O Itaú Unibanco mostrou mais uma vez por que continua sendo considerado por muitos investidores o banco mais sólido e rentável do Brasil. O balanço do primeiro trimestre de 2026 chamou atenção do mercado financeiro após o banco divulgar lucro líquido recorrente de R$ 12,3 bilhões, crescimento de 10,4% na comparação anual e um retorno sobre patrimônio líquido (ROE) de 24,8%, um dos maiores níveis da última década.
O desempenho reforça a percepção de que o Itaú segue operando em um patamar acima dos principais concorrentes do setor bancário brasileiro, principalmente quando comparado a bancos tradicionais que vêm enfrentando maior pressão com inadimplência, provisões elevadas e rentabilidade mais apertada.
Com mais de 100 anos de história, o Itaú encerrou o trimestre com aproximadamente R$ 3,2 trilhões em ativos totais e uma carteira de crédito próxima de R$ 1,5 trilhão, consolidando sua posição entre as maiores instituições financeiras da América Latina.
ROE acima de 24% coloca Itaú em patamar diferenciado
O principal destaque do balanço ficou para o ROE de 24,8%, indicador que mede a capacidade do banco gerar lucro em relação ao patrimônio líquido. No Brasil, considerando apenas as operações nacionais, o índice chegou a impressionantes 26,4%.
Na prática, isso significa que o Itaú continua conseguindo transformar capital em lucro de forma extremamente eficiente, mesmo em um ambiente de juros elevados e crédito mais seletivo.
Historicamente, poucos bancos conseguiram manter um ROE acima de 20% de maneira consistente por tantos anos. Segundo analistas do mercado, essa capacidade é um dos fatores que explicam o desempenho histórico das ações ITUB4 na Bolsa brasileira desde o Plano Real.
Enquanto concorrentes como Bradesco e Santander operam atualmente em faixas entre 15% e 17% de ROE, o Itaú continua se destacando com rentabilidade superior.
Carteira de crédito cresce mesmo em cenário desafiador
Outro dado que chamou atenção no resultado foi o crescimento de 9% da carteira de crédito, que alcançou quase R$ 1,5 trilhão.
O banco conseguiu expandir operações em diferentes segmentos:
| Segmento | Carteira de crédito |
| Pessoa física | Quase R$ 500 bilhões |
| Micro e pequenas empresas | R$ 300 bilhões |
| Grandes empresas | R$ 454 bilhões |
Mesmo com forte exposição ao crédito para pessoa física, incluindo cartão de crédito, consignado, financiamento imobiliário e veículos, o Itaú conseguiu manter a inadimplência acima de 90 dias em apenas 1,9%, um dos menores níveis do sistema financeiro nacional.
Esse dado é considerado extremamente positivo pelo mercado, principalmente em um momento em que parte dos bancos brasileiros enfrenta aumento no risco de crédito e crescimento da inadimplência.
Receita com serviços e seguros segue impulsionando lucro
Além das operações de crédito, o Itaú também mostrou força em áreas altamente lucrativas como serviços financeiros e seguros.
A receita com prestação de serviços atingiu R$ 11 bilhões no trimestre, enquanto o segmento de seguros gerou aproximadamente R$ 3 bilhões adicionais.
Somadas, as duas áreas movimentaram cerca de R$ 14 bilhões em receitas, avanço de 5,3% na comparação anual.
O segmento de serviços continua sendo uma das maiores máquinas de geração de lucro do banco. Apenas essa divisão produziu cerca de R$ 6,6 bilhões em lucro no trimestre, com ROE próximo de 51%.
Entre as principais fontes de receita estão:
- Cartões de crédito;
- Administração de fundos;
- Corretagem;
- Conta corrente;
- Seguros;
- Assessoria financeira;
- Garantias e operações estruturadas.
Itaú melhora eficiência operacional e reduz custos
Outro indicador observado de perto pelo mercado é o índice de eficiência, que mede quanto o banco gasta para gerar receita.
O Itaú encerrou o trimestre com índice de eficiência de 34,9% no Brasil, melhorando frente aos períodos anteriores.
Na prática, quanto menor esse índice, melhor tende a ser a eficiência operacional da instituição.
O banco também continua reduzindo gradualmente quantidade de agências físicas e controlando despesas administrativas, estratégia que vem ajudando a preservar margens elevadas mesmo em ambiente competitivo.
As despesas não relacionadas a juros cresceram apenas 4,8% em relação ao mesmo período do ano anterior, praticamente acompanhando a inflação.
Dividendos seguem atraindo investidores para ITUB4
Além do crescimento operacional, o Itaú continua sendo uma das principais referências quando o assunto é pagamento de dividendos.
Com payout próximo de 70%, projeções do mercado apontam dividend yield estimado entre 7% e 8% para ITUB4 e ITSA4 considerando os próximos 12 meses.
Segundo estimativas discutidas por analistas, o banco pode encerrar 2026 com lucro anual entre R$ 50 bilhões e R$ 53 bilhões caso o ritmo atual seja mantido.
Mesmo após a forte valorização das ações nos últimos anos, o Itaú segue negociando em níveis considerados razoáveis por parte do mercado, com múltiplo próximo de 9 vezes lucro.
Mercado mantém atenção para possível euforia nas ações
Apesar dos números extremamente fortes, alguns analistas alertam para o risco de investidores entrarem em euforia excessiva com o papel.
Historicamente, períodos de dividendos elevados e forte valorização das ações costumam ser seguidos por momentos de normalização do payout e desaceleração no ritmo de alta.
O próprio Itaú já passou por períodos em que reduziu distribuição de lucros para faixas entre 35% e 40%, principalmente após a pandemia.
Além disso, o preço sobre valor patrimonial (P/VPA) do banco já voltou para patamares próximos aos observados em ciclos anteriores de maior valorização.
Ainda assim, o mercado segue vendo o Itaú como uma das instituições financeiras mais sólidas do país, especialmente pela combinação de:
- Alta rentabilidade;
- Crescimento consistente;
- Controle da inadimplência;
- Forte geração de caixa;
- Dividendos recorrentes;
- Liderança no setor bancário brasileiro.
ITUB3 ou ITUB4: qual ação chama mais atenção?
Na prática, ITUB3 e ITUB4 representam ações do mesmo banco, mas possuem diferenças importantes.
As ações ITUB4, preferenciais, costumam ser as mais negociadas do mercado e têm preferência no recebimento de dividendos. Já as ITUB3, ordinárias, garantem direito a voto nas assembleias da companhia.
Por conta da maior liquidez e preferência entre investidores pessoa física, ITUB4 continua sendo o papel mais acompanhado pelo mercado.
Com o balanço do 1T26 reforçando lucro forte, rentabilidade elevada e qualidade operacional, o Itaú permanece entre os principais nomes buscados por investidores focados em dividendos e geração de valor no longo prazo.
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