A Caixa Seguridade (CXSE3) voltou aos holofotes do mercado financeiro com o estudo de uma nova oferta pública de ações. O movimento, conhecido como follow-on, gerou dúvidas entre investidores, especialmente os iniciantes, sobre possíveis impactos nos dividendos e na diluição das ações.
Segundo informações, trata-se de uma oferta secundária, ou seja, não há criação de novas ações. Nesse tipo de operação, os recursos arrecadados vão para o acionista vendedor — neste caso, a própria Caixa Econômica Federal, que pretende reduzir parte de sua participação, e não para a empresa.
Atualmente, a Caixa detém 80% das ações da Caixa Seguridade, enquanto 20% estão em livre negociação na B3. A oferta pode elevar esse percentual, ampliando a liquidez dos papéis e atraindo fundos institucionais e investidores de maior porte.
Em números, a companhia possui 3 bilhões de ações, sendo 2,4 bilhões nas mãos da Caixa e 600 milhões no mercado. Caso o banco venda 5% de suas ações, sua fatia cairá para 75%, enquanto a base de investidores passará a deter 25% dos papéis — sem qualquer impacto na remuneração por ação.
💬 “O investidor não será diluído. Como não há novas ações sendo criadas, o dividendo por papel continua o mesmo”, reforçam analistas.
Dividendos seguem inalterados
A Caixa Seguridade mantém em aberto uma distribuição de R$ 960 milhões, equivalente a R$ 0,32 por ação, com data-com em 3 de novembro e pagamento previsto para 17 de novembro de 2025.
Mesmo com o follow-on, o valor não sofre alterações, pois a operação não interfere no lucro distribuído nem na base acionária total.
A última oferta secundária, realizada em março de 2025, ocorreu para que a estatal se adequasse às regras do Novo Mercado, que exigem no mínimo 20% de free float — proporção já alcançada.
Banco do Brasil decepciona e Bradesco surpreende
Enquanto a operação da Caixa Seguridade avança, o foco também se volta para o Banco do Brasil (BBAS3), que deve apresentar resultado fraco no 3º trimestre de 2025.
Projeções da XP Investimentos apontam lucro de R$ 3,5 bilhões, queda de 62,6% em relação ao mesmo período de 2024. A Genial Investimentos é ainda mais pessimista, estimando R$ 3,4 bilhões.
A instituição reduziu o payout para 30%, cancelou o pagamento antecipado de proventos de agosto e informou que todo o dividendo do 3º trimestre será pago em 11 de dezembro, com data-com em 1º de dezembro.
Com base nas projeções, o dividendo estimado é de R$ 0,19 por ação, representando yield de 0,89% na cotação atual.
Enquanto o Banco do Brasil enfrenta desafios com inadimplência e provisões maiores, o Bradesco (BBDC4) começa a mostrar sinais de recuperação, após meses de reestruturação.
Cemig se destaca como uma das elétricas mais baratas da Bolsa
No campo das ações de energia, a Cemig (CMIG4) vem chamando atenção com múltiplos atrativos e dividend yield robusto.
Com as ações cotadas em torno de R$ 11, a empresa acumula valorização de 7,7% em 12 meses, mantendo indicadores de valuation muito abaixo da média de mercado.
P/L: 5,3 (muito abaixo do benchmark de 15)
P/VPA: 1,11 (menor que o ideal de 1,5 segundo Benjamin Graham)
Dividend yield médio (2020–2024): 10,9%
Pelo método Bazin, que considera um retorno mínimo de 6% em dividendos, o preço-teto seria de R$ 21,12. Já com exigência de retorno de 8% a 10%, o preço justo cai para a faixa de R$ 12,70 a R$ 15,90, ainda oferecendo margem de segurança superior a 30%.
Analistas destacam que a Cemig permanece forte candidata a boas pagadoras de dividendos em 2025, combinando baixa alavancagem, alta eficiência operacional e carteira diversificada de geração e distribuição.
Monteiro Aranha anuncia dividendo e JCP robustos
A Monteiro Aranha (MOAR3), holding com participações na Klabin, Ultrapar e GPA, anunciou dividendos e juros sobre capital próprio que somam R$ 4,89 por ação, representando yield de 6,51% sobre o preço atual.
A data-com é 29 de outubro e o pagamento está previsto para 10 de novembro.
Apesar da generosidade da distribuição, a companhia possui baixa liquidez, com média diária de R$ 78,5 mil negociados, o que exige cautela dos investidores.
O novo follow-on da Caixa Seguridade reforça o avanço da estatal rumo à consolidação no mercado de capitais, sem impactos negativos para o pequeno investidor.
Enquanto isso, o Banco do Brasil preocupa com lucros em queda, e a Cemig desponta como alternativa barata e rentável no cenário de Selic elevada e busca por renda passiva.
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