Nos primeiros trimestres de 2025, a Usiminas apresentou reviravolta financeira relevante: no 1º trimestre alcançou lucro de R$ 337 milhões, avanço de aproximadamente 845% frente ao ano anterior. A receita líquida atingiu cerca de R$ 6,86 bilhões, elevação de 10% sobre 1T24, e o Ebitda ajustado foi de R$ 733 milhões, com margem ajustada em torno de 11%.
No 2º trimestre, a empresa reportou lucro de R$ 128 milhões, revertendo prejuízo no mesmo período de 2024. A receita ficou em torno de R$ 6,63 bilhões (+4% vs ano anterior), e o Ebitda ajustado alcançou cerca de R$ 408 milhões, crescimento de 65% sobre 2T24, embora abaixo das estimativas de mercado.
Além disso, a geração de caixa foi fortalecida: no 2T25, o fluxo de caixa livre foi de R$ 281 milhões, e a dívida líquida recuou para aproximadamente R$ 1,05 bilhão, com razão dívida líquida/Ebitda em cerca de 0,50x.
Fatores positivos no desempenho operacional
Entre os destaques favoráveis estão:
Recuperação das margens operacionais, com redução de custos por tonelada e melhora do mix de produtos.
Venda de minério de ferro com volumes superiores ao ano anterior (no 2T25, crescimento de ~11% trimestre-ante-trimestre).
Alavancagem financeira considerada baixa para o setor, o que fornece um colchão em ambiente volátil.
A empresa revisou seu CAPEX para 2025 na faixa de R$ 1,2 bilhão a R$ 1,4 bilhão, refletindo disciplina de investimento.
Contexto externo e riscos que preocupam investidores
Apesar do cenário operacional mais sólido, persistem diversas incertezas que impõem cautela:
A alta de importações de aço em condições consideradas “desleais” pela administração da empresa, o que afeta a competitividade doméstica.
O setor interno de aço enfrenta demanda fraca, agravada por taxa de juros elevada, que reduz consumo e investimentos de construção civil e automotivo.
Preços internacionais de minério de ferro e aço permanecem voláteis, o que pode pressionar margens se os valores realizáveis caírem.
O trimestre mais recente (3T25) indica prejuízo contábil — evidência de que ajustes fiscais ou provisões extraordinárias podem impactar o resultado líquido, mesmo com geração de caixa forte.
A própria Usiminas aponta para um ambiente de “volatilidade e incerteza” para o segundo semestre de 2025, em especial para o mercado interno e importações.
O que isso significa para o investidor?
Para quem pensa em investir em USIM5, o cenário apresenta oportunidades e advertências ao mesmo tempo:
O perfil de risco-retorno sugere que a papel pode estar numa fase de reavaliação: com indicador de dívida baixa e margem em recuperação, há potencial, mas não se trata de sinal verde automático.
Para o investidor de longo prazo que compra e “esquece”, a siderúrgica ainda enfrenta grandes desafios estruturais — o “comprar e aguardar” sem gestão ativa do risco pode resultar em frustração.
Para o investidor que atua com visão mais tática e de entrada/saída ou que aprecia a natureza cíclica do setor, o momento pode trazer oportunidade, desde que acompanhado por disciplina de risco.
É importante definir um nível de conforto com os riscos: cenário de importações, câmbio, demanda e juros altos ainda podem gerar surpresas negativas, mesmo com fundamentos mais saudáveis.
A Usiminas conseguiu dar sinais de recuperação no primeiro semestre de 2025, revertendo prejuízos e fortalecendo caixa. No entanto, o panorama para o segundo semestre ainda é marcado por elementos de risco expressivos. O papel pode oferecer uma oportunidade para quem possui tolerância ao risco e cronograma de investimento tático, mas não se caracteriza como “compra segura” no estilo passivo para todos os perfis. A decisão de entrar no ativo depende muito mais de como o investidor avalia a natureza cíclica do setor, o ambiente macroeconômico e a sua própria capacidade de monitorar o risco.
Quer saber tudo
o que está acontecendo?
Receba todas as notícias da A Revista no seu WhatsApp.
Entre em nosso grupo e fique bem informado.






