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Início » Últimas Notícias » Três ações descontadas na Bolsa podem dobrar de valor e ainda pagam dividendos
Ações

Três ações descontadas na Bolsa podem dobrar de valor e ainda pagam dividendos

PetroRecôncavo, Cogna e Romi aparecem descontadas segundo múltiplos de valuation, modelos matemáticos e critérios de Benjamin Graham, com dividendos e forte assimetria de retorno.
Suzana MelloPor Suzana Mello3 de fevereiro de 20264 minutos lidos
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Mesmo após a recuperação do mercado acionário brasileiro, algumas empresas seguem negociadas a preços considerados inferiores ao seu valor intrínseco. Em 2026, análises que combinam preço justo de analistas, modelos matemáticos de valuation e critérios clássicos de Benjamin Graham indicam oportunidades relevantes em ações que ainda pagam dividendos e apresentam fundamentos sólidos.

Entre os destaques estão PetroRecôncavo (RECV3), Cogna Educação (COGN3) e Romi (ROMI3), companhias de setores distintos, mas que compartilham o mesmo ponto em comum: assimetria positiva entre risco e retorno.

PetroRecôncavo (RECV3): forte margem de segurança e dividendos elevados

A PetroRecôncavo negocia próxima de R$ 10,98, valor considerado inferior ao preço justo estimado por diferentes metodologias. A média de 14 analistas aponta um preço justo em torno de R$ 14,23, enquanto 10 modelos matemáticos, incluindo fluxo de caixa descontado, indicam R$ 17,56, o que representa um upside próximo de 60%.

Quando aplicado o método de Benjamin Graham, o preço justo estimado alcança R$ 27,23, o que gera uma margem de segurança superior a 140% frente à cotação atual. Pelo critério de preço teto com base em dividendos, o valor estimado é de R$ 18,61, com margem de segurança acima de 66% considerando a média dos últimos cinco anos.

Dividendos e indicadores financeiros

  • Dividend yield acima de 17% nos últimos 12 meses

  • Média histórica de proventos desde 2023 em torno de R$ 1,40 por ação

  • Três dividendos já programados para dezembro de 2026, 2027 e 2028, de aproximadamente R$ 0,34 por ação

Nos fundamentos, a empresa apresenta:

  • P/L de 5,25

  • P/VP de 0,71

  • Margem líquida acima de 18%

  • ROI de 13,59%

  • Dívida líquida/EBITDA de 0,95

  • Liquidez corrente de 2,16

Apesar da redução pontual de produção no terceiro trimestre de 2025, causada por parada programada para manutenção no ativo Potiguar, o endividamento segue controlado. Em janeiro de 2026, a companhia comunicou aquisição de participação acionária relevante e promoveu ajustes na diretoria, reforçando o foco em eficiência operacional.

Cogna Educação (COGN3): reestruturação operacional começa a destravar valor

As ações da Cogna são negociadas ao redor de R$ 4,54, após uma recuperação expressiva frente às mínimas históricas. Mesmo assim, análises recentes indicam que a companhia segue abaixo do preço justo.

A média de 12 analistas aponta preço justo de R$ 4,70, enquanto 14 modelos de valuation indicam R$ 5,84, reforçando um potencial adicional de valorização.

Pelo método de Benjamin Graham, a margem de segurança supera 120%, reflexo da melhora consistente nos resultados operacionais.

Dividendos e fundamentos

  • Dividend yield em torno de 4% nos últimos 12 meses

  • Dividendos programados para fevereiro de 2026 e dezembro de 2028

  • P/L próximo de 7

  • P/VP de 0,73

  • Margem líquida em torno de 19%

  • Dívida líquida/EBITDA de 1,35

  • Liquidez corrente de 1,81

Desde o final de 2024, a Cogna vem apresentando trimestres consecutivos de melhora operacional, com aumento de rentabilidade e maior previsibilidade. A combinação de desalavancagem gradual, eficiência ‘operacional e base de alunos mais rentável tem reposicionado a empresa no radar do mercado.

Romi (ROMI3): indústria cíclica com histórico consistente de dividendos

A Romi negocia próxima de R$ 8,36 e, embora não conte com amplo coverage de analistas, apresenta preço justo médio de R$ 8,75 segundo 11 modelos matemáticos, que consideram múltiplos de lucro, receita, EBITDA e vendas.

No critério de Benjamin Graham, a margem de segurança supera 100%, reforçando o desconto do papel frente ao seu valor intrínseco.

Dividendos e desempenho operacional

  • Pagamento de dividendos recorrente desde 2016

  • Média anual de dividend yield em torno de 8,6%

  • Perfil de proventos com volatilidade moderada, compatível com o setor industrial

No terceiro trimestre de 2025, a empresa apresentou forte reversão de resultados, impulsionada principalmente pela unidade alemã B+W, que registrou crescimento superior a 500% na receita trimestral, elevando margens e geração de caixa.

Indicadores financeiros

  • P/L abaixo de 9

  • P/VP de 0,64

  • Dívida líquida/EBITDA de 3,88

  • Liquidez corrente de 2,07

Apesar do nível mais elevado de endividamento, a liquidez confortável e a retomada operacional reduzem o risco no curto e médio prazo. A empresa possui dividendos programados, incluindo pagamento previsto para abril de 2026, após encerramento da data-com.

Assimetria positiva e foco em fundamentos

PetroRecôncavo, Cogna e Romi representam perfis distintos de investimento, mas compartilham características que chamam atenção em 2026:

  • negociação abaixo do preço justo,

  • margem de segurança elevada,

  • pagamento de dividendos,

  • e potencial de valorização relevante no médio e longo prazo.

A análise conjunta de valuation, indicadores fundamentalistas e histórico operacional mostra que, mesmo em um mercado mais seletivo, ainda existem oportunidades para investidores atentos aos fundamentos e à disciplina de preço.

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Suzana Mello

    Suzana Mello integra a equipe de conteúdo da A Revista. Acompanha economia, finanças pessoais, quanto rende e temas que afetam o orçamento do leitor. Produz textos em linguagem acessível, identifica fontes e períodos de referência e diferencia dados confirmados de estimativas.

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