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Ações

Banco ABC (ABCB4) já subiu 30%, mas ainda pode chegar a R$ 30? O que sustenta a tese

Mesmo após forte valorização e em meio ao bull market, Banco ABC mantém fundamentos sólidos, baixa inadimplência e projeções de lucro e dividendos que sustentam o otimismo do mercado.
Fabiane MeloPor Fabiane Melo10 de fevereiro de 20265 minutos lidos
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Em um cenário de Ibovespa renovando máximas e investidores inseguros sobre novos aportes em renda variável, o Banco ABC Brasil (ABCB4) surge como um dos casos que mais geram dúvidas. As ações acumulam valorização próxima de 30% nos últimos 12 meses, saindo da faixa de R$ 21–22 para o patamar atual ao redor de R$ 26–27.

A pergunta que domina o mercado é direta: o papel ficou caro demais ou ainda há espaço para crescimento?

Mesmo com a alta recente, analistas seguem otimistas. A Banco do Brasil Investimentos mantém recomendação de compra, com preço-alvo de R$ 30 para 2026, sustentado por fundamentos sólidos, projeções de lucro crescentes e dividendos atrativos.

Resultados do 4T25 reforçam a tese de solidez

O Banco ABC encerrou 2025 com números que ajudam a explicar o otimismo do mercado:

  • Lucro líquido do 4T25: R$ 275 milhões, alta de 13% em relação ao mesmo período do ano anterior

  • Lucro acumulado em 2025: cerca de R$ 1 bilhão, um recorde histórico para a instituição

  • ROE no 4T25: aproximadamente 16%, patamar considerado saudável para o setor financeiro

Apesar do crescimento consistente, o banco mantém um perfil mais conservador e previsível, com evolução de resultados mais gradual quando comparado a bancos que adotam estratégias mais agressivas.

Crescimento contido explica parte do ceticismo

Um dos principais pontos de debate é que, embora a cotação tenha avançado forte, o lucro por ação permaneceu relativamente estável, girando em torno de R$ 4,26 a R$ 4,29 nos últimos exercícios.

Isso elevou o múltiplo P/L para cerca de 6,2, ainda considerado aceitável e abaixo da média de vários bancos, mas superior ao observado pelo próprio Banco ABC em anos anteriores.

Esse descompasso entre preço e crescimento do lucro levanta dúvidas sobre até onde a valorização pode ir no curto prazo.

Dividendos elevados reforçam o apelo da ação

Mesmo com esse cenário, o Banco ABC segue chamando atenção pela remuneração ao acionista.

Em 2025, houve uma distorção positiva nos dividendos devido a eventos não recorrentes, incluindo ajustes tributários. Ainda assim, ao analisar uma média mais estrutural, o banco apresenta um histórico de pagamentos crescentes, normalmente com duas distribuições por ano.

Estimativas indicam que:

  • O dividend yield atual se aproxima de 10%, mesmo com a ação negociada acima de R$ 26

  • Em projeções mais longas, o yield pode alcançar 11% a quase 12% até 2028, considerando crescimento de lucro e manutenção da política de distribuição

Isso significa que, mesmo comprando a ação em níveis mais altos, o investidor pode construir um yield on cost elevado ao longo do tempo.

Inadimplência mínima e carteira de crédito bem protegida

Outro ponto-chave da tese é a qualidade do crédito. O Banco ABC é um banco 100% корпоративo, focado em empresas, com forte presença nos segmentos:

  • Agronegócio

  • Energia

  • Serviços

  • Comércio

Dentro da carteira, o destaque está no segmento middle market, com empresas de faturamento anual entre R$ 30 milhões e R$ 300 milhões. Nesse grupo, o banco exige níveis elevados de garantias, com cerca de 40% de colateral, o que reduz drasticamente o risco.

O resultado é claro:

  • Inadimplência (NPL) abaixo de 1%

  • NPL de apenas 0,5% no 4T25, com saldo em atraso em queda

Em um ambiente de juros ainda elevados, esse nível de controle é um diferencial relevante frente a outros bancos empresariais.

Selic em queda pode destravar nova fase de crescimento

O mercado precifica que a forte valorização recente não reflete apenas o passado, mas sim expectativas para os próximos anos.

Com a perspectiva de queda da Selic, o Banco ABC tende a:

  • Expandir a carteira de crédito com mais segurança

  • Aumentar exposição ao middle market, segmento que oferece spreads maiores

  • Elevar margens de lucro, hoje pressionadas por um ambiente mais defensivo

Projeções de mercado apontam para um lucro líquido que pode sair de R$ 1 bilhão em 2025 para algo entre R$ 1,15 bilhão e R$ 1,2 bilhão até 2027/2028.

Valuation segue descontado frente aos pares

Mesmo após a alta:

  • Preço/Lucro: em torno de 6x

  • Preço/Valor Patrimonial: abaixo de 1x, próximo de 0,8

Esses números indicam que, comparado a outros bancos listados, o Banco ABC ainda negocia com desconto relevante, o que ajuda a sustentar o preço-alvo mais elevado no médio prazo.

Desempenho histórico impressiona no longo prazo

O histórico reforça a confiança de parte do mercado:

  • Rentabilidade acumulada em 10 anos: cerca de 494%

  • Superou indicadores como Ibovespa, IFNC, CDI e IMA-B

Esse desempenho ajuda a explicar por que o banco passou a ser negociado com múltiplos mais altos, mesmo mantendo uma estratégia conservadora.

Vale investir agora ou esperar correção?

O dilema permanece. Para investidores muito ancorados em preços passados, o patamar atual pode parecer elevado. Por outro lado, olhando de agora para frente, o preço atual já embute um cenário de:

  • Selic em queda

  • Lucros em aceleração

  • Dividendos elevados e crescentes

Nesse contexto, o consenso de mercado é que R$ 26–27 não representa um preço excessivo, considerando as projeções. Ainda assim, o papel pode enfrentar volatilidade caso haja correções no mercado como um todo.

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Fabiane Melo
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Fabiane Melo é editora de Economia e Negócios, formada em Administração e pós-graduada em Finanças. Na A Revista, acompanha resultados de empresas, negócios, economia e setores produtivos, relacionando fatos e indicadores ao ambiente de investimentos. Prioriza contexto, documentos e linguagem acessível.

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