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Início » Últimas Notícias » Correção ainda mais forte em BBAS3? Inadimplência no agro atinge recorde e segue em alta
Ações

Correção ainda mais forte em BBAS3? Inadimplência no agro atinge recorde e segue em alta

Crise no agronegócio, juros elevados e aumento dos atrasos pressionam resultados do Banco do Brasil e acendem alerta no mercado
Mariana DuartePor Mariana Duarte2 de abril de 20263 minutos lidos
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As ações do Banco do Brasil voltaram ao radar de risco após dados recentes confirmarem uma piora relevante na qualidade do crédito, especialmente no agronegócio — setor responsável por uma fatia significativa da carteira do banco.

A preocupação do mercado não é pontual: trata-se de uma tendência que já se estende por vários trimestres e pode continuar impactando os resultados ao longo de 2026.

Inadimplência no agro bate recorde histórico

O dado mais crítico vem do crédito rural.

  • A inadimplência acima de 90 dias chegou a cerca de 7,3% em janeiro de 2026, o maior nível da série histórica iniciada em 2011
  • Um ano antes, esse índice estava em apenas 2,7%, mostrando uma deterioração acelerada
  • Em 2025, o Banco do Brasil já registrava cerca de 6,09% de inadimplência no agro, também em nível elevado

Além disso, o problema não é isolado:

  • A inadimplência no agro vem subindo há 10 trimestres consecutivos dentro do banco
  • O setor representa cerca de 1/3 da carteira total de crédito do Banco do Brasil

Resumo dos principais dados:

IndicadorValor recenteTendência
Inadimplência agro (90 dias)~7,3%Máxima histórica
BB – inadimplência agro~6,09%Em alta
Crescimento anual+4,6 p.p.Forte deterioração
Participação do agro na carteira~33%Muito relevante

Crise no agronegócio agrava o cenário

O aumento da inadimplência não acontece por acaso. O setor enfrenta uma combinação de fatores negativos:

  • Juros elevados
  • Queda nos preços das commodities
  • Custos de produção altos
  • Endividamento crescente

Um reflexo direto disso foi o aumento expressivo nos pedidos de recuperação judicial no campo:

  • 1.990 pedidos em 2025, alta de 56,4% em relação ao ano anterior

Mesmo com safra recorde, muitos produtores estão operando com margens apertadas, o que compromete a capacidade de pagamento.

Impacto direto nos resultados do Banco do Brasil

A deterioração do crédito já começou a afetar os números do banco:

  • Lucro anual chegou a cair cerca de 45% em 2025, pressionado pelo aumento da inadimplência
  • Provisões para perdas (PDD) aumentaram significativamente
  • O custo do crédito subiu

Na prática, isso reduz:

  • Rentabilidade
  • Capacidade de distribuição de dividendos
  • Confiança do mercado

BBAS3 pode cair mais? Veja os cenários

Diante desse cenário, o investidor precisa considerar dois caminhos possíveis:

Cenário pessimista (mais provável no curto prazo)

  • Inadimplência continua elevada
  • Resultados seguem pressionados
  • Mercado reprecifica o ativo
  • Ações podem buscar níveis mais baixos

Cenário otimista (dependente de melhora macro)

  • Queda dos juros
  • Recuperação das commodities
  • Redução da inadimplência ao longo de 2026
  • Possível retomada gradual das ações

O próprio banco já sinalizou que espera uma inflexão na inadimplência apenas a partir de 2026, indicando que o problema não é imediato de resolução

O que o investidor deve acompanhar agora

Para entender se BBAS3 ainda pode cair ou se começa a recuperar, os principais pontos de atenção são:

  • Evolução da inadimplência acima de 90 dias
  • Dados mensais do Banco Central sobre crédito rural
  • Resultados trimestrais do banco
  • Nível de provisões para perdas
  • Cenário de juros e commodities

Risco real no curto prazo

O Banco do Brasil continua sendo uma das principais ações de dividendos da Bolsa, mas o cenário atual exige cautela.

A inadimplência no agro em máxima histórica não é apenas um ruído — é um fator estrutural que já está impactando os resultados e pode continuar pressionando as ações no curto prazo.

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Mariana Duarte
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Mariana Duarte é jornalista formada pela Universidade Federal da Bahia (UFBA), com mais de 10 anos de experiência em redações de portais nacionais e especialização em jornalismo digital. Na A Revista, acompanha economia, empresas, mercados e tecnologia ligada a negócios. Trabalha com linguagem acessível, atribuição de fontes e verificação de dados e documentos.

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