O ano de 2025 está chegando ao fim com um contraste claro no mercado acionário brasileiro. Enquanto o Ibovespa acumula valorização superior a 30%, as ações da Klabin registram queda próxima de 18% no mesmo período. O movimento chama atenção, mas não reflete uma deterioração proporcional dos fundamentos da companhia.
Na prática, a Klabin entra em 2026 negociada na faixa de R$ 3,80 a R$ 3,95, patamar considerado baixo quando comparado aos resultados operacionais recentes, ao histórico de geração de caixa e ao potencial de distribuição de dividendos.
Resultados do 3T25 mostram crescimento mesmo fora do pico do ciclo
No terceiro trimestre de 2025, a Klabin apresentou números que ajudam a explicar por que a queda das ações não está ligada a piora do negócio.
Volume de vendas: +14% na comparação anual
Receita líquida: R$ 5,4 bilhões (+9% a/a)
Ebitda ajustado: R$ 2,1 bilhões (+17% a/a)
O desempenho foi impulsionado principalmente pelos segmentos de papéis e embalagens, com contribuição relevante da celulose. Mesmo sem um cenário favorável de preços para commodities, a empresa conseguiu ampliar margens e fortalecer o resultado operacional.
Ebitda acumulado está entre os melhores da história da empresa
Nos últimos 12 meses, o Ebitda consolidado da Klabin alcançou aproximadamente R$ 7,1 bilhões, o segundo maior da história da companhia, ficando atrás apenas do pico registrado em 2022.
Esse dado é relevante porque mostra que a empresa não atravessa um momento de deterioração operacional. Pelo contrário: o nível atual de geração de caixa é historicamente elevado, mesmo em um ambiente de preços menos favorável.
Modelo verticalizado reduz riscos e traz previsibilidade
A Klabin possui um modelo de negócios totalmente verticalizado, atuando desde o plantio florestal até a produção de celulose, papéis e embalagens. Essa estrutura reduz a dependência de um único produto e suaviza os impactos dos ciclos de commodities.
Além disso, a diversificação geográfica da receita também contribui para a estabilidade dos resultados. Aproximadamente 35% da receita vem do mercado externo, enquanto 65% é gerada no mercado interno, o que cria uma proteção natural em cenários de câmbio mais elevado.
Alavancagem segue elevada, mas trajetória é de queda
Um dos principais pontos de atenção do mercado em relação à Klabin sempre foi a alavancagem. No entanto, os números mais recentes mostram uma melhora consistente.
Dívida líquida: cerca de R$ 26,1 bilhões
Caixa e aplicações financeiras: aproximadamente R$ 9,7 bilhões
Dívida líquida / Ebitda: 3,3 vezes (em reais)
A alavancagem já chegou a níveis próximos de 4,5 vezes em ciclos de investimento mais intensos e vem recuando trimestre após trimestre. Esse movimento abre espaço, ao longo do tempo, para maior distribuição de dividendos.
Além disso, o perfil da dívida é alongado, com compromissos plenamente cobertos pelo caixa nos próximos anos, o que reduz riscos financeiros no curto e médio prazo.
Números atuais da Klabin (KLBN4)
| Indicador | Dado mais recente |
|---|---|
| Cotação KLBN4 | ~R$ 3,86 |
| Receita líquida (3T25) | R$ 5,4 bilhões |
| Ebitda ajustado (3T25) | R$ 2,1 bilhões |
| Ebitda LTM | ~R$ 7,1 bilhões |
| Dívida líquida | ~R$ 26,1 bilhões |
| Caixa | ~R$ 9,7 bilhões |
| Dívida líquida / Ebitda | 3,3x |
| Dividendos aprovados para 2026 | R$ 0,182 por ação |
| Pagamentos em 2026 | Fevereiro, maio, agosto e novembro |
Dividendos já definidos trazem previsibilidade para 2026
A Klabin já aprovou dividendos que somam R$ 0,182 por ação, com pagamentos distribuídos ao longo de 2026. Considerando o preço atual da ação, isso representa um dividend yield mínimo próximo de 4,7%, sem considerar possíveis dividendos adicionais.
Com a continuidade da desalavancagem e manutenção da geração de caixa, existe espaço para novas distribuições ao longo do ano, especialmente se o cenário de preços de celulose e papéis melhorar.
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