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Início » Últimas Notícias » A queda de 60% da Raízen (RAIZ4) revela um sinal inesperado que começa a preocupar o mercado
Ações

A queda de 60% da Raízen (RAIZ4) revela um sinal inesperado que começa a preocupar o mercado

Queda das commodities, títulos de dívida em estresse e explosão de ações alugadas colocam a Raízen (RAIZ4) no centro da tensão no mercado em 2025
André CarvalhoPor André Carvalho1 de dezembro de 20254 minutos lidos
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RAIZ4
RAIZ4

A Raízen (RAIZ4) atravessa um dos momentos mais críticos desde sua listagem. A combinação entre queda abrupta das commodities, deterioração dos títulos de dívida no exterior, aumento expressivo de ações alugadas e risco regulatório devido ao preço abaixo de R$ 1 acendeu o alerta entre investidores e analistas.

Queda das commodities atinge em cheio os resultados

O setor sucroenergético passa por uma correção forte em 2025, o que coloca pressão direta sobre as margens da companhia:

  • Etanol: queda próxima de 10% no acumulado do ano

  • Açúcar: retração em torno de 18%

  • Mercado de bioenergia: impacto amplificado, com perdas próximas de 60%

A Raízen, que depende diretamente desses produtos em toda sua cadeia — do cultivo ao refino e distribuição — vem enfrentando compressão nas margens e menor geração de caixa.

Títulos de dívida sofrem desvalorização e elevam risco financeiro

Os títulos emitidos pela companhia no exterior, com vencimentos de médio e longo prazo — entre 2027 e 2035 — passam por forte queda no preço.
Isso reflete:

  • aumento da percepção de risco,

  • dificuldade de refinanciamento,

  • custo de captação mais elevado,

  • maior pressão sobre o caixa.

Alguns papéis, com cupom anual próximo a 6,5% em dólar, vêm apresentando recuo constante, sinalizando que o mercado precifica mais risco no endividamento da empresa.

Pressão sobre o caixa e riscos operacionais crescentes

A queda das commodities combinada ao encarecimento das dívidas cria um ambiente difícil para a Raízen:

  • desalavancagem mais lenta,

  • redução do fôlego para investimentos,

  • necessidade de priorizar liquidez,

  • projetos estratégicos exigindo capital elevado.

Isso inclui iniciativas de longo prazo como etanol de segunda geração (2G), combustível de aviação sustentável (SAF), expansão da rede de distribuição e modernização das plantas industriais.

RAIZ4 abaixo de R$ 1 coloca empresa diante de possíveis medidas obrigatórias

A ação já acumula 60% de queda só em 2025 e permanece abaixo de R$ 1, cenário que exige atenção pela regra da B3.

Se o papel continuar nesse patamar por muitos pregões consecutivos, a empresa poderá ter de adotar medidas como:

  • agrupamento de ações (inplit),

  • solicitação de exceções à B3,

  • readequações societárias.

Isso tende a elevar a volatilidade e aumentar a incerteza no curto prazo.

Recorde de ações alugadas aumenta pressão vendedora

O mercado também observa um movimento intenso de investidores operando vendido no papel. Os dados mais recentes mostram:

  • Mais de R$ 345 milhões em ações alugadas

  • Volume equivalente a quase 10 vezes a média diária de negociação

  • Participação de ações alugadas saltou de 1% para 3,5%

Com um papel de baixa liquidez e free float reduzido, o impacto desse movimento é ainda maior sobre a cotação.

Free float baixo amplifica volatilidade

A estrutura acionária da Raízen é extremamente concentrada:

  • Cosan: cerca de 44,9%

  • Shell: próximo de 50% entre ON e PN

  • Investidores institucionais relevantes: BlackRock, Wellington e outros

  • Free float estimado: apenas 11%

Isso torna o papel estruturalmente sensível a grandes movimentos, especialmente quando cresce o aluguel de ações.

Análises apontam potencial, mas divergências aumentam

Mesmo com a deterioração, parte do mercado ainda enxerga espaço para recuperação no médio prazo. Há análises que indicam:

  • preço-alvo médio próximo de R$ 1,90,

  • recomendação de compra ou manutenção,

  • expectativa de repique técnico caso o cenário macro melhore.

Por outro lado, investidores mais conservadores destacam:

  • PL negativo,

  • ROE e ROI negativos,

  • deterioração da nota de crédito,

  • desafios relevantes para redução da alavancagem,

  • ausência de indicadores de reversão no curto prazo.

Comparação com pares do setor mostra que a situação é mais grave em RAIZ4

Outras empresas do setor agroindustrial e sucroenergético — como São Martinho, SLC Agrícola, Jalles Machado e Agro3 — registram quedas menores, apresentam múltiplos positivos ou ao menos indicadores consistentes de geração de caixa.

Enquanto isso, a Raízen:

  • não apresenta múltiplos sustentáveis,

  • registra prejuízo líquido nos últimos trimestres,

  • enfrenta deterioração na relação dívida/EBITDA,

  • opera sem pagamento de dividendos.

Potencial de longo prazo continua, mas a travessia ficou mais difícil

A empresa segue líder em bioenergia e tem projetos relevantes para o futuro. No entanto, para superar a crise atual, será necessário:

  • recompor margens,

  • controlar endividamento,

  • mostrar geração de caixa sustentável,

  • reconquistar a confiança do mercado.

Até lá, a volatilidade deve continuar intensa.

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André Carvalho
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André Luís Carvalho é jornalista formado pela Universidade Federal da Bahia (UFBA), fundador e editor-chefe da A Revista, com mais de dez anos de experiência em jornalismo digital. Coordena a cobertura de ações, dividendos, fundos imobiliários, renda fixa, petróleo, economia e mercados. Na direção editorial, orienta a apuração em documentos primários, a contextualização de riscos e a separação entre fatos, projeções e opiniões. Conteúdos informativos não constituem recomendação individual de investimento.

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