A Vale (VALE3) realizou em 23 de fevereiro de 2026 uma nova apresentação ao mercado trazendo dados relevantes sobre estrutura de receitas, redução de custos, crescimento do cobre e potencial de geração de caixa.
Mesmo após uma valorização próxima de 90% desde o fundo de abril de 2025, a companhia indica que ainda pode haver espaço para captura adicional de valor — tanto via reprecificação por múltiplos quanto pela monetização do braço de cobre e níquel.
O mercado começa a olhar para a empresa não apenas como mineradora de ferro, mas como uma potencial plataforma estratégica de metais para transição energética.
Minério de ferro ainda domina, mas eficiência pode ampliar margens
Atualmente, aproximadamente 85% do resultado da Vale está concentrado no minério de ferro.
Em 2025, a receita total foi de cerca de US$ 60 bilhões, distribuída da seguinte forma:
| Produto | Participação na Receita |
|---|---|
| Minério de ferro | ~80% |
| Níquel | ~11% |
| Cobre | ~10% |
| Outros | ~1% |
A projeção para minério de ferro indica crescimento leve na produção em 2026 e expansão gradual até 2030 — sem aceleração agressiva.
O diferencial, segundo a companhia, está na redução do custo C1 e na queda do custo total por tonelada. Caso o preço do minério permaneça em patamar estável, a combinação de estabilidade de preço com redução de custos tende a ampliar margens operacionais.
Cobre pode dobrar até 2035 — e é aqui que está o potencial escondido
A Vale projeta crescimento consistente no segmento de cobre, com meta de atingir entre 550 mil e 610 mil toneladas anuais até 2035, com grande parte da produção vinda de Carajás.
A empresa planeja investir US$ 3,5 bilhões nos próximos cinco anos apenas nessa divisão.
Cronograma estimado de investimentos relevantes:
2028: > US$ 1 bilhão
2029: ciclo robusto
2030: US$ 1,7 bilhão
Pós-2032: novo ciclo forte
Além disso, a Vale destaca que sua intensidade de capital é cerca de 20% inferior à média da indústria, o que significa maior eficiência para produzir a mesma tonelada de cobre.
A companhia também prevê reversão do fluxo de caixa livre negativo em cobre e níquel em 2025 para cerca de US$ 1,1 bilhão positivo nos próximos anos, sustentado por:
Aumento de produção
Redução de custos
Melhora nos preços do cobre
IPO do braço de cobre e níquel pode destravar valor
Em 2023, a Vale vendeu participação minoritária no braço de metais básicos por US$ 3,4 bilhões, avaliando o segmento a aproximadamente 10x EV/EBITDA.
Em 2025, cobre e níquel geraram cerca de US$ 3,5 bilhões de EBITDA.
Se avaliados novamente a 10x, o braço teria valor aproximado de US$ 35 bilhões.
Hoje, a Vale possui:
Valor de mercado: ~US$ 75 bilhões
Valor da firma (EV): ~US$ 87 bilhões
Ou seja, apenas o segmento de cobre e níquel poderia representar cerca de 40% do valor da firma da companhia.
Caso ocorra um IPO ou spin-off dessa divisão, o mercado poderia precificar esse ativo com múltiplos mais elevados, potencialmente destravando até US$ 30 bilhões adicionais em valor.
Minério de ferro está sendo negociado com desconto relevante
Retirando o braço de cobre e níquel, o segmento de minério gera aproximadamente US$ 12 bilhões de EBITDA anual.
O valor da firma ajustado cairia para cerca de US$ 53 bilhões.
Isso implica:
EV/EBITDA do minério ≈ 4,4x
Enquanto pares como BHP e Rio Tinto negociam próximos de 6,5x EBITDA.
Se a Vale fosse reprecificada ao múltiplo médio dos pares, haveria potencial adicional de valorização expressiva, que poderia representar mais de R$ 30 por ação.
Projeções para 2026: geração forte de caixa e dividendos
A companhia projeta para 2026:
EBITDA: US$ 17,5 bilhões
Fluxo de caixa livre estimado: US$ 4,6 a US$ 5,7 bilhões
Destinação prevista do caixa:
US$ 5,5 bilhões em investimentos
Pagamentos de impostos e despesas financeiras
Compromissos remanescentes de Brumadinho
Distribuição aos acionistas
Se 100% do fluxo de caixa livre fosse distribuído, o dividend yield projetado ficaria entre 6% e 7,5%, equivalente a aproximadamente:
R$ 5,20 a R$ 6,50 por ação
Embora o dividend yield histórico médio da Vale tenha sido próximo de 11%, a base atual de preços reduz o percentual relativo — ainda assim mantendo um patamar atrativo.
Dividendos semestrais e mudança no calendário
A Vale antecipou o pagamento previsto para março de 2026 para dezembro de 2025.
Tradicionalmente, a empresa realiza pagamentos semestrais (março e agosto). Mantido o padrão, o próximo anúncio relevante deve ocorrer em agosto de 2026.
Alta de 90% e o erro de girar carteira cedo demais
Desde o fundo de abril de 2025, a ação acumulou alta próxima de 90%.
Durante o período anterior, a cotação ficou aproximadamente três anos lateralizada na faixa de R$ 60, levando parte do mercado a desacreditar no papel.
A nova apresentação sugere que, apesar da forte valorização, a tese estrutural permanece ativa — principalmente via eficiência operacional e crescimento em cobre.
Vale ainda está descontada?
A nova estratégia apresentada reforça três pilares:
Minério com redução consistente de custos
Cobre crescendo acima dos pares
Possível destravamento de valor via reprecificação ou IPO
Mesmo após forte valorização, o desconto relativo frente aos pares e o potencial do braço de metais básicos indicam que a Vale pode ainda não refletir integralmente seu valor intrínseco.
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