As ações da Bradespar (BRAP4) vêm mostrando uma recuperação expressiva no mercado, com valorização de 13,76% nos últimos 20 dias, impulsionadas pela retomada dos preços do minério de ferro, que voltaram a superar os US$ 92 por tonelada. O desempenho reflete não apenas a melhora do cenário para o setor de mineração, mas também o forte desconto patrimonial que a holding carrega frente à sua principal participação — a Vale (VALE3).
A Bradespar detém 3,83% de participação votante na Vale, um ativo avaliado em cerca de R$ 9 bilhões, além de R$ 500 milhões em caixa líquido. No entanto, o valor de mercado atual da holding é de aproximadamente R$ 6 bilhões, o que indica um desconto entre 34% e 35% sobre o valor patrimonial líquido, segundo dados da GF Investimentos.
Dividendos muito acima da média do mercado
Nos últimos anos, a Bradespar se destacou por um dividend yield médio de 21,04%, bem acima da própria Vale e de outras blue chips da B3. As projeções da plataforma GF para 2026 indicam dividendos próximos de R$ 11,81 por ação, reforçando o potencial de retorno para investidores que buscam renda passiva.
Embora não haja pagamentos previstos para novembro de 2025, a empresa manteve uma cadência sólida nos últimos anos — com três distribuições em 2024 e quatro em 2023. Essa consistência reforça a atratividade do papel em um momento de alta volatilidade no setor de commodities.
Desconto histórico e expectativa de acordo judicial
Segundo dados recentes, o desconto patrimonial da Bradespar atingiu o maior nível desde 2024, superando 35%. Parte dessa precificação ainda reflete o litígio bilionário da Litel, cuja solução definitiva pode destravar valor para os acionistas.
O processo já teve decisão favorável em segunda instância, e o mercado especula um possível acordo nas próximas semanas, o que poderia impulsionar ainda mais as ações da holding. Mesmo com o imbróglio jurídico, os acionistas controladores mantêm posição firme, sem sinal de redução relevante desde o início de 2024.
Minério de ferro e recuperação da Vale ajudam na tese
A valorização recente da Bradespar também acompanha a recuperação do minério de ferro e a melhora das perspectivas para a China, principal compradora global da commodity. O movimento beneficia diretamente a Vale, cujas ações têm forte correlação com os lucros da Bradespar.
De acordo com projeções de analistas, o preço justo da BRAP4 está entre R$ 30 e R$ 34, o que representa potencial de alta superior a 60% em relação à cotação atual. Além disso, o papel segue entre as 30 maiores pagadoras de dividendos da B3, consolidando-se como uma das opções mais atrativas para quem busca renda e valorização.
PetroRecôncavo (RECV3) também entra no radar
Além da Bradespar, analistas destacam a PetroRecôncavo (RECV3) como outra oportunidade no setor de commodities. Mesmo com uma queda recente de 26%, a petroleira continua pagando dividend yield superior a 17%, superando inclusive a Petrobras (PETR4).
A expectativa é que a recuperação do petróleo Brent, atualmente na faixa de US$ 65 a US$ 80 o barril, reforce os lucros das petrolíferas brasileiras e gere espaço para novos proventos no curto prazo.
Com desconto histórico de 35%, alto potencial de valorização e dividendos expressivos, a Bradespar (BRAP4) volta a ser uma das apostas mais comentadas do mercado. Apesar do risco jurídico e da dependência do desempenho da Vale e do minério de ferro, o papel se destaca como uma alternativa sólida para quem busca exposição ao setor de mineração com forte componente de renda.
Com múltiplos atrativos e forte correlação com o desempenho da Vale, a Bradespar (BRAP4) surge como uma das alternativas mais descontadas e rentáveis da B3 neste momento.
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