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Ações

De R$ 27 para menos de R$ 19: Klabin (KLBN11) virou oportunidade de ciclo ou armadilha?

André CarvalhoPor André Carvalho22 de novembro de 20257 minutos lidos
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De R$ 27 para menos de R$ 19: Klabin (KLBN11) virou oportunidade de ciclo ou armadilha?
De R$ 27 para menos de R$ 19: Klabin (KLBN11) virou oportunidade de ciclo ou armadilha?

A Klabin, maior empresa de embalagens do Brasil e uma das maiores do mundo, voltou aos holofotes com a divulgação do resultado do terceiro trimestre de 2025 (3T25). Mesmo em um cenário de preços deprimidos da celulose — sua principal matéria-prima —, a companhia entregou recorde de receita líquida, crescimento robusto de EBITDA e uma queda relevante na alavancagem, reacendendo o debate: Klabin (KLBN11) é ótima oportunidade de longo prazo ou continua um “barco furado” na Bolsa?

Desde 2021, quando as units KLBN11 chegaram a patamares próximos de R$ 27, o papel nunca mais retomou aquele nível, pressionado pela queda global da celulose, ciclo de investimentos pesados (CAPEX) e medo do mercado em relação ao endividamento. Hoje, mesmo após reação recente, o papel ainda é negociado abaixo de R$ 19, bem distante do topo histórico.

O que a Klabin faz e por que ela é tão comentada

A Klabin é uma companhia integrada de base florestal. Ela:

  • Planta florestas de pinus e eucalipto

  • Colhe a madeira

  • Transforma em celulose

  • Vende parte dessa celulose

  • Converte outra parte em papel

  • Produz embalagens (especialmente papelão ondulado)

Esse modelo integrado traz algumas vantagens:

  • Maior controle de custos de matéria-prima

  • Portfólio diversificado (madeira, celulose, papéis, embalagens)

  • Ganho de escala e eficiência operacional

  • Forte agenda de ESG, com destaque para manejo florestal sustentável

Além disso, a empresa é muito conhecida entre investidores de dividendos, em boa parte porque nomes como Luiz Barsi reforçaram por anos a tese em torno de Klabin como geradora de renda recorrente.

O que derrubou as ações desde 2021?

Apesar da boa reputação, as ações de Klabin vêm caindo desde 2021 e nunca mais voltaram ao nível do auge. Alguns fatores explicam:

  • Celulose é commodity: o preço é definido globalmente e passou por uma forte queda recente.

  • Setor intensivo em capital: projetos exigem investimentos bilionários, que elevam a dívida no curto e médio prazo.

  • Medo do mercado com alavancagem: quando a relação dívida/EBITDA sobe, o mercado passa a questionar a capacidade de pagamento.

  • Ciclo de preços: com a celulose em baixa, margens ficam pressionadas, mesmo em empresas eficientes.

Apesar disso, a empresa não parou de pagar dividendos, o que ajudou a manter a tese de longo prazo viva entre investidores mais pacientes.

Números do 3T25: crescimento forte e recorde de receita

No 3T25, a Klabin apresentou um conjunto de resultados considerado bastante sólido. Os principais destaques foram:

Principais indicadores do 3T25

Indicador3T25Destaque vs 3T24
Receita líquidaR$ 5,4 bilhões+9% a/a
EBITDA ajustadoR$ 2,11 bilhões+17% a/a
Margem EBITDA ajustada39%de 36% para 39%
Alavancagem líquida (US$)3,6x dívida líquida/EBITDAqueda forte vs >4x
Alavancagem líquida (R$)3,3x dívida líquida/EBITDAtambém em queda
Dividend yield 12 meses~5,5%ligeiramente abaixo da média histórica

Pontos-chave:

  • Receita líquida recorde: mesmo com o preço da celulose em níveis historicamente baixos, a empresa entregou o maior faturamento consolidado da história.

  • EBITDA em alta: o crescimento de 17% mostra que a companhia conseguiu expandir margens e eficiência operacional.

  • Margem EBITDA em 39%: avanço importante em relação ao ano anterior, reforçando que a operação está mais robusta.

Embalagens puxam o resultado; celulose continua o elo fraco

O grande motor do trimestre veio do segmento de embalagens, em especial o papelão ondulado, muito utilizado por setores como:

  • Indústria de alimentos

  • Processamento de carne

  • Agronegócio

  • Supermercados

  • Varejo em geral

Segundo os dados do 3T25:

  • Volume de vendas de papelão ondulado: alta de 6,6%

  • Receita líquida de papelão ondulado: crescimento de 20% (volume + preço)

  • Papel: avanço de 11,6% na receita

  • Celulose: queda de receita, coerente com o preço internacional em patamar historicamente baixo

Em resumo:

Os segmentos mais ligados a embalagens e consumo interno salvaram o trimestre, enquanto a celulose continua sendo o “peso” do portfólio.

Alavancagem em queda: promessa de desalavancagem está sendo cumprida

Um dos grandes temores do mercado em relação à Klabin era a alavancagem. A empresa vinha investindo pesado em projetos de expansão, o que elevou a dívida e gerou desconfiança entre investidores mais conservadores.

No 3T25, porém, a companhia mostrou um avanço claro:

  • Dívida líquida/EBITDA em dólares: caiu para 3,6x

  • Dívida líquida/EBITDA em reais: recuou para 3,3x

  • No ano passado, esses níveis estavam acima de 4x

Ou seja:

  • A Klabin está cumprindo a promessa de desalavancar o balanço.

  • A geração de caixa operacional está mais forte.

  • O risco de endividamento excessivo começa a ser reduzido, o que tende a dar mais conforto para o mercado.

Lucro líquido menor, mas com efeito contábil

Apesar do bom desempenho operacional, o lucro líquido do trimestre apresentou queda de 34% em relação ao ano anterior. Porém, esse movimento tem explicações contábeis:

  • No ano passado, os impostos foram anormalmente baixos.

  • Houve diferenças de depreciação e outros efeitos que distorcem a comparação.

  • O EBITDA, que mostra melhor a capacidade de geração de caixa da operação, cresceu.

Assim, do ponto de vista de análise fundamentalista, o foco maior recai sobre:

  • Expansão da margem EBITDA (de 36% para 39%)

  • Redução da alavancagem

  • Manutenção do fluxo de dividendos

Dividendos: yield menor, mas política segue firme

A Klabin é lembrada por muitos investidores como uma pagadora recorrente de dividendos. No momento:

  • O dividend yield dos últimos 12 meses está em cerca de 5,5%, um pouco abaixo do “normal” histórico da companhia.

  • A política de dividendos da empresa prevê distribuir entre 10% e 20% do lucro; hoje, o payout está em torno de 15%.

  • A empresa já anunciou dividendos para o ano e não sinalizou cortes nem distribuição extraordinária.

Ou seja:

  • Não é uma “vaca leiteira” de altíssimo yield, mas mantém uma política consistente e previsível, algo valorizado por investidores de longo prazo.

Klabin (KLBN11) está barata ou continua arriscada?

Com ações ainda abaixo de R$ 19, bem distantes dos R$ 27 de 2021/2022, muitos investidores se perguntam se já é hora de aproveitar a recuperação ou se o papel continua arriscado diante da fraqueza da celulose.

Pontos positivos da tese em Klabin (KLBN11)

  • ✅ Empresa líder em embalagens no Brasil, com presença relevante global

  • ✅ Modelo integrado (florestas + celulose + papel + embalagens)

  • ✅ Receita recorde mesmo com celulose em baixa

  • ✅ EBITDA crescente e margem em expansão

  • ✅ Alavancagem em queda, cumprindo a promessa de desalavancagem

  • ✅ Governança e ESG sólidos, com relatórios detalhados e transparência

  • ✅ Histórico de pagamento de dividendos, com yield próximo a 5,5% nos últimos 12 meses

Riscos e pontos de atenção

  • ⚠️ Dependência do ciclo da celulose, que ainda está em patamar deprimido

  • ⚠️ Setor intensivo em capital: CAPEX alto, exigindo dívida e execução impecável

  • ⚠️ Exposição cambial: receitas e dívidas ligadas ao dólar, o que pode jogar contra em certos cenários

  • ⚠️ Volatilidade das ações: o papel pode sofrer fortemente em ciclos de baixa de commodities

  • ⚠️ Dividend yield abaixo do “hype” passado, o que pode afastar investidores que buscam renda imediata muito alta

Para quem Klabin (KLBN11) pode fazer sentido?

A leitura do 3T25 reforça a percepção de que a empresa em si é muito boa, resiliente e bem gerida, mas atua em um setor cíclico e intensivo em capital. Em termos de perfil de investidor, a tese tende a interessar mais a quem:

  • Pensa em longo prazo e entende ciclos de commodities

  • Aceita volatilidade em troca de possível valorização futura quando o ciclo da celulose melhorar

  • Busca combinar dividendos com crescimento, não apenas renda imediata

  • Tem uma carteira diversificada, sem concentração exagerada em um único setor

Já para quem:

  • Quer previsibilidade extrema de resultados,

  • Busca dividendos muito elevados e imediatos,

  • Ou tem baixa tolerância à volatilidade de commodities,

pode fazer sentido olhar com mais cautela para o papel.

Oportunidade em construção

O 3T25 da Klabin mostra uma companhia que:

  • Entrega recorde de receita,

  • Melhora margens,

  • Reduz alavancagem

  • Mantém a política de dividendos,

mesmo em um ambiente bastante desafiador para a celulose. As ações ainda não voltaram ao topo histórico, mas a melhora operacional ajuda a recolocar KLBN11 no radar de quem acompanha o setor de papel e celulose.

Se o ciclo da celulose virar e a empresa continuar desenrolando sua estratégia de desalavancagem e crescimento em embalagens, a percepção atual de “barco furado” pode, com o tempo, dar lugar à visão de que se tratava de uma oportunidade de ciclo para investidores pacientes.

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André Carvalho
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André Luís Carvalho é jornalista formado pela Universidade Federal da Bahia (UFBA), fundador e editor-chefe da A Revista, com mais de dez anos de experiência em jornalismo digital. Coordena a cobertura de ações, dividendos, fundos imobiliários, renda fixa, petróleo, economia e mercados. Na direção editorial, orienta a apuração em documentos primários, a contextualização de riscos e a separação entre fatos, projeções e opiniões. Conteúdos informativos não constituem recomendação individual de investimento.

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