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Início » Últimas Notícias » Vale (VALE3) registra prejuízo de US$ 3,8 bi, reduz dívida e mantém força nos dividendos
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Vale (VALE3) registra prejuízo de US$ 3,8 bi, reduz dívida e mantém força nos dividendos

Mesmo com resultado contábil negativo no 4T25, geração de caixa cresce, dívida cai e projeções apontam dividendos robustos para 2026.
Nathália SantosPor Nathália Santos20 de fevereiro de 20264 minutos lidos
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Vale (VALE3) registra prejuízo de US$ 3,8 bi, reduz dívida e mantém força nos dividendos

A mineradora Vale (VALE3) encerrou o quarto trimestre de 2025 com um prejuízo líquido de US$ 3,8 bilhões. À primeira vista, o número assusta. No entanto, ao destrinchar o balanço, o cenário revela uma companhia com forte desempenho operacional, geração robusta de caixa e redução consistente da dívida.

O resultado negativo foi majoritariamente contábil, influenciado por baixas (impairments), ajustes tributários ligados a operações no Canadá e efeitos relacionados ao acordo de Brumadinho. No caixa, a realidade foi diferente.

Desempenho operacional sólido em 2025

Apesar do prejuízo líquido no trimestre, a Vale apresentou crescimento relevante nas vendas e eficiência operacional.

Crescimento nas vendas – 4T25

  • Minério de ferro: +4,5%

  • Cobre: +8%

  • Níquel: +5%

No acumulado de 2025:

  • Minério de ferro: +13%

  • Cobre: +12%

  • Níquel: +11%

O preço médio realizado do minério de ferro ficou em aproximadamente US$ 95,40 por tonelada, com leve alta trimestral. Já o cobre registrou valorização expressiva, alcançando cerca de US$ 11 mil por tonelada, enquanto o níquel ficou próximo de US$ 15 mil.

O destaque estratégico foi a divisão de metais básicos, que ganhou relevância na composição do EBITDA, reduzindo a dependência exclusiva do minério de ferro.

Custos em queda e eficiência operacional

A companhia registrou o segundo ano consecutivo de redução de custos no minério de ferro. O custo caixa (C1) ficou em torno de US$ 21,30 por tonelada, em linha com o guidance.

No cobre, o custo all-in apresentou números extremamente competitivos, impulsionados por receitas de subprodutos, como ouro e prata. Isso elevou significativamente a rentabilidade da divisão de metais básicos.

O EBITDA proforma atingiu US$ 4,8 bilhões no trimestre, crescimento de 17% na comparação anual.

Geração de caixa e redução da dívida

O fluxo de caixa livre recorrente somou US$ 1,7 bilhão no trimestre, praticamente dobrando na comparação anual.

A dívida líquida foi reduzida para US$ 15,6 bilhões, queda de US$ 1 bilhão em relação ao trimestre anterior. A alavancagem permaneceu confortável, próxima de 0,7x EBITDA.

Mesmo com o prejuízo contábil, a empresa reduziu endividamento e preservou liquidez, reforçando a solidez financeira.

Dividendos seguem robustos

Em 2025, a Vale distribuiu R$ 7,62 por ação em dividendos, um dos maiores valores da última década, desconsiderando o pico atípico de 2021.

Em dezembro de 2025, a companhia anunciou R$ 3,58 por ação, equivalente a um dividend yield aproximado de 5,3% apenas nessa distribuição.

Atualmente, o dividend yield acumulado em 12 meses gira em torno de 8% a 9%, mesmo após forte valorização das ações.

Histórico recente de dividendos (R$/ação)

AnoDividendos pagos
202114,65
20227,58
20257,62

Para 2026, o cenário base projeta payout próximo de 65%, com expectativa de dividendos recorrentes robustos, embora sem garantia de pagamentos extraordinários, dependendo do ciclo das commodities.

Análise fundamentalista

Com as ações próximas de R$ 87, após valorização superior a 70% em 12 meses:

  • Dividend Yield: ~8,7%

  • P/VPA: acima de 1,1x

  • EV/EBITDA: cerca de 5x

O P/L foi distorcido pelo prejuízo contábil, não refletindo necessariamente deterioração estrutural da geração de caixa.

Comparativamente aos pares globais como BHP e Rio Tinto, os múltiplos permanecem competitivos.

Preço teto projetado para 2026

Considerando lucro líquido projetado de aproximadamente R$ 38 a R$ 40 bilhões e payout de 65%, o dividendo estimado por ação pode girar em torno de R$ 5,50 a R$ 5,70.

Com base em diferentes exigências de retorno:

Retorno esperadoPreço teto estimado
4% ao anoR$ 139
6% ao anoR$ 92
8% ao anoR$ 69
10% ao anoR$ 55

Com a ação na faixa dos R$ 87, o valuation se aproxima do preço teto para um investidor que busca retorno anual próximo de 6%.

Análise técnica

No gráfico semanal, VALE3 mantém tendência de alta no médio prazo após superar resistências históricas entre R$ 62 e R$ 74.

A faixa entre R$ 82 e R$ 91 tornou-se zona decisiva. A perda consistente de R$ 82 poderia abrir espaço para correção até R$ 74. Já o rompimento sustentado de R$ 91 pode destravar novo ciclo de valorização.

Perspectivas para 2026

Os principais vetores para o ano incluem:

  • Preço do minério de ferro

  • Demanda chinesa

  • Possível IPO da divisão de metais básicos

  • Continuidade da disciplina de capital

O consenso de mercado aponta predominância de recomendações de compra, destacando geração de caixa sólida e eficiência operacional, apesar do prejuízo contábil.

O prejuízo de US$ 3,8 bilhões no 4T25 foi majoritariamente contábil e não refletiu deterioração estrutural da operação. A Vale encerrou 2025 com:

  • Crescimento operacional

  • Redução de dívida

  • Forte geração de caixa

  • Dividendos elevados

Para 2026, o cenário indica manutenção de rentabilidade atrativa, ainda que com menor probabilidade de dividendos extraordinários.

A decisão de investimento depende do perfil do investidor: foco em dividendos recorrentes ou potencial de valorização adicional em um ciclo favorável das commodities.

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Nathália Santos é jornalista e educadora financeira, com certificação em Planejamento Financeiro Pessoal. Na A Revista, escreve sobre renda fixa, quanto rende, crédito, orçamento e economia doméstica. Explica premissas, custos e riscos para ajudar o leitor a interpretar alternativas financeiras sem promessa de ganho.

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