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Início » Últimas Notícias » Klabin (KLBN4) sem dividendos, lucro despenca no 4T25 e ação sobe: o que está por trás da reação do mercado?
Ações

Klabin (KLBN4) sem dividendos, lucro despenca no 4T25 e ação sobe: o que está por trás da reação do mercado?

Resultado pressionado por manutenção e preços menores não impede alta das ações; entenda os números e o que esperar para 2026
Rafael CostaPor Rafael Costa16 de fevereiro de 20264 minutos lidos
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Klabin (KLBN4) sem dividendos, lucro despenca no 4T25 e ação sobe: o que está por trás da reação do mercado?

A Klabin (KLBN4) divulgou os números do quarto trimestre de 2025 com queda expressiva no lucro líquido, ausência de novos dividendos e pressão operacional. Mesmo assim, as ações reagiram positivamente no pregão.

À primeira vista, o lucro chama atenção pela intensidade da retração. No entanto, uma análise mais detalhada revela fatores não recorrentes e impactos operacionais que ajudam a entender o cenário.

Principais números do 4T25

Indicador4T25Var. vs 4T24Var. vs 3T25
Lucro LíquidoR$ 168 milhões-69%-65%
EBITDA AjustadoEm linhaEstável-13%
Receita Líquida-2%-2%-5%
Volume Produção Total-2%-2%-8%
Produção Celulose-9%-9%-14%
Dívida LíquidaR$ 25,3 bilhões↓ vs 4T24↓ vs 3T25

Por que o lucro caiu tanto?

O lucro líquido veio bem abaixo das expectativas — o mercado estimava cerca de R$ 284 milhões, mas o resultado foi de R$ 168 milhões.

Os principais fatores:

Paradas de manutenção

A companhia realizou duas paradas relevantes de manutenção no trimestre, reduzindo a produção e elevando custos operacionais temporariamente.

  • Produção de celulose caiu 9% vs 4T24

  • Queda de 14% vs 3T25

  • Volume total produzido recuou 8% na comparação trimestral

Esse impacto reduziu o potencial de vendas e pressionou a receita.

Pressão nos preços da celulose

Os preços médios de venda recuaram principalmente na celulose, especialmente na fibra curta.

  • Celulose caiu vs 4T24

  • Papéis subiram cerca de 3% no ano

  • Embalagens tiveram desempenho mais resiliente

No 4T25, o volume vendido até cresceu 1% vs 4T24 (ex-madeira), mas a queda nos preços anulou o efeito positivo.

Receita pressionada por preço e volume

A dinâmica foi clara:

  • Em relação ao 4T24 → volume subiu, mas preço caiu

  • Em relação ao 3T25 → preço estável, mas volume caiu

Resultado:
Receita líquida recuou 2% vs 4T24
Queda de 5% vs 3T25

Custos sob controle apesar do cenário desafiador

Apesar da pressão operacional, a Klabin mostrou disciplina em custos:

  • Despesas com vendas caíram 3%

  • Despesas administrativas subiram 2% no trimestre

  • Custo caixa total caiu 2% no ano

  • Custo por tonelada subiu apenas 2% (abaixo da inflação)

Os custos com pessoal e serviços cresceram 9% no ano, mas o CPV avançou apenas 7%, mostrando eficiência operacional mesmo em fase de investimentos.

Monetização de ativos florestais ajudou o resultado

A companhia realizou uma operação relevante envolvendo ativos florestais (projeto Caetê), criando uma joint venture com fundo florestal (TIMO).

Impactos:

  • Geração de R$ 305 milhões positivos no resultado

  • Redução da alavancagem

  • Manutenção de contratos futuros de fornecimento de madeira

Esse movimento contribuiu para aliviar o balanço em um momento de maior pressão operacional.

Endividamento segue em trajetória de queda

A dívida líquida caiu de R$ 26,9 bilhões para R$ 25,3 bilhões no trimestre.

Reduções observadas:

  • Dívida em dólar: de US$ 3,9 bi para US$ 3,3 bi

  • Dívida em reais também recuou

O resultado financeiro negativo diminuiu de R$ 884 milhões no 4T24 para R$ 707 milhões no 4T25.

A desalavancagem é ponto central da estratégia atual da companhia.

E os dividendos?

Em dezembro de 2025 (15/12), a Klabin antecipou dividendos relevantes antes da mudança na tributação prevista para 2026.

Isso significa:

  • Parte significativa do dividendo do exercício 2026 já foi paga em 2025

  • Não haverá repetição do mesmo payout elevado em 2026

  • Dividend yield estimado gira em torno de 5,5% considerando projeções

A empresa está priorizando desalavancagem e investimentos.

Então por que KLBN4 subiu?

Mesmo com lucro fraco, alguns fatores explicam a reação positiva:

  • Queda no lucro foi majoritariamente operacional e não estrutural
    Paradas de manutenção são temporárias
    Custos sob controle
    Desalavancagem consistente
    Operação florestal gerando caixa
    Expectativa de melhora no ciclo de celulose

O mercado tende a antecipar melhora operacional à frente.

O que esperar para 2026?

Alguns vetores serão decisivos:

  • Recuperação do preço da celulose

  • Estabilidade do dólar

  • Continuidade na redução da dívida

  • Normalização da produção após manutenções

A Klabin segue em fase de investimento e ajuste financeiro. O resultado do 4T25 mostra pressão momentânea, mas sem deterioração estrutural do negócio.

O 4T25 trouxe queda relevante no lucro da Klabin (KLBN4), ausência de novos dividendos e pressão nos preços da celulose. No entanto, os fundamentos operacionais permanecem sólidos, com controle de custos e redução da dívida.

A reação positiva das ações indica que o mercado pode estar enxergando esse trimestre como um ponto de transição, e não como sinal de enfraquecimento estrutural.

O desempenho de 2026 dependerá principalmente do ciclo global de celulose e da disciplina financeira da companhia.

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Rafael Costa
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Rafael Costa é editor de Tecnologia e Inovação, especialista em Blockchain e Web3, com pós-graduação em Finanças. Na A Revista, acompanha criptomoedas, tecnologia financeira, inovação e os efeitos dessas mudanças sobre empresas e mercados. Distingue uso efetivo, anúncios, projeções e riscos dos ativos digitais.

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