As ações da Klabin (KLBN11) voltaram ao radar do mercado após o rebaixamento de recomendação feito pelo JPMorgan, que passou de “compra” para “neutro”, reduzindo também o preço-alvo de R$ 26 para R$ 22.
A decisão ocorre em meio a um cenário mais desafiador para o setor global de papel e celulose, marcado por incertezas macroeconômicas, conflitos internacionais e desaceleração da demanda — fatores que têm pressionado as cotações e aumentado a cautela dos investidores.
Mesmo com o corte, o novo preço-alvo ainda indicava potencial de valorização superior a 20% em relação às cotações recentes da empresa.
Por que o JPMorgan rebaixou a Klabin?
O banco destacou uma combinação de fatores de curto prazo:
- Fraqueza na demanda global por papel
- Pressão nos preços da fibra longa
- Estoques elevados no mercado internacional
- Menor capacidade de repasse de custos
- Incertezas logísticas e cambiais
Além disso, o conflito geopolítico recente alterou a dinâmica de preços da celulose, reduzindo o otimismo que existia para o primeiro semestre de 2026.
Outro ponto importante foi a avaliação de que a empresa já reflete boa parte de seus fundamentos positivos no preço atual, sem grandes gatilhos de valorização no curto prazo.
Suzano ganha preferência no setor
Enquanto a Klabin perdeu atratividade relativa, a Suzano passou a ser vista como a principal escolha do banco no setor.
Mesmo com redução no preço-alvo (de R$ 81 para R$ 74), a Suzano apresenta, na visão do mercado, uma relação risco-retorno mais favorável no cenário atual, especialmente por sua forte atuação em fibra curta.
Porém, essa preferência não é consenso. Parte dos analistas aponta que a Suzano pode enfrentar desafios maiores no médio prazo, principalmente com aumento de oferta global a partir de 2028.
BlackRock aumenta participação e sinaliza confiança
Na contramão do pessimismo de curto prazo, a BlackRock elevou sua participação na Klabin, ultrapassando 10% das ações preferenciais da companhia.
Esse movimento é interpretado como um sinal de confiança na tese de longo prazo, especialmente considerando que quedas motivadas por fatores macro costumam abrir oportunidades de entrada para investidores institucionais.
Desempenho da ação e histórico recente
A Klabin tem apresentado um comportamento lateral nos últimos anos:
- Queda de cerca de 13% a partir do topo recente
- Desempenho inferior ao Ibovespa no último ano
- Alta modesta considerando os últimos 10 anos (em preço)
- Oscilações frequentes, sem tendência clara de longo prazo
Apesar disso, a empresa mantém crescimento operacional consistente, especialmente em receita e expansão de capacidade.
Endividamento ainda pesa — mas tendência é de melhora
Um dos principais desafios atuais da Klabin é o impacto do endividamento elevado, agravado pelo ciclo recente de investimentos.
Dados recentes indicam:
- Lucro líquido próximo de R$ 1,7 bilhão
- Resultado financeiro negativo de cerca de R$ 2,1 bilhões
Ou seja, o custo da dívida ainda supera o lucro operacional, pressionado principalmente pela taxa de juros elevada no Brasil.
Por outro lado, a empresa já iniciou um ciclo de desalavancagem, o que pode aliviar os resultados nos próximos anos e abrir espaço para recuperação das ações.
Dividendos devem cair em 2026
Outro ponto de atenção para investidores é a expectativa de dividendos mais baixos no curto prazo.
Projeções indicam:
- Dividend yield estimado: cerca de 6,1%
- Redução nos pagamentos em 2026 devido à antecipação feita anteriormente
Isso significa que quem entrar agora na ação pode receber menos dividendos no próximo ciclo, o que pode afastar investidores focados em renda passiva.
Oportunidade ou risco? O que observar agora
A Klabin se encontra em um momento típico de transição, com pontos positivos e negativos claros:
Pontos positivos:
- Processo de desalavancagem em andamento
- Modelo de negócios diversificado (celulose, papel e embalagens)
- Verticalização que reduz custos no longo prazo
- Entrada de grandes investidores institucionais
Pontos de risco:
- Pressão de curto prazo no setor
- Dependência da demanda global (especialmente China)
- Dividendos menores no curto prazo
- Sensibilidade ao câmbio e juros
Visão de longo prazo segue no radar
Apesar das incertezas atuais, o próprio mercado reconhece que o cenário pode mudar rapidamente, especialmente se houver melhora na demanda global ou redução das tensões geopolíticas.
Para investidores com foco no longo prazo, momentos de queda associados a fatores macro — e não estruturais — costumam ser analisados como potenciais pontos de entrada.
A decisão, no entanto, exige atenção ao perfil do investidor: enquanto o curto prazo segue pressionado, o longo prazo ainda carrega expectativas mais positivas para o setor.
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