Além da aposta em Bitcoin, a Mélús anunciou um programa de recompra de ações, reforçando o compromisso com a geração de valor aos acionistas. O plano permite a recompra de até 9,1 milhões de papéis, equivalentes a 10% do total em circulação.
O programa teve início em 8 de outubro de 2025 e seguirá até 8 de abril de 2027. A companhia destacou que a iniciativa é sustentada por uma posição de caixa robusta — R$ 70 milhões, somados a 604 bitcoins, avaliados em aproximadamente R$ 400 milhões no momento do anúncio. Sem endividamento relevante, a Mélús busca equilibrar o investimento em ativos digitais com o retorno direto aos acionistas por meio da redução da base acionária.
Entrada de investidor relevante e otimismo do mercado
A RPS Capital também comunicou à companhia a aquisição de 5,6% das ações da Mélús, reforçando o interesse institucional na tese de investimento da empresa. Segundo o BTG Pactual, que acompanha de perto o desempenho da companhia desde o IPO, os resultados trimestrais previstos para 5 de novembro, após o fechamento do mercado, devem vir acima das expectativas, com EBIT positivo e impacto direto da valorização do Bitcoin.
Os analistas do banco destacam que a Mélús combina baixa alavancagem, forte posição de caixa e exposição crescente a criptoativos, fatores que podem potencializar o retorno sobre o patrimônio líquido nos próximos trimestres.
Desempenho das ações e cenário técnico
Mesmo com fundamentos mais sólidos, as ações CASH3 acumulam queda de cerca de 57% em 2025, após um recuo superior a 90% desde a máxima histórica. O papel é atualmente negociado próximo de R$ 4,50, valor inferior ao preço equivalente de seu IPO, estimado em R$ 10.
Na análise técnica, a região entre R$ 5,00 e R$ 6,15 é apontada como zona de resistência importante, onde compradores buscam confirmar força compradora para retomar a tendência de alta. O volume diário médio de negociação, em torno de R$ 12 milhões, mostra sinais de recuperação gradual, sugerindo renovado interesse de investidores.
De empresa de cashback a tesouraria de Bitcoin
A guinada estratégica da Mélús surpreendeu o mercado. A companhia, que já havia operado no segmento de cartões e serviços financeiros — chegando a adquirir e posteriormente vender um banco digital —, reposicionou-se de forma radical. Agora, o foco está em atuar como uma empresa de tesouraria de Bitcoin, utilizando a criptomoeda como reserva de valor e instrumento de geração de retorno no longo prazo.
A decisão reflete uma busca por diferenciação no mercado financeiro brasileiro, em um momento de volatilidade e reprecificação dos ativos digitais. Apesar das incertezas, a Mélús mantém fundamentos sólidos, com liquidez, disciplina financeira e uma proposta inovadora no uso corporativo do Bitcoin.
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