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Início » Últimas Notícias » Ações da Positivo (POSI3) caem sem parar: desconto histórico esconde riscos relevantes
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Ações da Positivo (POSI3) caem sem parar: desconto histórico esconde riscos relevantes

Mesmo negociada a forte desconto sobre o valor patrimonial, a Positivo enfrenta queda de resultados, pressão operacional e desafios estruturais que colocam em dúvida a tese de investimento em 2026.
Felipe AndradePor Felipe Andrade30 de janeiro de 20264 minutos lidos
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Ações da Positivo (POSI3) caem sem parar: desconto histórico esconde riscos relevantes

As ações da Positivo Tecnologia figuram entre as mais descontadas da B3 em 2026. O papel negocia muito abaixo do valor patrimonial, o que naturalmente desperta interesse do investidor em busca de barganhas.

No entanto, a desvalorização não ocorre de forma aleatória. A empresa atravessa um ciclo de deterioração operacional, com queda de receitas, compressão de margens e lucros inconsistentes, fatores que explicam a precificação deprimida.

Modelo de negócios: três frentes, um desafio estrutural

A operação da Positivo está organizada em três pilares principais, cada um com características e riscos distintos.

Distribuição (B2C e pequenas empresas): perda de relevância no varejo

Este segmento atua no fornecimento de computadores, tablets, celulares e periféricos para o consumidor final e pequenos negócios. Em 2026, a relevância dessa frente continua em declínio, pressionada por concorrentes globais consolidados e pela redução da presença da marca no varejo.

Soluções corporativas (B2B): crescimento relativo, mas insuficiente

A frente corporativa envolve hardware, servidores, soluções de TI, segurança, tecnologia educacional e serviços gerenciados. Embora represente a área mais estratégica da companhia, o avanço ainda não compensa a fraqueza estrutural das demais operações.

Setor público e projetos especiais: resultados elevados, porém não recorrentes

Inclui grandes contratos pontuais, como fornecimento de urnas eletrônicas. Esses projetos geram picos de lucro em determinados anos, mas não oferecem previsibilidade nem recorrência, aumentando a volatilidade dos resultados.

Resultados financeiros: queda de receita e eficiência em deterioração

A leitura dos números mais recentes evidencia um cenário operacional desafiador:

  • Redução da receita líquida na comparação anual

  • Queda da margem bruta, mesmo com ajustes no custo dos produtos vendidos

  • Crescimento das despesas operacionais

  • Retração relevante do EBIT

O efeito combinado resulta em prejuízo líquido acumulado, revertendo um lucro que já havia sido modesto no exercício anterior.

Endividamento: não é crítico, mas exige atenção

A estrutura de capital da Positivo não indica risco extremo, porém apresenta sinais de deterioração:

  • Dívida líquida próxima de R$ 800 milhões, já descontado o caixa

  • Relação dívida líquida/EBIT ao redor de 1,9x, pressionada pela queda do resultado operacional

  • Forte aumento da dívida de curto prazo, que já representa quase metade do endividamento total

Com juros ainda elevados durante boa parte de 2026, a empresa tende a manter despesas financeiras relevantes, mesmo com expectativa de alívio gradual da taxa básica ao longo do ano.

Dividendos: consistentes no passado, questionáveis no presente

Nos últimos anos, a Positivo manteve uma política de remuneração relativamente estável:

  • Dividend Yield médio entre 6% e 8%, dependendo do preço de entrada

  • Payout ao redor de 40%, equilibrando distribuição e reinvestimento

Contudo, em um cenário de prejuízo operacional, o pagamento de dividendos perde atratividade estratégica. Em 2026, a continuidade dessa política depende diretamente de uma recuperação consistente dos lucros.

Valuation: desconto histórico não visto anteriormente

O principal atrativo da POSI3 está nos múltiplos de valuation:

IndicadorNível em 2026
P/VP~0,37
Preço vs. patrimônioMercado paga cerca de 37% do valor contábil
Margem de segurança patrimonialElevada

Esse nível de desconto reflete a desconfiança do mercado quanto à capacidade da empresa de transformar patrimônio em geração de valor no futuro.

Por que a ação continua caindo mesmo estando “barata”?

A trajetória da POSI3 ilustra um ponto clássico do mercado: preço baixo não garante retorno. Sem crescimento de receita, sem ganho de eficiência e sem vantagem competitiva clara, o desconto tende a persistir.

As valorizações expressivas do passado ocorreram em períodos específicos, impulsionadas por eventos pontuais, e não por crescimento estrutural do negócio.

POSI3 vale a pena em 2026?

Em 2026, a POSI3 se enquadra mais como um ativo de risco elevado e tese especulativa, do que como investimento baseado em fundamentos sólidos. O desconto é real, mas os desafios operacionais também são significativos.

A decisão do investidor passa menos por “quão barata está a ação” e mais por se a empresa conseguirá reverter a tendência de queda de resultados e recuperar competitividade.

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Felipe Andrade
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Felipe Andrade é analista de investimentos e colunista de mercado, com experiência em renda variável e mercados globais. Na A Revista, acompanha ações, empresas, petróleo, energia, commodities e mercados internacionais. Analisa resultados e documentos das companhias, contextualiza riscos e diferencia dados de expectativas.

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