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Início » Últimas Notícias » Suzano surpreende mercado com lucro de R$ 9,8 bi e recompra de ações
Ações

Suzano surpreende mercado com lucro de R$ 9,8 bi e recompra de ações

Após prejuízo contábil de R$ 28 bilhões em 2024, companhia surpreende o mercado, anuncia recompra de 6,5% das ações e destaca força do caixa mesmo com pressão nos preços da celulose.
Eduardo MartinsPor Eduardo Martins11 de fevereiro de 20264 minutos lidos
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Suzano surpreende mercado com lucro de R$ 9,8 bi e recompra de ações
Suzano surpreende mercado com lucro de R$ 9,8 bi e recompra de ações

A Suzano voltou ao centro das atenções do mercado após divulgar seus resultados consolidados de 2025 e anunciar um programa robusto de recompra de ações. A empresa pretende adquirir até 40 milhões de papéis, o equivalente a aproximadamente 6,5% das ações em circulação, ao longo de 18 meses.

O movimento ocorre após um ano marcado por forte recuperação contábil. Em 2024, a companhia havia registrado um prejuízo de cerca de R$ 28 bilhões, enquanto em 2025 reportou lucro de aproximadamente R$ 9,8 bilhões.

Mas será que esse lucro realmente reflete a melhora operacional? É aqui que o investidor precisa ir além do lucro líquido.

 Empresa de commodity: não olhe apenas o lucro líquido

Empresas exportadoras e altamente dolarizadas, como a Suzano, sofrem forte impacto da variação cambial na demonstração de resultados.

Grande parte da diferença entre o prejuízo de 2024 e o lucro de 2025 está relacionada a:

  • Variação cambial sobre dívida em dólar

  • Marcação contábil de contratos

  • Ajustes financeiros não caixa

Em 2024, com o dólar em forte alta, a companhia registrou impacto negativo bilionário. Já em 2025, com o movimento inverso da moeda, houve efeito positivo relevante.

Esses ajustes muitas vezes não representam saída real de caixa, mas apenas variações contábeis.

Por isso, em empresas de commodity como a Suzano, os indicadores mais relevantes são:

  • EBITDA

  • Geração de caixa operacional

  • Fluxo de Caixa Livre (Free Cash Flow)

Geração de caixa: o verdadeiro termômetro da Suzano

A companhia mostrou que continua eficiente na geração operacional.

 Preço médio da celulose

  • US$ 538 por tonelada no mercado externo

 Custo caixa de produção

  • Aproximadamente US$ 147 por tonelada

Isso significa que a empresa mantém margem operacional saudável, mesmo com queda de 8% no preço da commodity em comparação ao trimestre anterior.

A diferença entre custo e preço é o que sustenta o caixa da empresa.

Free Cash Flow Yield: o que realmente importa ao acionista

O fluxo de caixa livre representa o dinheiro que sobra após:

  • Investimentos

  • Pagamento de impostos

  • Serviço da dívida

  • Capital de giro

Se, hipoteticamente, a empresa gera R$ 2 bilhões livres e o mercado avalia a companhia em R$ 20 bilhões, o Free Cash Flow Yield seria de 10%.

Esse indicador mostra o retorno potencial em geração de caixa sobre o valor de mercado um dado muito mais relevante que o lucro contábil em ciclos de commodity.

 Redução de custos e eficiência operacional

A Suzano tem trabalhado fortemente na redução estrutural de custos.

O Projeto Cerrado, uma das maiores expansões recentes da empresa, ajudou a reduzir despesas logísticas e operacionais, especialmente com:

  • Diesel

  • Transporte de madeira

  • Energia

  • Insumos

A proximidade entre floresta e fábrica reduz custos de transporte, aumentando a eficiência operacional.

Mesmo que o preço da celulose oscile, a empresa consegue agir do lado que controla: os custos.

Alavancagem: risco sob controle?

A alavancagem atual gira em torno de 3,2 vezes dívida líquida/EBITDA.

Embora acima de 3x possa gerar alerta em outros setores, no caso da Suzano o cenário é mais equilibrado porque:

  • A companhia possui cerca de R$ 32,5 bilhões em liquidez

  • O cronograma de vencimentos é diluído até 2029

  • A geração de caixa é consistente

Isso reduz o risco de pressão financeira no curto prazo.

Investimentos caem e caixa tende a aumentar

Os investimentos (CAPEX) vêm diminuindo após o pico do Projeto Cerrado:

  • 2024: R$ 17 bilhões

  • 2025: R$ 13,3 bilhões

  • 2026 (guidance): cerca de R$ 11 bilhões

A tendência é clara: menos gasto em expansão e mais espaço para:

  • Desalavancagem

  • Recompra de ações

  • Dividendos

  • Reforço de caixa

Recompra de ações: sinal de confiança?

Ao optar por recompra em vez de distribuir dividendos, a Suzano indica que acredita que suas ações estão atrativas no mercado.

A recompra:

  • Reduz o número de ações em circulação

  • Aumenta o lucro por ação

  • Pode gerar valorização no médio prazo

É uma forma indireta de remuneração ao acionista.

Vale a pena acompanhar SUZB3 agora?

A Suzano volta ao radar do mercado justamente quando o papel se aproxima da casa dos R$ 50, após período de menor interesse dos investidores.

Pontos positivos:

Forte geração de caixa
Redução de investimentos
Recompra relevante
Controle de custos

Pontos de atenção:

Dependência do ciclo da celulose
Oscilação cambial
Alavancagem ainda elevada

A Suzano mostrou que o prejuízo de 2024 foi majoritariamente contábil e que sua operação continua sólida. A geração de caixa sustenta a tese de recompra e reduz riscos financeiros no curto prazo.

Para investidores que entendem o ciclo de commodities, o foco deve estar menos no lucro líquido e mais na capacidade da empresa de transformar produção em caixa.

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Eduardo Martins
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Eduardo Martins é planejador financeiro certificado (CFP®) e consultor de investimentos, com mais de 10 anos de experiência no mercado financeiro. Na A Revista, explica renda fixa, fundos imobiliários, dividendos, simulações de quanto rende e planejamento financeiro. Apresenta premissas, custos, tributação e riscos, sem converter cenários em promessa de retorno.

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