O cenário de juros elevados pressionou boa parte das empresas da Bolsa em 2024 e 2025 — especialmente aquelas mais sensíveis ao custo da dívida. Entre elas, Mitre (MTRE3) e JHSF (JHSF3) se destacam por estarem descontadas em relação ao valor patrimonial, apresentarem forte geração operacional e oferecerem dividendos atrativos, mesmo diante de um ambiente adverso.
Com a possível redução da Selic já no início de 2025, ambas podem figurar entre os maiores cases de recuperação do próximo ciclo.
Mitre (MTRE3): forte valor patrimonial, dividendos altos e uma trava chamada dívida
A Mitre vem enfrentando pressão no mercado, reflexo direto dos juros altos que elevaram significativamente seu custo financeiro. A ação oscila há meses entre R$ 3,10 e R$ 4,00, repetindo topos anteriores e sem força para romper a região.
Mesmo assim, há fatores extremamente relevantes:
1. Ação barata pelo P/VP
P/VPA atual: 0,38
Média histórica: 0,50
Valor patrimonial (VPA): R$ 9,35 por ação
Ou seja, a ação negocia com potencial teórico de valorização de quase 200% até seu valor patrimonial.
2. Dividendos mensais e yield acima da média
Dividend yield atual: aprox. 14%
Pagamentos mensais
Distribuição mínima de 50% do lucro
Para uma ação de R$ 3,10, os dividendos mensais chamam atenção.
3. Dívida líquida elevada é o grande desafio
Dívida líquida / EBITDA: 5,0 (muito acima da média setorial)
Caixa caiu de R$ 240 milhões para R$ 105 milhões em um ano, consumido pelos juros
Isso significa que a Mitre precisa de duas coisas para destravar valor:
Queda da Selic, reduzindo o custo da dívida
Renegociação ou alongamento da dívida, tal como fez a JHSF no passado
Caso essas duas condições se confirmem, Mitre pode ter uma das maiores recuperações da Bolsa.
4. Operacional segue forte
Receita ultrapassa R$ 1 bilhão
Lançamentos e vendas em alta
Mercado imobiliário aquecido no estado de São Paulo
O problema não está na operação, mas nas despesas financeiras que corroem o lucro.
JHSF (JHSF3): valorização explosiva, margens elevadas e caixa recorde
Enquanto a Mitre enfrenta pressão, JHSF brilha no curto e médio prazo. A ação saiu da casa dos R$ 4 há poucos meses para tocar R$ 8, entregando ganhos superiores a 100% para quem entrou no momento certo.
Mas o mais importante não é a alta recente — e sim os fundamentos.
1. Margem líquida impressionante
Margem líquida atual: 65%
Uma das maiores da Bolsa
Crescimento consistente desde 2023
Isso mostra que a empresa tem altíssima eficiência e rentabilidade.
2. Caixa explodiu em um ano
2024 (3T): R$ 857 milhões
2025 (3T): R$ 1,5 bilhão
O aumento robusto do caixa fortalece dividendos e novos investimentos.
3. Portfólio único no Brasil
Inclui:
Shopping Cidade Jardim
Catarina Aviation
Hotelaria de luxo
Gastronomia
Incorporação premium
Ativos internacionais
JHSF é hoje uma das empresas mais premium da Bolsa brasileira, com projeção de crescimento interno e externo.
4. Dividendos crescentes
Dividend yield ajustado pela nova cotação: ~5%
Potencial de novos aumentos em 2025 e 2026
5. Endividamento saudável
Dívida líquida / EBITDA: 1,8
Meta ideal: entre 1,1 e 1,2
O nível atual é administrável e tende a melhorar com a queda da Selic.
6. Potencial de valorização pelo VPA
VPA atual: R$ 9,23
Ação negocia próxima de R$ 7,70 a R$ 8,00
Com novos ativos entrando no balanço, esse VPA deve subir, o que reforça que a ação ainda está abaixo do seu valor patrimonial atualizado.
Mitre x JHSF: qual oferece maior potencial?
| Indicador | Mitre (MTRE3) | JHSF (JHSF3) |
|---|---|---|
| P/VP | 0,38 (muito barata) | 0,80 (dentro da média) |
| Dívida Líquida / EBITDA | 5,0 (alta) | 1,8 (controlada) |
| Dividend Yield | 14% | 4–5% |
| Crescimento Operacional | Alto | Muito alto |
| Caixa | Em queda | Em forte expansão |
| Potencial de valorização | Até 200% pelo VPA | 20–30% + atualização patrimonial |
Mitre é uma ação deep value, altamente descontada, com problemas financeiros que podem ser solucionados via corte de juros e renegociação da dívida.
JHSF é uma ação growth + dividendos, com fundamentos sólidos, caixa robusto e portfólio de alto padrão.
As duas podem performar bem, mas por razões diferentes.
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