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Início » Últimas Notícias » CBAV3 sobe forte com lucro e reestruturação da dívida
Ações

CBAV3 sobe forte com lucro e reestruturação da dívida

Após forte valorização e melhora operacional, CBAV3 combina alta do alumínio, redução da alavancagem e geração de caixa positiva — mas o mercado já precificou parte do movimento
Eduardo MartinsPor Eduardo Martins24 de fevereiro de 20263 minutos lidos
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A ação da Companhia Brasileira de Alumínio (CBAV3) saiu de níveis próximos a R$ 2,80 em seu momento mais pressionado e passou a negociar na faixa de R$ 10, acumulando valorização superior a 180% desde as mínimas.

Nos últimos 12 meses, o avanço gira em torno de 80%, refletindo melhora consistente nos fundamentos, recuperação do preço do alumínio e reorganização financeira.

A companhia volta a apresentar geração de resultado positivo após um período marcado por margens comprimidas e alavancagem elevada.

Resultado recente mostra virada operacional

No trimestre mais recente divulgado, a companhia apresentou:

  • Receita líquida próxima de R$ 2,2 bilhões

  • EBITDA ajustado acima de R$ 230 milhões

  • Lucro líquido superior a R$ 130 milhões

O desempenho indica melhora relevante frente ao mesmo período do ano anterior, com recuperação de margens e maior eficiência operacional.

A combinação entre controle de custos, disciplina de capital e preços mais favoráveis da commodity contribuiu para o avanço.

Alumínio próximo de US$ 2.900 fortalece geração de caixa

O preço internacional do alumínio vem sendo negociado perto de US$ 2.900 por tonelada.

A CBA reporta custo caixa próximo de US$ 1.900 por tonelada.

Isso gera um spread operacional aproximado de US$ 1.000 por tonelada, antes de despesas financeiras, impostos e investimentos.

Indicadores operacionais estimados

IndicadorValor aproximado
Preço do alumínioUS$ 2.900/ton
Custo caixaUS$ 1.900/ton
Spread bruto~US$ 1.000/ton

Esse nível de margem operacional permite:

  • Investimentos em expansão

  • Redução de endividamento

  • Reforço de caixa

  • Potencial retorno ao acionista no futuro

Dívida: de ponto crítico a patamar administrável

Um dos principais riscos da CBAV3 no passado recente era a alavancagem.

Em determinado momento, a relação dívida líquida/EBITDA superou 5 vezes.

Atualmente, esse indicador está próximo de 2,4 vezes, nível mais confortável para uma empresa cíclica do setor de commodities.

Estrutura financeira atual aproximada

IndicadorValor
Dívida líquida~R$ 3,1 bilhões
Caixa~R$ 1,2 bilhão
Dívida líquida/EBITDA~2,4x
Valor de mercado~R$ 6,5 bilhões

O alongamento do perfil da dívida reduziu a pressão de curto prazo e trouxe maior previsibilidade até 2028.

Mercado global projeta expansão estrutural do alumínio

O mercado global de alumínio pode atingir aproximadamente US$ 190 bilhões em 2025, com expectativa de crescimento superior a US$ 100 bilhões adicionais até 2033.

Os principais vetores de demanda incluem:

  • Veículos elétricos

  • Transição energética

  • Construção civil

  • Infraestrutura

  • Crescimento industrial da Índia

O consumo na China segue elevado, enquanto a Índia desponta como potencial motor adicional de demanda a partir de 2027.

Esse cenário estrutural cria um pano de fundo favorável para produtores eficientes e com menor intensidade de carbono.

Valuation: parte do ciclo já foi precificada

Com a ação próxima de R$ 10, parte relevante da recuperação já foi absorvida pelo mercado.

A tese deixou de ser exclusivamente de turnaround e passou a ser uma tese de continuidade de ciclo.

O potencial adicional dependerá de:

  • Sustentação do preço do alumínio

  • Disciplina financeira

  • Eficiência operacional

  • Crescimento da demanda global

CBAV3 ainda vale atenção?

A CBAV3 combina hoje três fatores importantes:

  1. Recuperação operacional consolidada

  2. Estrutura de capital mais saudável

  3. Exposição a um mercado com perspectiva estrutural positiva

Por outro lado, é preciso considerar:

  • Alta já expressiva

  • Natureza cíclica da commodity

  • Sensibilidade ao cenário macroeconômico global

A empresa não é mais uma aposta de recuperação profunda, mas pode se posicionar como um ativo de ciclo estrutural ligado à expansão do alumínio no mundo.

O investidor que acredita em crescimento da demanda global e estabilidade nos preços da commodity encontra na CBAV3 uma tese mais equilibrada do que no passado recente — porém com menor margem de erro do que nos níveis mínimos anteriores.

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Eduardo Martins
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Eduardo Martins é planejador financeiro certificado (CFP®) e consultor de investimentos, com mais de 10 anos de experiência no mercado financeiro. Na A Revista, explica renda fixa, fundos imobiliários, dividendos, simulações de quanto rende e planejamento financeiro. Apresenta premissas, custos, tributação e riscos, sem converter cenários em promessa de retorno.

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