deve esperar, no curto prazo, o mesmo nível de dividendos observado em períodos anteriores.
Veja uma simulação com base nos cenários citados pelo mercado:
| Cenário para 2026 | Lucro estimado | Payout considerado | Leitura para dividendos |
| Cenário conservador | R$ 18 bilhões | 30% | Dividendos mais baixos |
| Cenário intermediário | R$ 18,4 bilhões | 30% | Próximo ao piso do guidance |
| Cenário otimista | R$ 22 bilhões | 30% | Melhora limitada, mas ainda abaixo do ciclo forte |
| Retomada futura | Acima de R$ 30 bilhões | Pode variar | Maior potencial, se houver recuperação |
O ponto central é que o dividendo por ação depende do lucro e da política de distribuição. Se o investidor compra mais ações em períodos de queda, aumenta a quantidade de papéis na carteira. Porém, o retorno só será mais interessante se os lucros e os pagamentos voltarem a crescer no futuro.
BBAS3 é compra agora?
A queda de BBAS3 pode ser vista de duas formas. Para investidores conservadores, o momento ainda exige cautela, porque os resultados seguem pressionados e a inadimplência no agro ainda não foi totalmente resolvida. Para investidores de longo prazo, o preço descontado pode representar uma oportunidade de acumulação, desde que a posição esteja dentro de uma carteira diversificada.
O Banco do Brasil continua sendo uma das maiores instituições financeiras do país, mas atravessa um ciclo mais difícil. O mercado reduziu as expectativas, os dividendos devem ser menores e o lucro de 2026 ficou mais incerto.
Por outro lado, o preço atual já reflete parte relevante desse pessimismo. Se o banco conseguir estabilizar a inadimplência, reduzir provisões e recuperar rentabilidade, BBAS3 pode voltar a atrair fluxo comprador.
O que o investidor deve observar antes de aportar
Antes de comprar ou aumentar posição em BBAS3, o investidor deve acompanhar alguns pontos:
| Indicador | Por que importa |
| Inadimplência no agro | É o principal fator de pressão sobre o lucro |
| Custo de crédito | Mostra quanto o banco precisa provisionar |
| Lucro líquido ajustado | Define a capacidade de gerar dividendos |
| ROE | Mede a rentabilidade do banco |
| Payout | Indica quanto do lucro será distribuído |
| Valuation | Ajuda a avaliar se a ação está cara ou barata |
A decisão de investir não deve ser baseada apenas na queda da cotação. A ação pode estar barata, mas ainda enfrentar volatilidade enquanto os resultados não mostrarem melhora consistente.
Queda pode favorecer acumulação, mas exige paciência
BBAS3 vive um momento de forte desconfiança. O mercado olha para o Banco do Brasil com mais cautela, principalmente por causa da inadimplência no agronegócio e da redução nas projeções de lucro.
Ainda assim, o papel segue no radar de investidores que buscam bancos descontados e têm horizonte de longo prazo. A tese de oportunidade depende de uma recuperação futura dos resultados, não de uma melhora imediata.
Para quem já tem posição, o momento exige análise fria. Para quem pensa em entrar, o ideal é avaliar o peso da ação na carteira, o risco do setor e a disposição para enfrentar oscilações.
Banco do Brasil pode voltar a entregar bons resultados, mas o caminho até lá deve ser acompanhado com atenção.
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