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Início » Últimas Notícias » BBAS3 derrete na Bolsa: crise no agro, lucro pressionado e por que 2026 ainda preocupa investidores
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BBAS3 derrete na Bolsa: crise no agro, lucro pressionado e por que 2026 ainda preocupa investidores

Alta inadimplência no crédito rural, Selic elevada e freio nos empréstimos derrubam rentabilidade do Banco do Brasil e mantêm ações sob forte pressão
Mariana DuartePor Mariana Duarte10 de janeiro de 20264 minutos lidos
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O Banco do Brasil atravessa um dos momentos mais desafiadores dos últimos anos. As ações BBAS3 acumulam forte desvalorização desde o topo histórico, refletindo um conjunto de fatores negativos que atingem em cheio o modelo de negócios do banco.

O principal deles é a deterioração do crédito rural, segmento no qual o Banco do Brasil possui elevada exposição, especialmente ao pequeno e médio produtor — justamente o mais afetado pelo atual ciclo de juros elevados.

Inadimplência no agro trava crescimento e pressiona resultados

Mesmo com safras recordes e melhora climática recente, o agronegócio brasileiro enfrenta um estresse financeiro intenso. O problema não está na produção, mas no custo do dinheiro.

Com a Selic em patamares elevados, produtores passaram a comprometer uma parcela significativa da receita apenas com juros. Em muitos casos, o pagamento financeiro já supera a geração de lucro operacional, tornando o negócio inviável no médio prazo.

Como consequência:

  • a inadimplência do crédito rural segue em alta;

  • o Banco do Brasil elevou provisões para perdas;

  • a concessão de novos empréstimos foi reduzida;

  • e o crescimento da carteira de crédito perdeu força.

Banco puxa o freio no crédito e afeta a rentabilidade

Diante do aumento do risco, o Banco do Brasil passou a adotar uma postura mais conservadora, reforçando exigências de garantias e reduzindo o volume de novas operações, especialmente no Plano Safra 2025/26.

Essa estratégia ajuda a limpar a carteira problemático no longo prazo, mas gera um impacto direto no curto prazo:

  • menor crescimento de receitas;

  • menor alavancagem operacional;

  • ROE em queda acentuada.

O banco, que chegou a operar com retorno sobre patrimônio acima de 20% no auge do ciclo favorável, agora trabalha em níveis muito mais baixos, abaixo do custo de capital em alguns trimestres.

Principais números do Banco do Brasil (BBAS3)

IndicadorDado Atual
Lucro líquido trimestralForte queda em relação ao ano anterior
Lucro acumulado no anoPressionado por provisões mais altas
ROEBem abaixo dos patamares históricos
Carteira de créditoCrescimento fraco, com retração no rural
InadimplênciaEm trajetória de alta
Provisões para créditoAumento relevante
Dividend yield estimado 2026Cerca de 6%
P/VPPróximo de 0,7
P/LEm torno de 4 vezes
Queda desde o topoAproximadamente 35% a 40%

Dividendos seguem pressionados no curto prazo

Com lucro menor e necessidade de preservar capital, os dividendos do Banco do Brasil entraram em um período mais apertado. Para 2026, o mercado já trabalha com um dividend yield mais modesto, bem abaixo dos anos anteriores, quando a ação se destacava como uma das maiores pagadoras da Bolsa.

A expectativa predominante é:

  • 2026 ainda com dividendos contidos;

  • recuperação gradual apenas a partir de 2027;

  • melhora mais consistente somente quando o crédito rural se normalizar.

Selic alta hoje, alívio lento amanhã

Mesmo que a taxa básica de juros comece a cair ao longo de 2026, os efeitos positivos não são imediatos. Existe uma defasagem relevante entre a redução da Selic e a melhora efetiva da inadimplência e do crédito.

Ou seja:

  • o custo financeiro começa a cair rápido;

  • mas o alívio no balanço do banco leva meses para aparecer.

Isso mantém o Banco do Brasil em uma espécie de “limbo” operacional no curto prazo, pressionando lucros e frustrando investidores mais impacientes.

Eleições e política entram no radar do longo prazo

Por outro lado, 2026 é ano eleitoral, e mudanças no rumo fiscal podem alterar significativamente o cenário. Um governo mais comprometido com controle de gastos pode permitir:

  • queda estrutural da Selic;

  • recuperação do crédito;

  • melhora da rentabilidade bancária.

Nesse contexto, o Banco do Brasil volta a ser visto como uma tese de longo prazo, com potencial de recuperação relevante caso o ambiente macroeconômico se normalize.

BBAS3 é oportunidade ou armadilha?

No curto prazo, o cenário segue negativo. A ação ainda pode sofrer com:

  • novos dados ruins de inadimplência;

  • revisões de lucro;

  • volatilidade política e macroeconômica.

Por outro lado, os múltiplos estão historicamente baixos, refletindo grande parte do pessimismo. Para o investidor paciente, BBAS3 começa a se posicionar como um ativo de valor, mas com riscos claros e sem gatilhos imediatos de recuperação.

O mercado, mais uma vez, parece punir o presente — enquanto o investidor de longo prazo avalia se vale atravessar o deserto esperando a próxima virada do ciclo.

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Mariana Duarte
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Mariana Duarte é jornalista formada pela Universidade Federal da Bahia (UFBA), com mais de 10 anos de experiência em redações de portais nacionais e especialização em jornalismo digital. Na A Revista, acompanha economia, empresas, mercados e tecnologia ligada a negócios. Trabalha com linguagem acessível, atribuição de fontes e verificação de dados e documentos.

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