A Ferbasa divulgou seus resultados do terceiro trimestre de 2025 com números bem abaixo do esperado.
A receita líquida caiu quase 10% e o lucro despencou 55% em relação ao mesmo período do ano anterior.
O EBITDA ajustado encolheu cerca de 60%, refletindo a forte pressão no setor.
Mesmo assim, as ações subiram no curtíssimo prazo, contrariando o pessimismo que dominava o mercado desde março.
No acumulado do ano, o papel ainda cai cerca de 4,2%, mas o movimento recente indica uma tentativa de recuperação.
Aço chinês e exportações travadas
O grande desafio da Ferbasa tem sido o aumento das importações de aço chinês no Brasil.
A concorrência estrangeira reduziu preços e margens das empresas nacionais.
Além disso, as tarifas impostas pelos Estados Unidos afetaram diretamente as exportações da Ferbasa, que destinava cerca de 51% da receita ao exterior.
Com dificuldade de vender fora e dentro do país, a produção ficou praticamente estagnada.
No trimestre, houve alta de 8,6% nas ligas de cromo, mas queda de 17% nas ligas de silício.
As vendas totais caíram cerca de 6%, com recuo expressivo nas exportações de cromo — quase 50% menores.
Cenário macroeconômico impulsiona a alta
Apesar do cenário desafiador, o ambiente macroeconômico global trouxe um alívio momentâneo.
A queda dos juros nos EUA, a valorização do real e a perspectiva de redução da Selic atraíram capital estrangeiro para a Bolsa brasileira.
Esse movimento elevou os preços de diversas ações — inclusive da Ferbasa, mesmo com resultados fracos.
Outro fator importante foi o pagamento de proventos.
A empresa anunciou juros sobre capital próprio (JCP) em duas parcelas: uma ainda em 2025 e outra em junho de 2026, totalizando R$ 0,64 por ação.
A rentabilidade (dividend yield) está em torno de 15,6% com base na cotação de R$ 7,50.
O mercado enxergou nisso uma oportunidade de curto prazo.
Fundamentos e riscos
Mesmo em meio à turbulência, a Ferbasa segue com dívida líquida negativa, ou seja, tem mais caixa do que obrigações.
O fluxo de caixa livre acumulado no ano é de aproximadamente R$ 259 milhões, e o payout está perto de 77%.
Isso indica que a empresa tem recursos para sustentar os dividendos no curto prazo.
Por outro lado, os indicadores de rentabilidade caíram.
O ROE está em 6,3%, e o lucro por ação recuou para cerca de R$ 0,60.
Com o EV/EBITDA mais alto (8,2 × contra 6,4 × no passado), a Ferbasa ficou mais cara — mesmo valendo menos.
Oportunidade ou armadilha?
A Ferbasa continua sendo uma empresa sólida, com histórico de bons dividendos e matéria-prima de qualidade.
Mas o momento do setor é delicado.
A concorrência chinesa, a desaceleração global e a queda nas margens tornam o curto prazo arriscado.
Para o investidor paciente e disposto a suportar oscilações, pode haver potencial de valorização a longo prazo.
Em contrapartida, quem busca segurança e crescimento previsível pode preferir outros nomes do setor.
O preço justo, considerando os últimos três anos de resultados, seria entre R$ 7 e R$ 8,50 por ação — faixa em que o risco-retorno ainda se mantém equilibrado.
A Ferbasa (FESA4) vive um ciclo desafiador: lucros menores, exportações em queda e margens comprimidas.
Ainda assim, a força do cenário macro e o apelo dos dividendos mantêm o interesse dos investidores.
O futuro vai depender da capacidade da empresa em retomar margens e diversificar mercados.
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